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Jacarezinho: Execuções

14.01.2008
 
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Um dos rapazes baleados (aparentemente Fábio) pediu ajuda na casa de Helena, e logo tentou fugir sangrando pelo beco que dá acesso à casa invadida pelos policiais (há muitas marcas de sangue nas escadas do beco), mas foi perseguido pelos policiais e executado. O outro rapaz (possivelmente Denis), também baleado, estava caído gritando "perdi, perdi, estou puro!", mas os policiais o chutaram no peito e o executaram ali mesmo.


Quando viu os tiros atingirem a porta de sua casa, Helena e mais quem estava ali correram para se abrigar na cozinha, mas ela ouviu os gritos do neto na escadaria e logo depois conseguiu vê-lo, através da janela, desmaiado e sangrando. Débora, ainda com Daniel no colo, tentava arrastar Wesley baleado para a casa da avó, quando apareceram os policiais, que não socorreram nem demonstraram nenhum interesse no drama da mãe e do menino. Só estavam interessados em acabar de executar e remover os corpos de Fábio e Denis.

Finalmente Débora foi socorrida por uma amiga, que ficou com Daniel, e por um pastor amigo seu, que os levou ao Hospital Salgado Filho, mas Wesley não resistiu.


Mesmo que os dois rapazes baleados tivessem trocado tiros (o que não aconteceu segundo todas as testemunhas ouvidas), a posição em que estavam eles, Débora e seus filhos (abaixo) e os policiais (acima), torna muito provável que as balas que atingiram Wesley tenham partido dos policiais. Há muitas marcas de bala na calçada por onde passam quem sai da escadaria subindo, bem como ainda eram bastante visíveis as manchas de sangue no mesmo ponto na sexta pela manhã.


Claro que os policiais não devem ter alvejado Wesley propositalmente, mas da laje em que eles estavam pode-se ver todo o trecho da rua e a parte superior da escadaria, portanto é impossível que não tenham notado a presença de Débora, das crianças e de outras pessoas próximo do ponto em que estavam os rapazes.


Como em muitos outros casos que já vimos em ações policiais em favelas, provavelmente ali os policiais dispararam contra seus alvos (os dois rapazes) sem se importar com a presença de outras pessoas na linha de tiro. No caso, há o agravante de que tratava-se de uma emboscada óbvia, e a iniciativa de tiro com certeza era dos policiais.

Débora, ainda com Daniel no colo, tentava arrastar Wesley baleado para a casa da avó, quando apareceram os policiais, que não socorreram nem demonstraram nenhum interesse no drama da mãe e do menino. Só estavam interessados em acabar de executar e remover os corpos de Fábio e Denis. Finalmente Débora foi socorrida por uma amiga, que ficou com Daniel, e por um pastor amigo seu, que os levou ao Hospital Salgado Filho, mas Wesley não resistiu.

A ação policial no Jacarezinho na quinta-feira (10/1) tem indícios mais que suficientes de execução sumária, violação de domicílio, tortura e desprezo por pessoas não envolvidas na linha de tiro. A responsabilidade pelas violações e crimes cometidos cabe não só aos policiais envolvidos diretamente nos incidentes, mas também aos oficiais que comandaram a ação, inclusive o comandante do 3 BPM.


Vejam as fotos no site da Rede ou no Centro de Mídia Independente .


Em agosto de 2007, a PM já havia executado uma mãe de 26 anos e um bebê também de 3 anos. Elizângela Ramos da Silva era manicure e foi atingida na cabeça. Em julho do mesmo ano, Leandro Silva Davi, de 16 anos, foi assassinado quando preparava o café da manhã dentro da cozinha da sua casa. A bala que o matou atravessou a janela da residência que dá para a Praça da Concórdia de onde partiam os tiros da operação policial. O jovem treinava futebol no São Cristóvão e era estudante. O tiro atingiu a região do coração. À época os moradores foram humilhados ao tentar socorrer as vítimas ( leia aqui ).


Em junho de 2007 a comunidade do Jacarezinho já havia organizado manifestação contra as violentas operações policiais (do 3o e 22o BPM) na favela, que até então já havia causado 8 mortes (todas execuções sumárias, segundo testemunhas). Participaram da manifestação a Associação de Moradores do Jacarezinho, Centro Cultural, Escola de Samba, Celula Urbana do Jacarezinho, ONGs, Igrejas, comerciantes locais e outras organizações, que realizaram uma marcha para protestar contra a ação violenta que a polícia tem feito no Jacarezinho.

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