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Ciência mundial perde o José Leite Lopes

14.06.2006
 
Ciência mundial perde o José Leite Lopes

  Uma das principais figuras da ciência no Brasil o físico José Leite Lopes morreu. Lopes tinha 87 anos. Em 1958, o físico estabeleceu a equação que mostrava a semelhança entre duas das forças fundamentais do universo, a nuclear fraca e o eletromagnetismo.

Foi com base nesse trabalho que os cientistas Steve Weinberg, Sheldon Glashow e Abdus Salam desenvolveram a unificação entre essas forças, trabalho que rendeu aos três o Prêmio Nobel de Física de 1979.

Leite Lopes foi fundador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), do Instituto de Física da Universidade do Rio de Janeiro e primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Física. Em nota sobre o falecimento, o CBPF diz que “além de cientista, o professor Leite Lopes era também um humanista excepcional” e que “ o exemplo que ele nos deixa, como cientista, professor e humanista, será uma semente que frutificará saudavelmente no espírito de jovens cientistas brasileiros”.

Além da atuação científica marcante, Leite Lopes se destacou como homem de política científica e como professor. A sua participação ativa na criação do CBPF foi fundamental para o desenvolvimento da Ciência Pura e da Ciência Aplicada no Brasil. Também desenvolveu teses com o objetivo de colocar o país entre os principais nomes da ciência.
 
Não só, como apontaram os colegas, por suas pioneiras contribuições na física e por sua participação determinante na estruturação de um sistema de ciência e tecnologia do país, mas também por sua luta política contra o regime militar — o que acabou levando-o ao exílio.

— Ele é um dos ícones da ciência brasileira nos últimos 50 anos — afirmou o presidente do CBPF, Ricardo Galvão. — Sobretudo no estabelecimento de uma cultura científica no país.

O secretário do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luis Fernandes, faz coro:

— Ele consolidou a visão de que a pesquisa deveria estar no coração da atividade científica no país.

Galvão destacou ainda o caráter humanista de Leite Lopes que, segundo ele, era um dos últimos representantes de um tipo de cientista cada vez mais raro hoje em dia, em que a especialização reina absoluta.

— Ele sempre teve uma preocupação muito forte com a desigualdade social no Brasil. Ele falava sempre comigo sobre a dificuldade do acesso das classes mais pobres à ciência. Ele achava que isso era absolutamente necessário ao país — disse Galvão. — E era um homem de cultura ampla, que pintava, gostava muito de música.

O físico Luis Pinguelli Rosa, coordenador do Programa de Planejamento energético da Coppe e ex-aluno de Leite Lopes, destacou a contribuição do físico para a ciência nacional e internacional.

— Ele foi pioneiro na proposta de unificação das forças nucleares fracas com as forças eletromagnéticas, uma solução até hoje consensual na física.

O trabalho mais importante de Leite Lopes para a Física, ao qual se refere Pinguelli, data de 1958. Ele propôs, pela primeira vez, a existência de uma terceira partícula componente da chamada força fraca (uma das duas forças que atuam no interior do núcleo atômico).

De acordo com Leite Lopes, além das partículas W+ e W-, atuaria ainda a partícula Z0 — sem carga elétrica. A existência dessa terceira partícula acabou sendo confirmada cerca de duas décadas mais tarde, contribuindo para a maior compreensão de diversos tipos de radioatividade.

Leite Lopes passou mal pouco antes do Natal e foi internado no Hospital Samaritano, no Rio. Ao  ser submetido a uma endoscopia, ele entrou em coma e foi transferido para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital. Morreu aos 87 anos.


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