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Vôo 1907: Primeiro erro fatal foi cometido ainda em São José

13.12.2006
 
Vôo 1907: Primeiro erro fatal foi cometido ainda em São José

A Polícia Federal, deve entregar um relatório à Justiça Federal nesta quarta-feira sobre as investigações do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, no dia 29 de setembro, em Mato Grosso. Segundo Agência Estado o delegado da PF, Ramon Almeida da Silva, deve deve pedir a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito.

De acordo com Estado, o relatório atribuirá maior cota de responsabilidade pelo acidente aos sucessivos erros cometidos pelas torres de controle do tráfego aéreo de Brasília e de São José dos Campos, de onde partiu o jato, rumo aos Estados Unidos.


 Conforme as investigações, pelo menos três controladores já estão com indícios de culpa caracterizados. Os casos mais graves são os dos controladores Jomarcelo Fernandes dos Santos e Lucivando Tibúrcio de Alencar, de Brasília.

Jomarcelo não notou que o jato sobrevoava Brasília a 37 mil pés e passou para o colega Tibúrcio, na troca de turno, a informação incorreta de que o jato estava a 36 mil pés. Este demorou a perceber o erro e deixou de adotar procedimentos de praxe para evitar o choque.


O primeiro erro fatal foi cometido ainda em São José, quando o controlador Felipe Santos dos Reis passou aos pilotos do Legacy a instrução imprecisa de que o jato deveria voar a 37 mil pés no trecho São José dos Campos/Eduardo Gomes (aeroporto de Manuas).


A instrução foi interpretada possivelmente como uma ordem para que o jato permanecesse nessa altitude até Manaus. O problema é que Reis recebeu essa instrução de voar a 37 mil pés em todo o percurso do Cindacta-1. A PF tem dúvida se a culpa cabe ao controlador do centro, cujo nome não foi revelado, ou a Reis, ou aos dois.

 Os diálogos gravados pela caixa-preta do jato Legacy mostram que a conduta dos pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Palladino foi responsável pela colisão com o avião da Gol. Os pilotos foram indiciados pela PF por homicídio culposo (sem intenção de matar), na sexta-feira, 8, mas com seus passaportes liberados, seguiram para os Estados Unidos.


O relatório parcial da PF deve mostrar também que os pilotos agiram com imperícia, conforme mostram trechos dos diálogos travados antes e depois do acidente, que resultou na morte de 154 pessoas. Lepore e Paladino teriam percebido o desligamento do transponder (equipamento que permite comunicação precisa com radares), por exemplo, somente após o choque. A transcrição da caixa-preta é mantida em sigilo pela PF.

Para indiciar os pilotos, o delegado elencou, em seu despacho, 23 argumentos. Responsável pelo inquérito que apura a conduta específica dos pilotos, Almeida não descarta a possibilidade de outros indiciamentos.



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