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Onda de suicídios nos presídios esconde ação do esquadrão da morte

11.02.2009
 
Onda de suicídios nos presídios esconde ação do esquadrão da morte

Ródio Nogueira

A série de suicídios no sistema prisional alagoana pode está escondendo a participação do esquadrão da morte dentro das penitenciárias do Estado. Esquadrão este que conta com a participação de agentes para matar os detentos e depois passar para as famílias que depressivos, os apenados acabam se matando por não suportar a solidão e o sistema que é cruel e demolidor. A versão é idiota, infantil e não convence a sociedade. “Já sabemos que não são casos de suicídios. Precisamos conhecer os autores”, a afirmação é do promotor de justiça, Idelzito Andrade.

Em janeiro deste ano, foram achados mortos em sua celas José Militão, David Cerqueira Vieira, Alberto Léo Lima, Edmilson José da Silva e Luiz Carlos da Silva todos com sinais de estrangulamento e torturas, conforme denúncias feitas pelos seus parentes a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos de OAB em Alagoas. No entanto, a direção dos presídios se apressou em falar em suicídios.

O Centro de Perícias Forenses (CPFOR) afirma que a Intendência do Sistema Penitenciário não tem nenhuma informação técnica para afirmar que cincos presos se suicidaram este ano. "Achei estranho alguém concluir que foi suicídio. São respostas precipitadas de pessoas que estão extrapolando sua funções", a afirmação é da diretora do CPFOR, - Ana Márcia Nunes que acompanha o caso pessoalmente.

Dias depois de sustentar a versão de suicídios, o intendente penitenciário Luiz Bulgarin, mudou de opinião, ao deixar a sede do 10º Distrito Policial, onde foi interrogado sobre a onda de estranhas mortes nos presidios. Luiz Bulgarin, ponderou explicando que não pode tratar o caso como sendo suicídio ou homicídio.

Intendente diz que presos participam de revistas

Luiz Bulgarin, mesmo sabendo que no sistema existem facções que brigam pelo poder do tráfico e venda de armas, disse solenemente que é comum a participação de presos nas operações e revistas nas cadeias. No entendimento de Bulgarin, os detentos participam de forma voluntária. E que há outros detentos que fazem o mesmo serviço para ajudar a tranquilidade do sistema.

Luiz Bulgarin, que é tenente-coronel da Polícia Militar de Alagoas, sabe perfeitamente que delação na cadeia é morte certa. E como permite que sentenciados entrem nas celas para apreender maconha, dinheiro e armas e depois circular livremente como se nada tivesse acontecido. Talvez a razão de algumas mortes deve ter relação com este tipo de “serviço” prestado por alguns apenados. Tem detento que chega a usar o fardamento do temido Grupo de Operações Especiais (GOE).

A viúva do preso José Militão, que temendo represália pede para não ter o nome revelado, disse que bateram, furaram e depois enforcaram seu marido. Ela relata que fez as fotos dele para provar que ele foi torturado. Esta denúncia foi tomada pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos que vai encaminhar com outras para o delegado Ayres Ponciano que investiga a onda de suicídios nas prisões alagoanas.

Gilberto Irineu disse que o que ocorre no sistema prisional é preocupante e é preciso que a polícia dê uma resposta as dúvidas entre suicidio ou assassinato de presos. O delegado que preside o inquérito vai solicitar os laudos a fim de analisar e se manifestar a respeito do que está acontecendo. Os familiares dos cinco detentos acreditam em assassinato.


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