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Brasil: Quem manda na Economia?

13.11.2006
 
Brasil: Quem manda na Economia?

Por Décio Batista Pizzato*

Encerrado o segundo turno, saíram arautos proclamando que haverá crescimento nos próximos quatro anos de mandato. Alvíssaras como esta a nação por muitos anos aguarda ansiosamente. O primeiro anúncio foi a atabalhoada afirmação que a Era Palocci estava encerrada. Rapidamente desmentida pelo reeleito presidente Luís Inácio Lula da Silva, que afirmou: "quem manda na economia sou eu". Como não bastasse fez questão de dizer que vai fazer muito mais em seu segundo mandato. Afirmou que a inflação está controlada o que permitirá o país crescer e há estabilidade política. Perfeito!

Não foi só isso, disse que os grandes projetos para o país já estão delineados e que o governo vai buscar seus parceiros na iniciativa privada. Ora, para isso acontecer, o primeiro passo a ser dado é haver poupança interna para financiar, e estabelecer regras claras para as Parcerias Público-Privadas. Significando que toda a regulação dos contratos deve ser estabelecida antes de serem iniciados os investimentos, para não criar percalços posteriores.

É mais do que sabido que a infra-estrutura brasileira está sucateada e que o setor energético poderá sofrer revezes em dois ou três anos. Embora hajam desmentidos veementes feitos pelos atuais responsáveis pela área. Mesmo com afirmações positivas feitas pelo presidente e pela ministra Chefe da Casa Civil, algumas dúvidas ainda ficam no ar.

As estatais brasileiras continuam colocando recursos no exterior, como é o caso do BNDES que financia o Metrô de Caracas. A Petrobrás por pressão do governo acabou cedendo e assinou uma repactuação contratual com a Bolívia, cujos termos não vieram a publico. O país andino é sabidamente como politicamente instável. Setores do governo querem a manutenção dos contratos com a Bolívia, enquanto segmentos mais técnicos da Petrobrás acreditam que deveriam aumentar os esforços da empresa na extração de gás do litoral brasileiro. A autonomia viria a partir de 2010 dando ao Brasil uma posição tranqüila em relação ao vizinho país.

Esse caminho para o exterior também é seguido pelas empresas brasileiras. Nos últimos cinco anos foram investidos no exterior US$ 41 bilhões. Pela primeira vez na história do país os investimentos brasileiros em 2006 no exterior serão maiores do que os recebidos. Serão investidos US$ 26 bilhões no exterior enquanto deverão ser internalizados US$ 15,5 bilhões. Significa que há mais atratividade externa do que interna, são empresas brasileiras públicas e privadas garantindo e gerando empregos no exterior.

Para fazer o país crescer o presidente terá também que fazer reduções nos gastos aplicando um forte arrocho, enxugando a estrutura que foi inflada em seu primeiro mandato. Aumentos e recuperações salariais no funcionalismo se acompanharem a inflação deverão ser considerados como dádivas, se acontecerem e o mesmo vale para a previdência social. Como isso vai repercutir nos futuros aliados capitaneados pelo PMDB, o desenrolar dos fatos é que dirá.

“No artigo postado nesta coluna em 29/09/2006 "Tudo o que sobe cai" consta em seu final o seguinte trecho" A liquidez internacional, pela diminuição dos preços do petróleo tende a ficar menor, o que poderá ser visto de forma mais clara a partir de 2007. Aqui no Brasil a atração para investimentos em infra-estrutura e em mercado de capitais poderá ficar mais estreita".
As grandes empresas já estão se antecipando à diminuição da liquidez internacional. Aqui no Brasil o Grupo Gerdau anunciou uma operação financeira no montante de US$ 400 milhões, chamada de Sênior Liquidity Facility. Como se fosse uma espécie de cheque especial, que pode ser sacado quando houver necessidade. Essa operação garantirá ao Grupo pelo período de três anos uma barreira contra "stress" do mercado financeiro internacional. Como pode ser visto os sinais de diminuição da liquidez internacional já estão sendo dados.

As dificuldades para o crescimento não estão apenas aqui no país, e vão muito além da afirmação de mandar na economia.

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*Economista, articulista do Jornal do Comércio (Porto Alegre) desde 1995. Faz palestras sobre economia contemporânea para cursos de graduação e pós-graduação (RS). Atua como consultor de cenários de econômia contemporânea brasileira. Décio Pizzato, escreve nesta coluna quinzenalmente às sextas-feiras.

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