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Opinião: Instituições em crise

12.11.2007
 
Opinião: Instituições em crise

 

*Murilo Badaró – Presidente da Academia Mineira de Letras

Há em todos nós sincero desejo de que tudo corra bem para o país e o seu povo. Quando as manifestações oposicionistas tornam-se mais acesas, pela discordância com rumos e caminhos que governantes desprevenidos conduzem a nação, no íntimo de cada um permanece intacto o desejo de que as coisas caminhem para o leito da normalidade.

Enfim, dos desastres ninguém escapará. Por mais estejamos jogando neste time de torcedores do Brasil, somos obrigados a admitir ser bastante séria e preocupante a crise que assola as instituições, tanto as públicas quanto as privadas. O episódio que envolveu uma família em Brasília, quando dois irmãos se conluiaram para assassinar o irmão caçula, com a disformidade moral de serem amantes, revela claramente a decadência da instituição familiar entre nós.

Poder-se-á alegar que é um caso isolado, quando, em verdade, a perda de estrutura da confraria doméstica pode ser comprovada pela repetição de casos assemelhados, como, por exemplo, a prisão de vários rapazes e moças pertencentes à denominada classe média, todos envolvidos com o tráfico de drogas e entorpecentes.

Será que seus pais não notaram anormalidade no fato dos filhos permanecerem todo o dia ligados ao telefone ou ao computador, sem qualquer trabalho que assegurasse a eles o padrão de vida que ostentavam? É que também eles perderam a noção do sentido e do significado da família, vivendo uma gravíssima crise existencial, que começa com o abandono da crença em Deus e nos valores da religião, seja ela qual for.

Mães abandonam filhos que nascem, premidas pelo fantasma da fome e da pobreza, eis alguns sintomas deste mal que assola a instituição familiar, básica em qualquer sociedade, viva ela sob que regime for. Outra entidade em crise é a escola, padecendo das dificuldades decorrentes da falta de recursos, de salários justos para professores e de mestres capacitados para o exercício da nobre e espinhosa missão de ensinar.

Os erros na área educacional começam no ensino fundamental, também na escola pública não muito diferentes da escola privada, todas chafurdadas na vastíssima extensão do pântano moral que cobre todo o corpo social. Pessimista? Não, uma visão realista do quadro dantesco que vive o Brasil, enquanto bancos e instituições financeiras atiram no rosto da população, pobre e remediada, os números de seus lucros fantásticos. No meio de tudo isto, a pasmaceira da sociedade, incapaz de se irresignar e reagir contra tal estado de coisas. Os partidos políticos, instituições basilares do regime democrático, transformaram-se em balcões de negócios, sem doutrina ou programa, cada dias mais sensíveis aos acenos fisiológicos do governo, inclusive aqueles designados pelo povo nas eleições para oferecerem oposição aos governantes do dia.

Outro tema delicado para fazer sua abordagem sem praticar injustiças ou excessos: a igreja, igualmente, padece de preocupante desajuste, a partir do instante em que jogou por terra sua autoridade ao imiscuir-se na política. Todas elas, de todas as crenças e de todos os deuses, cujos ouvidos tornaram-se sensíveis apenas ao tilintar de moedas em desfavor das orações e dos sentimentos mais nobres.

Quando as igrejas permitiram fossem seus púlpitos transformados em palanques de comícios, foram abandonadas pelos fiéis que nelas buscavam tão somente paz e refrigério para seus corações. Restam no Brasil as instituições militares, as únicas que ainda se mostram resistentes à avassaladora decadência moral do país, reconhecidas pela opinião pública, em recente pesquisa, como as únicas merecedoras da confiança total do povo brasileiro.

Lamentavelmente, as Forças Armadas estão pagando pesado tributo à desorganização administrativa. O retrato da situação do Exército, por exemplo, com seu equipamento totalmente obsoleto, em condição de verdadeira sucata, sem fardamento, sem armas e munição, aponta-o como incapaz de manter-se como força dissuasória em momentos delicados, que esperamos não surjam. Pela mesma forma, as outras forças da Marinha e da Aeronáutica. Com todas suas instituições fundamentais em crise, fica difícil para o Brasil superar os óbices que se opõem ao seu completo desenvolvimento. Praza aos céus, possamos debelá-los.

murilobadaro.blogspot.com


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