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Por quê a reeleição de Lula

09.09.2006
 
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Por quê a reeleição de Lula


O presidente até agora não aproveitou as melhores chances, mas ainda tem a de ser mediador no País dividido abruptamente entre ricos e pobres.


Por Mino Carta (Carta Capital, 13 de Setembro de 2006 - Ano XII - Número 410 )


Há quatro anos CartaCapital fez sua opção, declarou explicitamente preferência pela candidatura Lula no confronto com José Serra. Agora volta a escolher o presidente no embate contra Geraldo Alckmin. Em 2002, não faltou quem condenasse nosso comportamento, por considerá-lo impróprio de um jornalismo isento e pluralista.


Essas definições às vésperas de uma eleição são comuns, no entanto, nas melhores mídias do mundo. De resto, aqui mesmo, o O Estado de S. Paulo apoiou abertamente a candidatura de Serra, ao contrário dos demais que alardeavam, e impávidos alardeiam, uma eqüidistância inexistente. Isto, em castiço, chama-se hipocrisia.


Dependesse dos donos da mídia nativa, não sobraria pedra sobre pedra do governo que se encerra. Outros senhores, mais céticos, afirmam que tudo dá na mesma. CartaCapital entende que a prática da política há de ser pragmática, donde encaramos a reeleição como mais conveniente para o País.


Esta revista não se furtou, nos últimos quatro anos, às críticas, às vezes contundentes, ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Fomos desabridamente contrários à política econômica da parceria Palocci-Meirelles e não hesitamos em expor a nossa insatisfação com a política social, tímida demais do nosso ponto de vista na terra vice-campeã mundial em má distribuição de renda.


Condenamos peremptoriamente a política relativa aos transgênicos, a favorecer a Monsanto, a qual, está claro, nunca mais anunciou em CartaCapital. Na área da comunicação denunciamos amiúde a submissão aos interesses da Globo, tão bem defendidos pelo ministro Hélio Costa, e nunca deixamos de exigir a apuração rigorosa das malversações de todos os gêneros.


Política, contudo, não se faz para bochechar sangue humano. Tampouco jornalismo. Justiça, em compensação, impõe fidelidade canina ao preceito inalterável: in dubio pro reo. Ninguém haverá de ser sentenciado sem provas, e estas faltaram à inquisição antimensalão, conduzida pelos torquemadas de plantão com o transparente propósito de solapar a reeleição. Ou mesmo de impedi-la por alguma forma jurássica de violência, como ainda hoje invoca Fernando Henrique, saudoso de Carlos Lacerda.


O governo Lula ficou longe daquele que teríamos desejado. Tem, entretanto, seu trunfo, a própria eleição de um ex-metalúrgico, retirante nordestino, para a Presidência da República, a despeito da ojeriza, quando não o ódio, que nutrem por ele graúdos de vários calibres, e aspirantes a graúdos.


O povo brasileiro identifica-se com um igual, e isto explica a reeleição iminente. Já escrevi, e repito: a mídia que se diz isenta deveria meditar sobre seu fracasso. Esforçou-se com empenho máximo para fazer buracos n’água.


Volta e meia, alguém aparece para nos acusar de “lulistas” e “petistas”. Não somos nem uma coisa nem, muito menos, outra. Pessoalmente, tenho a honra de ter sido o primeiro profissional a perceber no presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, faz 29 anos, o poder de liderança, o QI alto, o carisma de alguém habilitado a fazer história.


Íntegra, clique: http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=5378

A anatomia da inveja



Mauro Santayana (Carta Maior, Sábado, 09 de Setembro de 2006)


BRASÍLIA - Em “Os velhos marinheiros”, o clássico da literatura picaresca brasileira, Jorge Amado narra uma partida de pôquer em que o capitão Vasco Moscoso de Aragão depena o adversário. O perdedor procura insultar o ganhador de todas as formas – e um terceiro jogador observa: “inveja mata, seu Chico, inveja mata”.


Há alguns meses o médico Adib Jatene, senhor dos mistérios do coração, órgão em que se presume alojar a alma dos homens, dizia a mesma coisa que disse o personagem de Jorge. A competitividade, o afã de superar os demais, a inveja do êxito alheio, são os maiores aliados da morte por infarto. Provavelmente sejam também de outras doenças fatais.


O ex-presidente Fernando Henrique deve consultar já o doutor Jatene. As suas mais recentes declarações sobre Lula, a quase apoplexia com que, no encontro com os donos do poder econômico, se referiu ao Chefe de Estado (inveja mata: trata-se de um operário na chefia do Estado) mostram que o festejado intelectual está precisando de acompanhamento cardiológico. E não fez melhor o antigo presidente, quando falou em Macunaíma. Lula não tem o perfil do anti-herói de Mário de Andrade.


O ex-presidente é homem vitorioso. Não tem por que invejar o êxito de ninguém, porque foi brindado por todos os êxitos: na cátedra, na literatura sociológica, na presença no Senado e na Presidência da República. Nunca se atrapalhou com o uso dos talheres nos salões do mundo. Sabe perfeitamente como servir-se de chá no Palácio de Buckingham e conhece as anedotas que fazem Clinton divertir-se, embora, com precavida elegância, evite as que falam de charutos. Lula, para a sua razão aristocrática, é um brega. A sua missão histórica deveria limitar-se à liderança

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