Pravda.ru

CPLP » Brasil

Entrevista de Lula: Ler texto na Íntegra

16.05.2007
 
Pages: 123456...12
Entrevista de Lula: Ler texto na Íntegra

Entrevista de Lula: Ler texto na Íntegra

Entrevista coletiva concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a jornalistas brasileiros e estrangeiros Palácio do Planalto, 15 de maio de 2007

Abertura: Palavras do presidente Lula

Bom dia.

Vocês estão lembrados que no final do ano passado eu disse que nós íamos melhorar a relação com a imprensa e, portanto, íamos estabelecer uma nova dinâmica nessa relação com a imprensa.

Mas antes de abrir para as perguntas, eu gostaria de dizer para vocês que, de vez em quando, eu me pergunto sobre o papel de uma reeleição. O que um presidente da República deve fazer com o seu segundo mandato? Isso tem me levado a algumas reflexões sobre o período 2007/2010. Nós cumprimos uma primeira etapa que, eu acredito, foi uma etapa exitosa. Eu disse que não vou falar mais de comparações do nosso governo com outros governos, agora eu preciso me comparar 2003/2006, 2007/2010. E eu penso que o resultado que nós obtivemos no primeiro mandato me permite dizer para vocês o seguinte: o Brasil de 2007 é um outro País. Hoje vocês não têm mais que perguntar a mim sobre estabilidade econômica, vocês não têm mais que perguntar a mim sobre credibilidade externa, sobre dívida externa, sobre reservas, sobre crescimento da economia, sobre estabilidade e vulnerabilidade, porque essas coisas estão praticamente resolvidas.

Quando eu digo que estão praticamente resolvidas é porque o Brasil se preparou no primeiro mandato para dar um salto de qualidade no segundo mandato. No segundo mandato nós precisamos fazer aquilo que não foi possível fazer no primeiro mandato, com um pouco mais de sabedoria, com um pouco mais de experiência, para que a gente colha resultados melhores e possa deixar para o sucessor um Brasil infinitamente mais equilibrado, mais desenvolvido, em melhores condições do que aquele Brasil que nós recebemos em 2003, e que outros receberam em outros períodos da história brasileira.

Eu tenho dito sempre que o Brasil teve dezenas de oportunidades na sua história, não foram poucas. Eu mesmo, na minha vida sindical, vivi momentos em que a gente acreditava que era daquela vez que o Brasil ia dar certo e, de repente, um mês, dois meses, três meses depois, nós acordávamos com o Brasil não dando certo, porque se fazia experiências acadêmicas na economia brasileira. Nós resolvemos tomar a decisão de não fazer experiências acadêmicas, ou seja, nós resolvemos colocar em prática aquilo que uma dona-de-casa coloca em prática na sua casa: ela recebe o seu salário no final do mês, o salário do seu marido ou dos filhos, se senta à mesa, contabiliza o que tem que pagar, contabiliza o que tem que comprar e só gasta exatamente aquilo que for possível gastar, só come exatamente aquilo que for possível comer e, assim, as pessoas ajustadas conseguem sobreviver dignamente.

Nós fizemos isso e o resultado é que nós vivemos o melhor momento da economia de toda a história da República. São muitos os fatores favoráveis na economia brasileira, e nós entendemos que por isso só, nós poderemos fazer um segundo mandato pensando em outras coisas, como o PAC, por exemplo, que lançamos no dia 22 de janeiro, como o PDE que nós lançamos no mês seguinte e outros programas que nós vamos lançar. Daqui para a frente nós vamos ter um programa especial para a juventude brasileira, vamos ter uma proposta para segurança pública, vamos ter uma proposta para a agricultura, vamos ter proposta para as indústrias que hoje sofrem problemas de exportação ou por conta do câmbio, dizem alguns, ou por conta da concorrência internacional com a China. Então, agora nós estamos preparados para fazer aquilo que não foi feito no primeiro mandato. E isso porque nós consolidamos, em primeiro lugar, a política econômica e, junto com a política econômica, nós consolidamos a nossa política internacional.

É sabido, mesmo por aqueles que não querem concordar ou que teimam em não concordar, que o Brasil nunca teve uma relação internacional tão privilegiada como a que nós temos hoje. Com a criação do G-20 em Cancun, nós consolidamos um Bloco, não apenas de países emergentes, representativos do ponto de vista da economia, mas também do ponto de vista da sua força política nos fóruns internacionais, e também da grande quantidade de populações que representam esses países, como China, Índia, Brasil e África do Sul, o que nos permite ter uma inserção no G-8 e nos permite ter uma inserção na OMC, coisa que nós não tínhamos há um tempo.

Hoje, eu acho que não haverá nenhuma discussão sobre acordos internacionais, envolvendo tanto a reforma de organismos multilaterais como a questão da Rodada de Doha, do acordo da OMC, que o Brasil não seja levado em conta e que o G-20 não seja levado em conta.

Depois de consolidado, uma outra coisa fundamental para o Brasil foi a sua relação na América do Sul e a sua ação na América Latina. Para algumas pessoas que não acreditavam nisso, hoje a relação comercial do Brasil com a América Latina é maior do que a sua relação comercial com os Estados Unidos e com a Europa, embora a relação comercial com os Estados Unidos e com a Europa tenha crescido, em média, 20% em todo esse período. E qual foi o milagre que aconteceu? O milagre foi que todas as economias do continente cresceram e, ao mesmo tempo, nós deixamos de estar de costas voltadas uns para os outros e resolvemos estabelecer uma parceria.

Pages: 123456...12

Loading. Please wait...

Fotos popular