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Pesquisadores, agricultores e lideranças de movimentos defendem agroecologia

15.02.2015
 
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Pesquisadores, agricultores e lideranças de movimentos defendem agroecologia para produção mais sustentável e equilibrada em plenária no FSMBIO 2015

Por Susana Sarmiento - Portal Setor3 (Senac SP)

Produzir de forma sustentável, diversificar os alimentos, descentralizar a produção e o escoamento. Esses foram algumas questões mais citadas na Plenária FSMBIO 2015 Agroecologia, Segurança e Soberania Alimentar, na tarde de ontem (27 de janeiro) no Parque Municipal do Mindu, em Manaus (AM). 

Participaram desse encontro Silas Garcia A. de Sousa, da ABAAgroecologia e moderador do debate; Mauro Schorr, do Instituto Anima; Egydio Schwade, indigenista; Henrique dos Santos Pereira, da Universidade Federal do Amazonas; Valdely Kinupp, do Instituto Federal do Amazonas; Mirian Carvalho Oliveira, da Associação dos Produtores Orgânicos no Estado da Amazônia; Mari Lucinete N. de Lima, da Federação de Trabalhadores na Agricultura do Estado do Amazonas; Mário Ono, da Rede Maniua de Agroecologia (REMA).

A ideia desse encontro foi apresentar vários aspectos relacionados com a produção de alimentos, os desafios para o agricultor nos dias de hoje, a produção orgânica e sustentável, os atores da cadeia de produção de alimentos, a diversidade de sementes e as saídas para uma agroecologia e a segurança alimentar justa a todos.  

O primeiro a falar foi o professor Henrique dos Santos. O agrônomo trouxe uma apresentação resumindo cada um dos conceitos temas da plenária, mostrando desafios e obstáculos e saídas. Para contextualizar, o docente estimulou questionamentos, como: "todos temos acesso regular e permanente a alimentos de qualidade? E em quantidade que não comprometa a acesso de outras necessidades essenciais? E nossas práticas alimentares promovem nossa saúde e do ambiente?". 

Além dessas questões, o professor também ressaltou a importância dos cidadãos se perguntarem sobre origem dos alimentos, o processo de escolha deles e a reflexão dos impactos sociais, econômicos, ambientais e culturais. Ainda explicou o que é germoplasma, que é a base de produção de alimentos. 

Henrique levantou ainda desafios, como aumento populacional e diminuição das áreas de agricultura afetadas pelas mudanças climáticas; proteção dos cultivos e melhoramento genético. Também comentou sobre erosão genética e cultural dos agroecossistemas, substituição de variedades locais por variedade de base genética, uniformização de cultivos e sistema produtivos. Entre as ameaças, estão: agrotóxicos, privatização das sementes, organismos geneticamente modificados, uma tendência de centralização no fornecimento de alimentos, cultivos geneticamente modificados. As saídas são: valorizar os agricultores familiares, exigir direitos de propriedades coletivas de terras e de recursos naturais das comunidades extrativistas. Também citou um caso de proibição dos cultivos modificados que ocorre na Bahia desde 1989.

Já o agricultor Egydio compartilhou sua experiência de produção agrícola em seu quintal e com os indígenas. Hoje possui 31 espécies e seis tipos de abelhas. "Creio que com agroecologia iri incentivar quem pudesse sair das cidades para investir na produção agrícola", afirmou. Também questionou investimentos e ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário e defendeu a agricultura familiar. "A juventude precisa pensar em outras perspectivas. É importante ter esse questionamento com modelos novos, como este que está sendo incentivado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Precisamos pensar num modelo para nos trazer esperança".

Já Márcio Ono explicou a atuação da REMA e como esse grupo de agricultores contribui para produção sustentável de alimentos. Criada em 2011, atua em prol de um sistema participativo de garantia. Trata-se de um movimento de rede de cooperação e seus membros são fornecedores e colaboradores, que atuam no controle social e responsabilidade social.

As ações permanentes desse grupo são captação de recursos, oficinas de capacitação de formações e apoio para participação dos agricultores. Além do histórico, Márcio também apresentou as parcerias, ações e metas para os próximos anos.

Mauro, do Instituto Anima, trouxe alguns materiais que desenvolveu nos últimos anos durante seus trabalhos e pesquisas em agroecologia, além de suas experiências nos outros Estados por onde morou. Diferenciou os conceitos de agricultura biodinâmica, permacultura e agroecologia. 

"Depois de 30 anos, três filhos, observei que vivemos em uma sociedade de explorados e exploradores. E há aquelas pessoas que vivem no meio, que querem ser utopistas. Ainda não seguimos como noção. Sobra dinheiro e comida no mundo. Na minha opinião, tem que se mudar o consumo. Tem que ter a consciência do povo para uma cultura agrícola humilde", afirmou.

O representante do Instituto Anima sugeriu que os produtores pudessem ser mapeados digitalmente para qualquer consumidor localizar no mundo e a criação de bancos de sementes para intercâmbio entre diferentes produtores.

A agricultora Miriam Carvalho falou sobre o trabalho da APOAM, que reúne 19 produtores orgânicos e comercializam sua produção na feira de rua aos sábados em Manaus. Entre os desafios, ela citou: baixa produção e de apoio técnico, pouca divulgação da mídia e da importância dos produtores orgânicos, comercialização dos produtos e falta de um banco coletivo de sementes.

Já a representante de outro grupo de trabalhadores rurais ressaltou os inúmeros apelidos do papel do povo da Amazônia para preservar esse bioma. "Expulsam quem são defensores e não trabalham o processo para o desenvolvimento agrário", criticou. Também comentou sobre a situação de crise com a falta de alimentos na região do Rio Negro, em Manaus. 

Já o pesquisador Kinupp falou sobre sua publicação que reúne tipos de plantas. Conseguiu levantar 10 mil espécies de plantas comestíveis no Brasil e 1.300 receitas, além de 2.500 imagens. Também chamou atenção para o desperdício de alimentos no Brasil e falta de diversidade na preparação das refeições, baseadas ainda na cultura de países da Ásia e Europa. "Há um imperialismo gastronômico. As escolas não ensinam sobre frutas e vegetais, e falam sempre dos mesmos", sinalizou. Também compartilhou sua experiência na coleta de material orgânico para contribuir com adubo em sua horta. "Visite feiras e conheça produtos regionais e locais. Troque sementes e compre produtos diferentes. Quanto mais regional, menos agrotóxico", aconselhou.

 


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