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Marina, PT e Senado fazem Lula se destacar enquanto símbolo

10.09.2009
 
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Marina, PT e Senado fazem Lula se destacar enquanto símbolo

A saída da Marina não foi por causa da crise do Senado nem de uma postura moralista, alega ela divergências de projeto para o país, e aí dá ênfase na questão sócio-ambiental. Trata-se de uma entre milhares de militantes que confiaram num Partido dos Trabalhadores transformador e ético e em Lula sua liderança. Muitos sairam antes de Marina, ela demorou muito. Por que?

Ficou neutralizada na época do Mensalão; fez coisas inaceitáveis, talvez constrangida e achando que seria a última vez ou que poderia relativizar os danos, como na questão dos transgênicos. No governo mudou e apoiou a transposição do São Francisco de forma clara. Tenho livro organizado pela Marina Silva desancando a transposição em termos de denúncia moral grave aos seus propositores. Depois aceitou o desmembramento do Ibama com a finalidade de reduzir a força dos biólogos e ambientalistas em favor da burocracia admjnistrativa nomeada. Não se manifestou em relação aos projetos das canalizações sistemáticas dos córregos e ribeirões urbanos, aprovados pelo PAC às empreiteiras irresponsáveis, e que irão produzir enchentes urbanas em todo o Brasil.


Estas canalizações aparentemente inocentes perenizam a destruição dos rios com altos custos ambientais e de manutenção , como mostra o modelo implantado em São Paulo. Fazem isto como se fosse necessário para obras de saneamento. Mas a realidade é que visam construir avenidas “sanitárias” e atender à especulação imobiliária. Todas as margens dos rios e ribeirões poderiam ser parques naturais com modificações paisagísticas para o lazer urbano. Marina teve uma visão da questão ambiental muito amazônica, foi usada como escudo de proteção do governo e para efeitos internacionais. Mas trata-se de uma grande pessoa, com currículo de superação. É uma companheira respeitável, apesar dos erros cometidos.


Mas na política partidária e na administração dos negócios de Estado Maquiavel foi perspicaz. Há uma diferença entre ética e eticismo. Apesar de não aceitar certas atitudes do Lula e não praticá-las em minha vida privada, ainda que com incremento de minhas dificuldades pessoais e familiares de sobrevivência, não posso ser tão duro a ponto de acusá-lo de desonesto, muito menos de corrupção. Numa conversa pessoal poderia dizer-lhe que tem uma pequena multidão de pessoas, sobretudo dentro do PT, se aproveitando da situação, sem nenhum compromisso histórico com a população. Mas é claro que ele sabe disso, então falar o quê mais? Os assuntos acabaram ! Resta saber se esta opção foi imperativa ou aleatória.


Considero ética a liderança do Lula. O que entende-se por ética? Acompanhei sempre sua trajetória, trabalhador incansável da mobilização social, falas contraditórias com a realidade atual do seu governo, as inevitáveis cabeçadas. Para comparar, acho o respeitabilíssimo Eduardo Suplicy eticista. Assisti esses dias o Suplicy ao lado do senador Agripino Maia, sendo entrevistado na Globo News pela raposa do jornalismo Alexandre Garcia sobre a acareação da Dilma no Senado com a funcionária da Receita Federal. O Agripino emocionado falava e rolava de ética, elogiando o Suplicy como "homem de bem” e o Suplicy orgulhoso, dizendo: “sem dizer a verdade não há justiça! Quero a acareação”!


Se o Suplicy não fosse eticista, mas ético competente diria: “agradeço a menção a meu comportamento pois sempre fui coerente; mas vocês, Agripino, não têm história para falar de ética.” Embora o PT já não comporte mais este discurso imagino que o senador cumpre conscientemente um papel. O Suplicy se comporta como um quixote eticista. Ninguém duvida de sua honestidade. E sabe que está convivendo entre pessoas de alta periculosidade. Mas não conseguiria governar estando na presidência do país.


Precisa ficar claro que a ética não é monopólio dos santos. Os bandidos são altamente éticos: quem não paga a droga morre; quem estupra morre! Nem o discurso ético garante a ética. Pinochet derrubou Allende fazendo o discurso da defesa da democracia e da ética no Chile. Aqui, em 1964, os generais fizeram este discurso da ética, com a UDN à frente. Muitos dos atuais éticos estavam no poder com a ditadura, quando na surdina a corrupção mais cresceu no Brasil. Era a época da ARENA e mais tarde do PDS, sob a batuta do senhor Sarney ! Querem mais ético, no sentido assumido por este termo, que o PT na oposição em seus primeiros anos? Fazia o mesmo discurso da Heloisa Helena!


Até a eleição do Lula só a elite tradicional mandava e desmandava, praticando todo tipo de crime contra o povo. Tirando o período do Getúlio cujo trabalhismo promoveu uma nova “elite” de descamisados morenos somente com o Lula este processo retomou o fôlego, com a promoção de sindicalistas e líderes de base às esferas governamentais. Hoje está tudo mais democratizado, situação natural numa sociedade onde o reino fisiológico da necessidade dificulta demasiadamente a transcendência da sociedade para o mundo da consciência filosófica e de si, no reino da construção culta. A barriga soa mais alto nas decisões, é questão de estágio evolutivo!

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