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A dimensão territorial do desenvolvimento

11.10.2006
 
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A dimensão territorial do desenvolvimento

Vice-Presidente da COFECON discursa na abertura do Congresso da Ange 2006

Precisamos continuar apoiando todos os Programas de Pós-Graduação em Economia no País, responsáveis que são por importantes pesquisas realizadas, e que fortalecem a graduação, ao mesmo tempo em que contribuem para com a sociedade brasileira.

"Precisamos continuar apoiando todos os Programas de Pós-Graduação em Economia no País, responsáveis que são por importantes pesquisas realizadas, e que fortalecem a graduação, ao mesmo tempo em que contribuem para com a sociedade brasileira.

E, nesse aspecto, cabe destacar a preocupação manifestada pela nossa categoria com a Amazônia, o Meio-Ambiente, a Infra-Estrutura, a Saúde, a Educação, a Habitação, o Emprego e a Cidadania, na Carta dos Economistas da Amazônia e no Projeto Brasil .", destacou o vice-presidente do Conselho Federal de Economia, durante discurso de Abertura do XXI Congresso da ANGE na Universidade Católica de Petrópolis (foto).

A Dimensão Territorial do Desenvolvimento

Na Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE) foi criada uma "divisão de desenvolvimento territorial", em 1994, cujo primeiro trabalho consistiu numa nova delimitação das fronteiras entre rural e urbano e na elaboração de indicadores que permitam compreender as disparidades entre diferentes situações territoriais. "Uma visão territorial do desenvolvimento pode revelar potenciais que, até hoje, o meio rural não revelou à sociedade. Um território representa uma trama de relações com raízes históricas, configurações políticas e identidades que desempenham um papel ainda pouco conhecido no próprio desenvolvimento econômico", afirma em seu artigo o economista Ricardo Abramoy, chefe do Departamento de Economia da USP.

A idéia central é que o território, mais que simples base física para as relações entre indivíduos e empresas, possui um tecido social, uma organização complexa feita por laços que vão muito além de seus atributos naturais e dos custos de transportes e de comunicações. Um território representa uma trama de relações com raízes históricas, configurações políticas e identidades que desempenham um papel ainda pouco conhecido no próprio desenvolvimento econômico . A economia tem prestado bastante atenção aos aspectos temporais (ciclos econômicos) e setoriais (complexos agroindustriais, por exemplo) do desenvolvimento, mas é recente o interesse por sua dimensão territorial ou espacial (von Meyer, 1998).

A dimensão territorial do desenvolvimento vem despertando cada vez mais o interesse dos cientistas sociais. Na Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE) foi criada em 1994 uma "divisão de desenvolvimento territorial" cujo primeiro trabalho consistiu numa nova delimitação das fronteiras entre rural e urbano e na elaboração de indicadores que permitam compreender as disparidades entre diferentes situações territoriais (OCDE, 1994). Vem da Itália o programa de pesquisa mais influente com relação à dimensão territorial do desenvolvimento. Com efeito, já no final dos anos 1970 economistas italianos chamam a atenção para a noção marshalliana de distrito industrial - que ficou, para os economistas, no esquecimento, durante décadas - e discutem a competitividade das empresas e os processos de inovação à luz de conceitos como "redes", "meios inovadores" e "efeitos de proximidades" (Pecqueur, 1995:2). Arnaldo Bagnasco e Carlo Triglia publicam em 1988 um estudo cujo título diz muito sobre a ambição deste programa: "A construção social do mercado: o desafio da terceira Itália". Os mercados - o mesmo se aplica aos territórios - não são entidades dadas de uma vez por todas por qualquer tipo de mão mágica ou de dotação natural. Eles são o resultado de formas específicas de interação social, da capacidade dos indivíduos, das empresas e das organizações locais em promover ligações dinâmicas, capazes de valorizar seus conhecimentos, suas tradições e a confiança que foram capazes, historicamente, de construir (7).

"Industrialização difusa" e "Terceira Itália": estes termos já extrapolam seu país de origem e representam um conjunto variado de experiências de desenvolvimento que se caracterizam por três traços básicos.

Existência, num certo território, de um conjunto diversificado - mas ao mesmo tempo com um forte grau de interação - de empresas de porte familiar, isto é, onde a gestão, a propriedade e o essencial do trabalho vêm da família.

Ambiente de inovações e de troca de informações entre indivíduos e empresas, onde a colaboração é, no mínimo tão importante quanto a própria concorrência.

Integração entre empresas e indivíduos urbanos e rurais: na Itália em particular a tradição de agricultura familiar formou uma base de conhecimentos e de iniciativas fundamental para a formação de um espírito empresarial que explica a modalidade de industrialização hoje marcante em quase 40% do território italiano e que atinge várias outras regiões do mundo (8).

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