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Dados de candidatos à Presidencia não batem com realidade

10.10.2006
 
Dados de candidatos à Presidencia não batem com realidade

Anteontem no Brasíl foi realizado o primeiro debate do segundo turno entre os dois candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. Ambos escorregaram nos números e falsearam algumas comparações. Em boa parte das vezes, a omissão é o subterfúgio usado para ressaltar o que favorece o candidato e esconder o que lhe prejudica. A revelação foi feita pela Agência Estado.

O petista Luiz Inácio Lula da Silva chegou a desafiar o tucano Geraldo Alckmin a comparar os investimentos em saneamento realizados nos oito anos do governo FHC (1995-2002) com os quase quatro anos de administração petista. "Nenhum governo investiu tanto em saneamento básico como o nosso. Foram R$ 10 bilhões nesses quatro anos. São 14 vezes mais dinheiro disponibilizado", disse Lula. Na realidade, o governo anterior destinou - pelo mesmo critério - R$ 13,5 bilhões para a área de saneamento, de acordo com o Ministério das Cidades e pela Secretaria do Tesouro Nacional.

Além disso, tanto os R$ 10 bilhões do governo Lula quanto os R$ 13,5 bilhões de FHC não correspondem ao efetivo desembolso de recursos para as obras de saneamento e, sim, ao valor inicialmente disponibilizado. Mesmo contando esses financiamentos, de acordo com o Ministério das Cidades, o governo do PT aplicou efetivamente apenas R$ 3,4 bilhões até março deste ano.

Ao citar o Bolsa-Família, o presidente Lula acertou no número oficial - 11,1 milhões de famílias atendidas hoje -, mas omitiu que seu governo não partiu do zero nessa área. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso terminou seu segundo mandato com os programas que deram origem à iniciativa petista atendendo pouco menos de 6 milhões de famílias - mais precisamente 5.010.331 famílias no Bolsa-Escola e 966.553 no Bolsa-Alimentação.

 O tucano Alckmin exagerou ao dizer que seu oponente tinha gasto mais em publicidade do que em saneamento. Restringindo-se às verbas orçamentárias, Lula já gastou R$ 413,5 milhões em publicidade e R$ 2,23 bilhões em saneamento.

O candidato do PSDB também errou ao dizer que Lula gastava R$ 8 bilhões por ano com o pagamento de 20 mil cargos de confiança. As gratificações pagas aos 19.925 cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) da administração federal custaram, no ano passado, R$ 685,4 milhões, de acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento.

.Alckmin também disse que economizou R$ 4 bilhões em três anos, mas os dados de execução orçamentária do Estado de São Paulo mostram que as despesas de custeio aumentaram de R$ 10,6 bilhões em 2002 para R$ 13,7 bilhões em 2005, já descontado o efeito da inflação.

O tucano reprovou a atitude de Lula de comprar um avião no exterior e "de luxo" para seus deslocamentos. Ele anunciou que pretende vender o Aerolula, se for eleito, como fez no governo do Estado. Segundo Alckmin, ele repassou os dois helicópteros que o governador tinha para a Polícia Militar - o que a Secretaria da Segurança Pública confirma. Alckmin omitiu, no entanto, que os helicópteros são usados nos deslocamentos do governador sempre que necessário - ocasiões em que deixam de ser usado no combate ao crime.


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