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Marina, PT e Senado fazem Lula se destacar enquanto símbolo

10.09.2009
 
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Inteligentíssimo, o Lula é um estadista, não é da tralha dos seus “aliados” vorazes ou mesmo da maioria dos seus atuais companheiros de legenda, como pensa a direita. Para eles não interessa a ética abstrata suplicyana, interessa os resultados. E o povo que sustenta o governo se interessa por ganhos reais como como bolsa família, aumento do salário mínimo, mais empregos, cotas nas universidades! e aumento de vagas, sem entrar aqui no mérito destes ganhos que podem ter outras interpretações e consequencias. A maioria do povo continua sendo manipulado por pão e circo. Por isso a prioridade não foi a escola pública de qualidade e universal, sim o Bolsa Família. Maquiavel poderia dizer se aqui estivesse: nada melhor para a governabilidade que ser pai dos pobres e mãe dos ricos!


Esta fórmula possibilitou a Lula desenvolver a abertura da política e do comércio externo e tirar a discussão do embate esquerda versus direita. Muito parecido com Getúlio. Mas mais bem sucedido. Conseguiu se safar dos golpes militares que as elites tradicionais sempre praticaram como a ética do poder. O Lula não tem vocação para mártir nem é masoquista, como a direita teria preferido e era a tradição romântica da esquerda. A direita odeia Fidel Castro pois ele também usou as armas tradicionais dos opressores e se manteve à frente do seu povo sem cumprir com o que os norte-americanos queriam. O processo o fez mudar. Como diria o Joaozinho Trinta: o Lula gosta é de coisa boa, de luxo, de poder. Por esta a direita não esperava. Encontrou uma esquerda à sua altura.


Para o povo, esta situação que o beneficia neste momento é ética também. O povo aceita políticas anti-ambientais como a do Blairo Maggi em Mato Grosso, aceita desmatar a Amazônia, aceita acordos com o agro-negócio, proteção a banqueiros, escândalos e aceita que o Lula faz isto para segurar o trem nos trilhos, senão ele cai. O povo vê a corrupção como natural, quer o Lula firme no Planalto, deverá eleger seu sucessor, pois está dando conta de alimentá-lo. Esperou somente 500 anos para ter Getúlio e depois o Lula. Veja como não se abalou com as denúncias do Mensalão e reelegeu o Lula, independente do lacerdismo de Arnaldo Jabor. E o povo não é bôbo: sabe que o Lula sabia de tudo e até ri da esperteza dele entre uma pinga e outra. Os moralistas não entendem o povo. O povo está acostumado com todo tipo de sacanagem e não acredita que os políticos irão acabar com ela. O povo precisa ser fisiológico para viver, a não ser que troque eternamente esta vida pela promessa incerta da outra no Além. Luto para que um dia este povo sacrificado para produzir dinheiro para os ricos irá ascender ao reino das idéias e frequentar universidades, restaurantes, hotéis, praias. Poderá até ser cremado!


Filosoficamente, o povo é cínico e o Lula também, no sentido de não terem as ilusões “pequeno burguesas” de honestidade nem acreditar nesses discursos éticos que só se sustentam na oposição. Como ensinou o filósofo escocês David Hume nos anos 1700, aqui interpretado nas minhas palavras: “a moral é utilitária; moral é o que é bom para nós!” As opções éticas das pessoas e dos partidos são pragmáticas e o comportamento moral é complacente como talvez certos hímens. O código moral perfeito e eterno só existe na cabeça da indústria da fé que não raciocina historicamente. Os partidos e os governos só querem o poder do Estado, eles miram-se nos resultados para a continuidade; agora só pensam na vitória em 2010 e nas alianças para isto. O resto é o resto. Todos estão mentindo e se mimetizando dentro dos oratórios. O Lula tem coragem e raça de enfiar a cara nesta coisa que nos choca tanto. É cabra porreta. Foi criado na rua, sem mimos, é todo calejado, dá aula a muitos doutores avoados.


O risco de Lula ter uma imagem histórica negativa por causa disto é muito pequeno. Imagine agora o DEMO vencendo em 2010 coligado com o PMDB, ou o PSDB do senador Arthur Virgilio e em nome da ética? É disto que o povo tem pavor: repetir FHC, repetir Carlos Lacerda, que Canudos volte a acontecer. Um velho fazendeiro salinense, que conheci menino, desiludido com a política local disse que às vezes é preferível deixar a cachorrada gorda continuar mais um pouco no poder que trocá-la pela cachorrada magra, e o povo ter que trabalhar dobrado para engordá-la. Isto tem acontecido sucessivamente na chamada “rotatividade democrática”, de eleições cada vez mais venais e um povo desinformado pela mídia de negócios.


Eu estou há mais de uma década longe de qualquer vínculo partidário, pois não consigo ser ético no sentido que descrevi aqui. Sempre que cometi algum deslize fui impiedosamente castigado por minha consciência. Tenho capacidade para ver e compreender a vida como ela se se quiser ser bem sucedido nesta vida! Mas não consigo praticar meus conhecimentos. Tenho um defeito congênito que me amarra ao eticismo, ao amadorismo, posso até ser simplório, portanto impróprio para partidos e eleições. Vou velejando só pelos meus mares tentando ser fiel à educação que recebi em casa e sem força e querer para ser diferente. Mesmo não crendo mais no Céu lá no Alto! Na esperança de recompensas futuras! Gosto muito de ler Cervantes. Sou político até a medula mas não sou propício a ser peça partidária, nem a líder deste Reino, e muito menos a ser cabo eleitoral. Foi uma pena não ter nascido daqui uns mil anos. Acredito que teria mais chances de concordar com mais coisas.

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