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No Brasil, após queda histórica, homicídios voltam a crescer em São Paulo

15.11.2011
 

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

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No Brasil, após queda histórica, homicídios voltam a crescer em São Paulo. 15938.jpegSÃO PAULO/BRAASIL - No Brasil, apesar de acumulado no ano ser 5% menor do que o de 2010, tendência de alta, principalmente no interior, preocupa especialistas. Depois de quedas sucessivas registradas desde 1999, os homicídios voltaram a crescer 12% no trimestre passado no Estado de São Paulo - maior parque industrial e financeiro do Brasil - em relação ao mesmo período do ano anterior.

O aumento foi puxado principalmente pelas cidades da Região Metropolitana, que tiveram crescimento de 36%. A alta foi menor no interior (10%), enquanto a capital continua registrando queda nos assassinatos (-2,2%).

No Estado de São Paulo, a taxa de assassinatos até setembro é de 9,78 por 100 mil habitantes. Considerando os nove meses do ano, contudo, tanto o Estado de São Paulo (-5%) quanto a capital paulista (-18,9%) tiveram menos homicídios em comparação com o ano passado. Já a Grande São Paulo (3,3%) e o interior (0,4%) acumulam alta no ano.

A taxa de 9,78 assassinatos por 100 mil habitantes registrada até setembro no Estado continua abaixo do patamar considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como epidêmica. Na capital, houve até setembro 8,67 homicídios por 100 mil habitantes.

Análise por distritos. Quando se analisam os registros por delegacias, cujos dados que só foram liberados pela primeira vez neste ano, o 92.º Distrito Policial (Parque Santo Antônio, na zona leste) foi o que mais registrou homicídios nos primeiros nove meses de 2011.

Na sequência, vieram dois distritos da zona sul paulistana - o 37.º DP (Campo Limpo), com 32 casos, e o 47.º DP (Capão Redondo, que já foi recordista no País em homicídios), com 25.

Apenas três delegacias não registraram nenhum assassinato neste ano: 31.º DP (Vila Carrão) e 57.º DP (Parque da Mooca), na zona leste, e 99.º DP (Campo Grande), na zona sul.

Os resultados também foram decepcionantes nos casos de crimes contra o patrimônio. Nos últimos nove meses, o Estado registrou aumento de 4,4% nos casos de latrocínio. No último trimestre, no entanto, a tendência deste tipo de crime se inverteu e houve queda brusca de 30%.

Outros crimes que registram alta no ano no Estado são estupro (6,2%), roubo a banco (20,5%) e furtos (7,8%). Só tiveram queda o roubo de carga (-2,6) e os sequestros (-10,5%).

"Já havíamos detectado problemas de aumento de criminalidade principalmente na Grande São Paulo e problemas de efetivo. Por isso enviamos os últimos 300 policiais formados para trabalharem na região", explica o comandante da Polícia Militar, coronel Álvaro Batista Camilo.

Preocupação. Segundo o comandante-geral da PM, os crimes contra o patrimônio que mais preocupam são os roubos e furtos de veículos, que já acumulam altas de 13,11% e 6,2%, respectivamente.

Só na capital o avanço foi de 17% e 4,1%, respectivamente. Patrulhamento específico de trânsito e uso de motos têm sido a estratégia da polícia para tentar coibir esse tipo de crime.

Camilo ressalta que, apesar dos números desfavoráveis, a produtividade da polícia paulista continua em alta. O número de prisões subiu 12,29% nos primeiros nove meses do ano, chegando a 17.694 prisões. Também foram retiradas das ruas da Grande São Paulo 2.525 armas de fogo ilegais - 26 a mais que no mesmo período do ano passado.

Trânsito. Outro crime que também preocupa a polícia são os casos de homicídios culposos provocados por acidentes do trânsito. Em relação ao ano passado, cresceram 3,4% nos primeiros nove meses e provocaram a morte de 3.582 pessoas.

Lesões corporais por acidentes também aumentaram 4,1% e já chegam a 106.984 casos. Na capital, no entanto, os casos estão diminuindo e até setembro houve queda de 7,6% no total de mortes e de 0,8% nas lesões por acidentes.

"Ainda é difícil apontarmos as causas desse crescimento. O que identificamos é que tem havido cada vez mais festas de rua e dentro dos clubes com consumo elevado de álcool, como os pancadões até de madrugada. Pretendemos reforçar as blitze e chegar a março com redução de 10% nos casos", ressalta o comandante-geral.

ANTONIO CARLOS LACERDA é correspondente internacional do PRAVDA.RU


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