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Manifestação contra a guerra marca ato de solidariedade à Síria

08.09.2013
 
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Enquanto o presidente Barack Obama insiste em atacar a Síria, no Brasil, movimentos sociais, centrais, partidos políticos, ativistas e a sociedade civil saíram às ruas, nesta sexta-feira (6), em repúdio a mais um ataque imperialista dos EUA, que pode ter consequências graves para o Oriente Médio e para o mundo. Em São Paulo, o "Ato público em solidariedade ao povo e à soberania da Síria" concentrou manifestantes na Praça Ramos, no centro da cidade.

Por Théa Rodrigues, da redação do Vermelho

Na escadaria do Teatro Municipal de São Paulo se agitaram as bandeiras sírias e os cartazes de "não à guerra".

Na escadaria do Teatro Municipal de São Paulo se agitaram as bandeiras sírias e os cartazes de "não à guerra". A iminência do ataque norte-americano e a arrogância de Obama - que já afirmou não depender da decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) para intervir na Síria - só fazem crescer o descontentamento da opinião pública.

Em declaração para o Vermelho, Eduardo Elias, presidente da Federação das Entidades Árabes do Brasil (Fearab) e filho de sírios, disse que é contra "qualquer intervenção em qualquer país do mundo, pois cada povo deve decidir entre os nacionais o que é melhor para a sua nação". Segundo ele, "se o Brasil não tomar cuidado, (os norte-americanos) vão tentar fazer o mesmo aqui, porque temos a maior reserva de água potável do mundo, temos a Amazônia e temos o pré-sal" por isso, "é preciso barrar os EUA agora e, com isso, prestar um serviço para a humanidade".

Ainda de acordo com Elias, "o imperialismo não mede consequências, é atroz". Para o presidente da Fearab, o ato de solidariedade ao povo sírio é mais uma expressão do povo "que se engaja a cada dia na luta pela liberdade".

Socorro Gomes, presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP) e do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos em Luta pela Paz (Cebrapaz), disse ao Vermelho que "há uma crescente consciência e um posicionamento contra a agressão na Síria por parte dos povos e nações". Na semana passada, a ameaça de guerra ao país foi repudiada em todo o mundo. Dentre os que se opõem veementemente à decisão de Obama estão Rússia, China, Irã, Brasil, Cuba, Equador, Argentina, Bolívia, entre outros.

Contudo, "o presidente norte-americano segue insistindo no ataque por conta da natureza agressiva e da posição beligerante do país", disse Socorro. Para ela, "se os EUA intervierem militarmente na Síria, será uma demonstração de um total desapreço pela paz".

A presidenta do CPM lembrou ainda que no caso de um ataque, o governo norte-americano estaria violando o Direito Internacional e a Carta da ONU, que em seu artigo 51 diz: "Nada prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva, no caso de ocorrer um ataque armado contra um membro das Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais". Ou seja, "nenhum país pode atacar outro a não ser em legítima defesa e as nações só podem intervir militarmente com o aval do Conselho de Segurança", explicou Socorro.

Segundo ela, "a Síria não atacou nenhum país, muito menos os EUA". Portanto, "ao agredir o país do Oriente Médio, o governo estadunidense transforma o Estado em 'fora da lei' e deve ser julgado dessa forma", completa a ativista que também marcou presença no ato "para abraçar a nação síria e defender a autodeterminação dos povos".

O deputado estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Alcides Amazonas, complementou a fala de Socorro ao dizer que "a manifestação é fundamental para que se eleve o nível de consciência dos brasileiros e do mundo em prol da bandeira da paz e de liberdade dos países".

"Esse filme nós já vimos antes, os EUA invadiram o Iraque (2003) sob o pretexto de que ali havia armas de destruição em massa, devastaram o país e não encontraram sequer uma 'biribinha'", disse o deputado ao Vermelho.

Para Amazonas, "cada povo precisa enfrentar os seus problemas internos", se um país quiser ajudar "será bem-vindo", mas a Síria não precisa deste tipo de intervenção norte-americana. "Essa agressão do imperialismo, a exemplo de outras que nós já vimos, deve revoltar não só o povo brasileiro, mas o mundo todo", completou o deputado.

Todos são contra a intervenção

Assim pensa também Dom Damaskinos Masour, arcebispo metropolitano da igreja ortodoxa antiquina no Brasil, que fez os estudos elementares em Damasco (capital síria): "Esse ataque é um absurdo. Qual é o motivo? Matar pessoas?".

"Somos contra qualquer tipo de guerra, qualquer ataque que resulte na morte de pessoas, seja quem for", declarou o arcebispo.

Assim como ele, outros religiosos se posicionaram contra a deliberação equivocada do presidente Obama. O próprio papa Francisco pediu aos seguidores da igreja católica que fizessem um dia de jejum e orações pela paz na Síria. Segundo informou a agência AFP, o pedido do pontífice recebeu adesões no mundo mulçumano e entre não-crentes.

"O papa deixou bem clara a posição dele contra a intervenção, então, essa é a primeira vez que você vê católicos fervorosos e comunistas revolucionários juntos na mesma luta pela paz mundial", disse Assaad Afrangie, editor da Oriente Mídia, um dos organizadores do evento, enquanto segurava uma bandeira do vaticano.

Segundo Afrangie, o ato de solidariedade desta sexta-feira teve duas finalidades: "ser contra a guerra propriamente dita e apoiar o governo brasileiro no seu posicionamento em relação ao tema". Nesta mesma data, a presidente Dilma Rousseff reiterou que o Brasil não reconhece uma ação militar na Síria sem a aprovação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Entidades brasileiras

Rogério Nunes, secretário de movimentos sociais da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) afirmou ao Vermelho que o ataque "é uma interferência brutal de um país que não respeita a soberania de um povo".

"Para justificar o desrespeito ao direito do povo sírio à autodeterminação e levar à frente um novo ato de barbárie, Washington recorre à mentira descarada acusando sem provas o governo daquele país árabe de usar armas químicas", apontou o presidente da CTB, Adilson Araújo por meio de uma nota de apoio àquele país.

O presidente municipal do PCdoB, Jamil Murad, endossa a afirmação de Araújo dizendo que "os argumentos dos EUA são cínicos e hipócritas" e que "o imperialismo está sendo agressivo, pois o capitalismo está em crise profunda e não tem perspectiva de saída". Sendo assim, segundo ele, "eles tentam incrementar a economia através da indústria da guerra".

Jamil qualificou o ataque como "um crime contra a humanidade" e disse que a manifestação é uma tentativa de impedir tal agressão. Em congruência com o pensamento do presidente municipal, Márcia Campos, da Federação Democrática de Mulheres (Fdim), também defendeu que se deve evitar que a invasão ocorra: "não estamos aqui só para condenar, estamos aqui para barrar a iminência de guerra".

Por sua vez, Marcelo Buzetto, secretário de relações internacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), afirmou que essa "é mais uma tentativa de genocídio contra o povo sírio", mas ressaltou que é importante "não confundir o povo dos Estados Unidos com o governo". Ele lembrou ainda que quando Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 2009, (mesmo sem autoria de qualquer ação digna do prêmio), a palavra que o presidente norte-americano mais utilizou em seu discurso foi "guerra".

O papel da juventude

Para a União da Juventude Socialista (UJS), Obama repete o mesmo erro do seu antecessor, George Bush, a quem criticou duramente pela desastrosa guerra no Iraque. Embebido de uma autoridade de polícia do mundo, que não lhe é cabida, decide unilateralmente iniciar um ataque militar violento que só trará mais mortes e a destruição da Síria.

Segundo a presidenta da UJS da capital paulista, Camilla Lima, "trata-se de mais um ato guerra onde quem sai prejudicado e a população civil". Esse é um dos argumentos que Jonathan Silva, vice-presidente da União Estadual de Estudantes (UEE), utilizou para afirmar que "os estudantes são contra a intervenção dos EUA".

No ato de solidariedade ao povo sírio também estiveram presentes representantes do Levante Popular da Juventude e da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), que fazem parte do comitê do evento.

Outras manifestações

Cerca de 400 jovens participaram na tarde desta sexta-feira (6) de uma manifestação em frente à Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília (DF). Eles repudiaram o iminente ataque militar ao país árabe, anunciado nesta semana pelo presidente dos EUA, Barack Obama.

"A Síria, o último país do Oriente Médio com plena liberdade religiosa, com mais de dez mil anos de civilização, berço do alfabeto mais antigo, que tem como capital uma das cidades mais antigas do mundo, Damasco, está prestes a ser atacada militarmente pela potência bélica mais poderosa, letal e sem escrúpulos que a humanidade já conheceu: os Estados Unidos". Esta é parte da convocatória para o ato em defesa da Síria que será realizado nesta sexta (6) em Florianópolis, Santa Catarina.

A iminência da guerra anunciada pelos Estados Unidos tem provocado reação de pacifistas em todo o mundo. Diante deste fato, movimentos sociais florianopolitanos convocaram um grande ato na Esquina Democrática, no centro da capital, em solidariedade ao povo sírio.

Também em Florianópolis (SC) manifestantes se concentraram na Esquina Democrática, no centro da cidade, para expressar seu repúdio à guerra e se solidarizar com o povo sírio.

Participantes do evento

Os partidos políticos que apoiam são Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Pátria Livre (PPL). Também Consulta Popular, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Confederação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), União Nacional dos Estudantes (UNE); União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Federação Democrática Internacional das Mulheres (Fdim), a Marcha Mundial de Mulheres, União Brasileira de Mulheres (UBM), Liga Comunista, União pela reconstrução comunista (URC), Movimento Bandeira Vermelha, entre outras

 


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