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Lula: "O Brasil de 2007 é um outro país"

16.05.2007
 
Lula: "O Brasil de 2007 é um outro país"

O Brasil de 2007 é um outro país. Hoje, vocês não têm mais que perguntar a mim sobre estabilidade econômica, nem sobre credibilidade externa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou a entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (15.05) destacando os avanços dos últimos quatro anos na economia brasileira.

O presidente explicou que o crescimento econômico sustentável aliado à baixa inflação está permitindo ao governo adotar agora projetos importantes, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). O presidente Lula mencionou, ainda, outros programas que o governo irá lançar, voltados para as áreas de segurança, agricultura e de apoio à juventude.


A coletiva tratou também de temas como a regulamentação da greve no serviço público, ampliação da capacidade de produção de energia no País, taxa de juros, produção de etanol e outros biocombustíveis e segurança pública, entre outros. Leia, a seguir, alguns trechos da entrevista.

 
Greve no serviço público
Eu sempre discuti com os meus companheiros servidores públicos que a greve no setor público não deveria ser feita como se faz numa fábrica. Porque quando nós fazemos uma greve numa fábrica, o que ele [o trabalhador] está fazendo? Está tentando causar um prejuízo econômico ao patrão, para que então o patrão possa ceder às suas reivindicações.

No caso do servidor público não tem patrão e o prejudicado, na verdade, não é o governo, é o povo brasileiro. Nós não queremos proibir que haja greve, pelo contrário. Primeiro, nós não temos o projeto ainda, nós vamos fazer um projeto para mandar. E vamos discutí-lo com as centrais sindicais, porque no nosso governo as coisas são discutidas com quem de direito. Então o que quero é apenas responsabilizar o direito de greve.


Aborto
“Como cidadão, sou contra o aborto. Agora, como chefe de estado, eu sou favorável que o aborto seja tratado como questão de saúde pública”.


Energia
“Nós temos que trabalhar pensando dois, três, quatro, seis anos para frente, para que a gente possa resolver o problema. E obviamente que dizer ‘não vai faltar energia’ significa a gente tentar fazer todas as usinas hidrelétricas não poluentes, renováveis e as mais baratas. Nós não queremos fazer uma hidrelétrica depredando o meio ambiente. Só tem sentido fazer se a gente combinar produção de energia com o cuidado ambiental neste País".
“Então, na hora em que os ministros não tiverem solução, nós levamos para o Conselho Nacional de Política Energética e aí o Conselho de Política Energética decide”.


Valorização do real
“A gente fica dizendo que o real está valorizado sem reconhecer que o dólar está se desvalorizando diante de quase todas as moedas do mundo. O câmbio vai continuar sendo flutuante e vai se ajustar. O que nós precisamos é ter medidas tributárias para que a gente possa permitir que as empresas brasileiras que produzem e competem com um produto, normalmente chinês, no mercado internacional, e estão perdendo competitividade, possam ter mais competitividade. O governo pode aumentar a alíquota de produtos importados, pela OMC nós poderemos chegar a 35% na taxação de determinados produtos. Já fizemos isso no setor têxtil".


“Nesses últimos meses, você vai perceber que até o final de 2006 nós desoneramos praticamente 22 bilhões de reais neste País. A construção civil não estaria crescendo como está se não tivéssemos adotado um pacote”.


Integração na América do Sul
“Estabelecemos a idéia de que era preciso construir uma outra dimensão da política de integração para a América do Sul, de que gostaríamos de construir uma parceria e não uma hegemonia, mas também não poderíamos esquecer os problemas que temos. Então, nós temos que levar em conta a existência de algo que supere as nossas divergências do século XIX, para que a gente possa construir as convergências do século XXI”.


Etanol
“Agora que já consolidamos o álcool, no mundo, pelo menos conceitualmente como uma matriz energética de qualidade excepcional, é preciso que a gente dê o segundo passo para discutir a humanização do setor da cana neste País, estabelecer uma discussão com os empresários e com os trabalhadores para humanizar, para criar melhores condições de trabalho para que as pessoas possam ser profissionais e cidadãos na sua plenitude”.


“Nós temos outros ingredientes a nos preocupar com relação a isso. Nós estamos pensando, e está dentro do PAC, a construção do aqueduto que sai aqui da região Centro-Oeste e vai até o porto de Santos. Nós estamos vendo projetos e mais projetos, são mais de 76 novas usinas a serem instaladas no País. O biodiesel está crescendo de forma, eu diria, extraordinária”.


Taxa de juros
“Quero mostrar de que é possível um presidente da República responsável não ter ingerência no Banco Central quando se trata de discutir assunto da política monetária brasileira. Estou convencido de que nós temos uma taxa de juros mais baixa dos últimos anos, com viés de baixar. Os juros vão chegar ao patamar, eu diria, que é aquele que todo mundo sonha, os juros compatíveis com os juros internacionais”.


Segurança
“Quando chegar o Pan, teremos um modelo de uma coisa que vai continuar no Rio quando acabar o Pan. É uma experiência que estamos fazendo, que pode ficar no Rio, depois que os atletas forem embora. O Rio pode significar uma virada da segurança pública no Brasil".

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República


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