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Brasil: Denúncia de Trabalho Infantil

10.08.2006
 
Brasil: Denúncia de Trabalho Infantil


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem a público esclarecer a matéria do Jornal Hoje veiculada hoje (08) pela rede Globo, que mostrou crianças dos assentamentos da região de Bituruna, região Sul do Paraná, trabalhando em carvoarias.


Em primeiro lugar, a mulher que dá depoimento na reportagem não é assentada, nem integrante do MST. Portanto, não recebeu os benefícios do programa de reforma agrária.


Diferentemente do que afirma a reportagem, os 502 trabalhadores, assentados em sete assentamento, no município de Bituruna, vivem da agricultura familiar, e trabalham com manejo sustentável da mata, erva-mate, produção de milho, feijão, mandioca, batata e alimentos para o auto-consumo, milho e produção de auto-consumo. A produção de carvão é uma fonte de renda complementar das famílias, uma vez que parte das terras não é apropriada para a agricultura - problema inerente a muitos outros assentamentos de reforma agrária no país, que padecem da falta de infra-estrutura e subsídios agrícolas.


Na agricultura familiar, é normal os pais levarem os filhos para a roça, no período que não estão na escola, para não deixá-los sozinhos em casa. Isso faz parte da cultura camponesa. As crianças dos assentamentos de Bituruna estudam, apesar de os filhos de assentados enfrentarem grandes dificuldades para ter acesso à educação. Precisam se deslocar até a cidade, que fica distante de suas casas, já que as escolas que funcionavam dentro dos assentamentos foram fechadas pelos prefeitos de Bituruna, Remi Ransolin e Lauro Augustini. Só existem escolas, de ensino fundamental, no assentamento Santa Barbara e Rondon 3. Até hoje os trabalhadores reivindicam educação nos outros locais, mas a prefeitura ainda não resolveu o problema.


O manejo da bracatinga permite a produção de carvão, tanto que no assentamento Sonho de Rose, em Bituruna a Embrapa desenvolve um experimento de manejo da planta. A bracatinga é uma árvore nativa da região, que se regenera muito rápido, seu ciclo de vida é de oito anos.


O Iap (Instituto Ambiental do Paraná) está desenvolvendo o projeto TAC (Termo de Ajuste de Conduta) para regularizar a produção de carvão nessa região.


O MST repudia as falsas denúncias da reportagem, usadas para criminalizar a reforma agrária e a luta pela terra, e exige dos órgãos públicos que providências para garantir uma verdadeira educação popular e do campo.


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST


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