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MBL e "Esquerda": Diálogo de Surdos sobre Cotas Raciais nas Universidades

10.11.2017
 
MBL e

MBL e "Esquerda": Diálogo de Surdos sobre Cotas Raciais nas Universidades

Comentamos no último dia 8 em Pravda Brasil a sucessão de rotundos "vareios" que a "esquerda" brasileira anda levando da liderança do Movimento Brasil Livre (MBL) há três anos, desde que este foi criado, e mais especificamente daquele japinha que, de maneira que até hoje ele mesmo não consegue explicar, fundou e mantém o tal agrupamento de direita. 

Edu Montesanti

 

Neste sentido, embora não seja o assunto central do texto vale apontar que existem evidências incontestes de financiamento externo do MBL, mais precisamente de bilionários dos Estados Unidos; pois será mera coincidência que o grupelho de péssimo nível intelectual, que se utiliza de técnicas de manipulação das informações e de repetição centenar de mentiras, bem ao estilo nazista (uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade), defenda privatização irrestrita e que o atual desmonte do Estado brasileira, que inclui a Petrobras, esteja favorecendo amplamente o alto empresariado norte-americano? 

Será, igualmente, uma grande coincidência que diante dos escândalos envolvendo Michel Temer, informante da CIA no Brasil segundo cabos secretos liberados por WikiLeaks em 2016, o MBL não demonstre nem de longe a mesma indignação em comparação ao que faz com o PT, e à "esquerda" e à esquerda (sem aspas) brasileira em geral?

Conforme abordado no artigo anterior, a tragicômica "sova" que não tem servido como motivo de reflexão à "esquerda" - que se limita a manifestar expressões fisionômicas de "quadril lavado" (para não dizer outra coisa, evidentemente) do início ao fim dos "debates" -, deve-se à desoxigenação de um espectro político absolutamente engessado, despreparado, sectário, divorciado da sociedade, limitado aos discursos esquizofrênicos, isto é, consigo mesmo e, inclusive dentro da esfera de "esquerda" caricata deste País, em enorme medida muito mais defensor de "determinado" partido e de "determinada" pessoa (tida como insubstituível = personalismo, o que também evidencia, na clamorosa ausência de produzir líderes em quase duas décadas, atolamento político, intelectual e moral no tempo) que de ideias e projetos.

Em um desses "debates" em que se anda em entendiantes círculos e não se acaba discutindo absolutamente nada, apenas evidenciando o nível sofrível deste País falido, foi abordada a questão das cotas raciais nas universidades brasileiras. Novamente, o "debate" acabou travado pelo compromisso militante com os "erros" do PT de um lado, e de outro o japa até usando argumentos corretos - especialmente ao apontar contradições e obras pela metade que abundaram no lulopetismo - para concluir indicando uma saída completamente equivocada à questão.

À indagação (correta) de determinado militante petista da exclusão histórica e atual de negros na sociedade brasileira, daí a necessidade urgente de se implantar medidas - que deveriam ser paliativas - como as cotas raciais, eis que a liderança do MBL responde, novamente, com uma grande distorção, mais uma dentre as inúmeras demagogias petistas para deixar a "esquerda" comaquela "cara de quadril", sem ter nada a dizer e não por uma grande engenharia intelectual dos pimpolhos do MBL, pois eles não possuem tal capacidade, mas exatamente pelos agravantes à "esquerda" esboçados acima, e mais: que passaram décadas achando-se (no saudável linguajar vegetariano) o último pé de alface da geladeira, os supra-sumo da sociedade, última palavra em assuntos políticos, econômicos e sociais esnobando a tudo e a todos, inclusive em seus próprios círculos, tornando-os insuportáveis (e quem já frequentou, por um mês que tenha sido, algum partido de "esquerda" deste País, sabe do que este autor está falando).

Equivocando-se na conclusão a resposta do japinha, em parte, foi nada menos o que este autor diz e escreve desde os idos de 2010: não se pode abandonar, como o PT fez, o ensino fundamental imaginando (ou desejando no caso do PT, a fim de manter clientes, os afamados currais eleitorais ao invés de formar cidadãos na acepção do termo, livres, iguais, dotados de consciência política) que as cotas serão eternas: há que se resolver a questão do atraso societário histórico. E as cotas, se aliviam a dívida com etnias histporicamente oprimididas, não resolvem por si só.

E isso não apenas oferecendo escolas públicas de qualidade, como também - o que o líder de mentalidade elitista do MBL não abordou, evidentemente, mas retrata a apenas visão deste autor - resolvendo problemas de discriminação estruturais em nossa sociedade, a começar pelas relações de poder o que o PT, jamais, sequer esboçou fazer, muito pelo contrário: acirrou o quadro e aí repete a dose em sua - ilegal - campanha presidencial fora de época, formando promíscuas alianças com golpistas e megaprocessados, os piores oligarcas e coroneis deste país evidenciando que tende a piorar se alcançar seu exclusivo e declarado projeto de país, a saber: angariar votos e retomar o poder.

O lado completamente equivocado a que se sai o MBL dá-se afirmando que é necessário eliminar as cotas: não! Elas devem existir, contudo temporariamente até que se crie oportunidades iguais para todos, o que denota uma cultura de igualdade de direitos, indo além de escolas de qualidade às classes menos favorecidas - sequer isso, o princípio o PT fez, em quase uma década e meia no poder. 

Antecipemo-nos, pois, às mentalidades mais sectárias: diante das lideranças de direita, de nada adianta nossa "esquerda" alegar que "pelo menos alguma coisa fizemos, será que somos piores que vocês?", e raciocínio que por aí passa... Estão colecionandoondas de lama sobre o cucuruto com esse discurso. 

Mas o bloqueio mental, a cegueira decorrente do fanatismo e da patologia do poder é tal, que muitos ainda não se aperceberam disso; não cabe mais o discurso do menos ruim ou das políticas pela metade, não convence a tentativa de o PT, hoje, tentar provar ser igual aos outros enquanto, no passado, garantia ser o partido da moralidade e da ética.

A questão de como superar os problemas estruturais da discriminação fortemente enraizados em nossa sociedade, será abordada proximamente em Pravda Brasil bem como as "políticas" do PT "equivocadas" em relação às minorias, especialmente povos originários contra quem o dilmismo e o lulopetismo foram os mais crueis desde a dita "redemocratização" do País (segundo relatórios oficiais, e isso tudo será exposto particularmente agora, em tempos que Luiz Inácio, fora de época contrariando a lei, faz campanha presidencial Brasil afora com direito a hipócritas abraços exatamente nos povos originários, como se deles fosse o "padrinho político": demagogia é sua marca registrada, o cinismo está no DNA da cúpula petista).

Posto isso, que se conclua mais este comentário afirmando o óbvio: a ascensão de um grupo de péssimo gosto como o MBL e outros do mesmo espectro deve-se à ignorância e inércia, a todas as mesquinharias, politicagens e antivirtudes de uma "esquerda" esclerosada, que às próprias virtudes dos movimentos de direita. 

As expressões de "quadril" de nossa outrora tão altiva "esquerda", diante de cujos semblantes não se sabe se ri ou se chora, dizem mais que mil palavras nestes tempos sombrios que andam revelando muita baixeza e podridão no Brasil - nada novas, porém muitos se recusaram historicamente a enxergá-las, e continuam, mesmo neste preocupante momento de incertezas, recusando-se a fazer a urgente autocrítica em nome de "prioridade é ganhar a eleição", nas palavras da própria presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann que, ao assumir o posto em abril deste ano, disse não ser este o momento de autocrítica com vistas exatamente às eleições, "não podemos dar armas ao inimigo [através da autocrítica]", disse a senadora petista pelo Estado do Paraná. 

A história, que costuma se repetir como farsa ou como tragédia, poderia ensinar neste momento mas a díspar arrogância e os ferozes interesses político-partidários - sempre eles! - têm falado bem mais alto, escancarando as velhas e envelhecidas alas ao festival tragicômico sem fim deste País, que parece irregenerável.

 


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