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Nota do MST sobre afastamento da presidenta Dilma Roussef

16.05.2016
 
Nota do MST sobre afastamento da presidenta Dilma Roussef. 24351.jpeg

**Esse é um golpe institucional e anti-democrático, que desrespeitou a vontade de 54 milhões de eleitores.**


Da Página do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem a público
manifestar seu repúdio e inconformismo em relação à decisão do Senado
Federal, dessa quinta-feira (12), de admitir o processo de Impeachment
contra a Presidenta Dilma Roussef e afastá-la do cargo temporariamente.
Temos certeza, como afirma o texto do processo, que a Presidenta não
cometeu nenhum crime com as pedaladas fiscais. Se assim fosse, o processo
deveria atingir também o vice que ora assume, Michel Temer, e o senador
Anastasia, ex-governador de Minas.

Esse é um golpe institucional e anti-democrático que desrespeitou a
vontade de 54 milhões de eleitores e foi orquestrado pelos setores mais
conservadores da sociedade, em especial o empresariado neoliberal e
subserviente aos interesses das empresas Estadunidenses. Um golpe
sustentado por uma campanha permanente dos grandes meios de comunicação -
em especial, a Rede Globo -, e pela ação seletiva e midiática de setores
do poder judiciário.

O golpe referendado pelo Senado não desrespeita apenas a opinião da
população sobre quem deve ser o Chefe de Estado, mas, como anunciado pelo
Vice usurpador, pretende aplicar um programa recessivo, neoliberal, de
tristes lembranças para o povo brasileiro nos tempos dos governos
Collor-FHC. Ele será anti-popular e um retrocesso social que diversas
vezes foi rejeitado pela maioria da população nas urnas. Incapazes de
conviver com a democracia e de se submeterem a vontade popular, as elites
afastam a Presidenta sem qualquer comprovação de crime, apenas para que
seu projeto de cortes sociais, desemprego e privatização seja levado a
cabo.

A "Ponte para a recessão", do golpista Michel Temer, só levará à
acentuação da crise social e econômica e ampliará a instabilidade
política do país. O novo governo que se anuncia, por seu histórico,
tampouco representa ruptura com os métodos corruptos, que todos
denunciamos nas ruas.

Esperamos que o Senado se redima, quando tiver que julgar o mérito. E se
assim não proceder, as forças partidárias democráticas e contrárias ao
Golpe devem recorrer ao STF. A sociedade brasileira sabe que estamos
enfrentando uma crise econômica, política, social e ambiental. Essa crise
não se supera com golpes. Ela necessita de um amplo debate na sociedade
que aglutine a maior parte das forças populares e sociais, para buscarmos
construir um novo projeto de país que enfrente as crises.

Em relação à crise política instaurada, defendemos com os demais
movimentos populares, que somente uma reforma política profunda, que
devolva ao povo o direito de escolher seus representantes legítimos, pode
ser uma saída verdadeira. O atual congresso não tem condições e nem
vontade política. Daí a necessidade do senado aprovar a realização do
plebiscito que dê ao povo o direito de convocar uma assembleia
constituinte, que culmine numa reforma política com a realização de
eleições gerais em condições democráticas.

O MST permanecerá mobilizado em defesa da democracia e dos direitos
sociais, ao lado da Frente Brasil Popular e dos milhares de trabalhadores e
trabalhadoras que não aceitarão o golpe. Seguiremos sempre em luta,
contra o latifúndio e o agronegócio, pela reforma agrária popular e pelo
direito constitucional de todos os trabalhadores rurais terem terra e vida
digna no campo.

Não ao golpe! Fora Temer!

Coordenação Nacional do MST

Brasília, 12 de maio 2016

Acesse esta Nota pelo site do MST:


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