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Quem roubou os dados sobre Tupi?

15.02.2008
 
Quem roubou os dados sobre Tupi?

Uma missão especial da Polícia Federal no Rio, em conexão direta com o comando da PF em Brasília investiga o furto de computadores que continham dados valiosos de Petrobras sobre as reservas de petróleo e gás encontradas recentemente na Bacia de Santos.

A estatal brasileira informou que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. Segundo fontes, o contêiner era transportado pela norte-americana Halliburton - a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.

São duas linhas de investigação: espionagem ou furto comum. Analistas apostam mais na primeira hipótese, por se tratar de uma prática considerada comum no setor. E avaliam que holofotes sobre o sumiço de dados estratégicos pode levar o governo a endurecer ainda mais a oferta de áreas exploratórias às multinacionais.


Segundo a Petrobras, o furto ocorreu no início deste mês e a investigação está sob sigilo. Na ocasião do crime, o caminhão da Halliburton se dirigia à Macaé (RJ), rumo à base de operações da estatal na Bacia de Campos, transportando equipamentos, quando ocorreu o furto dos dados, que estariam em um disco rígido e dois computadores portáteis.
A Petrobras disse que tem cópias dos dados.

O roubo ganha gravidade caso realmente seja confirmado que o contêiner tinha informações sobre Tupi. Devido à dimensão de suas reservas, o megacampo brasileiro mexe com o mercado há meses.

O geólogo Giuseppe Bacoccolli, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-funcionário da Petrobras, não descarta a hipótese de ter ocorrido crime de espionagem industrial no caso do furto dos dados relevantes da Petrobras, que está sendo investigado pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

 “Este tipo de espionagem é bastante comum no setor de petróleo, e agora que as reservas do Brasil começaram a ficar importantes, isso deve se popularizar por aqui também”, comentou, segundo o jornal O Povo.


Bacoccolli contou que fora do País é comum encontrar em revistas especializadas ofertas de dados geológicos não oficiais sobre áreas potenciais de petróleo. Esses relatórios custam no mercado entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão. “Estes dados podem ter sido obtidos de maneira lícita ou ilícita. Como é que vai se saber?”, disse.

Mesmo no Brasil, o professor, que já trabalhou por 24 anos na Petrobras, disse ter ocorrido outros casos semelhantes, mas em pequena escala. “Já houve caso de funcionário ser demitido por ter sido pego copiando dados para outra empresa”, diz. Para ele, é pequena a chance de o responsável pelo furto ter sido uma grande companhia de petróleo. “Mais fácil ser uma dessas empresas especializadas em espionagem”, escreve o jornal O Povo Online.


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