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Problemas na navegação do Airbus causaram 3 acidentes

08.08.2007
 
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Problemas na navegação do Airbus causaram 3 acidentes

Problemas na navegação do Airbus causaram 3 acidentes

O diálogo gravado na cabine do avião da TAM, onde um diz “desacelera, desacelera”, e o outro responde: “eu não consigo, eu não consigo”, sugere que os pilotos tentaram frear o avião, e foram impedidos pelo computador de bordo

“É irresponsável quem diz que os pilotos cometeram um erro”, afirmou o relator da CPI sobre o setor aéreo na Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT/RS), após a leitura da transcrição do diálogo entre a tripulação do Airbus da TAM e a torre do Aeroporto de Congonhas, gravado pela caixa preta do avião. “Não houve erro humano. Todos os procedimentos padrão para o pouso foram adotados. É prematuro afirmar que a responsabilidade é dos pilotos”, reiterou o relator, na quarta-feira passada.

Marco Maia condenou a conclusão de alguns órgãos de imprensa de que a informação sobre a posição do manete direito da aeronave, que conforme dados da caixa preta estava na posição incorreta, apontariam que o acidente foi provocado por falha humana. A Aeronáutica está apurando a origem da falha operacional que desencadeou os eventos que fizeram o avião acelerar ao invés de reduzir a velocidade causando o desastre.

FALHA

Segundo o relator, uma das hipóteses que deve ser mais investigada é de falha mecânica ou do software que controla os equipamentos do avião. Ele ressaltou ser possível que os pilotos tenham acionado o manete, mas o comando não tenha sido corretamente interpretado pelo computador. “Não descarto que alguma falha possa ter ocorrido nos equipamentos da aeronave”, disse. “Os pilotos tinham consciência que o reverso estava desligado, tinham consciência dos procedimentos operacionais que deveriam tomar, fizeram todos os procedimentos adequados sobre o pouso”, ressaltou Maia, assinalando que qualquer avaliação de que teria havido apenas falha humana “é precipitação e não condiz com a realidade da investigação”.

Muito embora a Airbus, em seu comunicado, tenha tentado muito mal negar as falhas, os fatos demonstram o contrário.

Relatórios internos da TAM em poder da CPI revelam que o avião que sofreu o acidente em São Paulo apresentou problemas no motor esquerdo no próprio dia do acidente. O incidente foi apontado pelo piloto que fez o vôo entre Confins e Congonhas. Já o motor direito, cujo reverso fora travado no dia 13, também teve problemas cinco dias antes, 10 de julho, durante o vôo 3201 (Confins/Congonhas). “Ao iniciar a descida do nível de vôo 260 (26 mil pés), notei uma vibração severa de motor em ponto morto, sem indicação de que o controle de manutenção automática de potência estivesse desligado, e a vibração parou quando as turbinas foram aceleradas”, diz a ficha do vôo.

Acidentes semelhantes ao de Congonhas, com o mesmo tipo de aeronave, também levam o relator da CPI a considerar com mais intensidade a hipótese de falha técnica no computador de bordo. Ele que saber ainda porque a Airbus não adotou procedimentos, nem promoveu mudanças que permitissem evitar falhas na operação dos equipamentos.

ACIDENTES

Após analisar três acidentes com essa mesma versão do jato, o engenheiro de software Lawrence Bernstein, do Stevens Institute of Technology de Nova Jersey, Estados Unidos, identificou um padrão que indica para a ocorrência de falhas nos programas que controlam a navegação do A-320. Em junho de 1988, em um vôo de demonstração no campo de provas de Mulhouse-Habsheim, na França, logo que o modelo começou a voar comercialmente, o software da aeronave interpretou um vôo rasante do piloto sobre a pista como uma intenção de pouso, levando o avião a se chocar contra o solo. Na queda, três das 136 pessoas que estavam a bordo morreram.

Em fevereiro de 1990, um A-320 da Indian Airlines caiu nas proximidades do aeroporto de Bangalore, depois que sua velocidade foi reduzida bruscamente, de modo automático, pelo computador de bordo. O piloto não pôde corrigir a ação do equipamento. O desastre matou 92 pessoas das 146 a bordo. Em janeiro de 1992, mais um Airbus caiu sobre uma floresta de pinheiros em Mont Sainte-Odile, na França, porque os sistemas de navegação informavam uma altitude de 4,7 mil pés, enquanto o avião voava a 2,5 mil pés no momento do impacto. 87 pessoas morreram.

DIÁLOGOS

No caso do avião da TAM, o diálogo dentro da cabine sugere que os pilotos detectaram uma falha operacional do sistema de frenagem logo após o pouso – ocasionada por um problema técnico, ou mesmo por falha na operação – mas foram impedidos de corrigir o problema nos equipamentos, que passaram a operar de forma automática. Confira a transcrição da caixa-preta. As indicações “hot 1” e “hot 2” indicam as falas de piloto e co-piloto dentro do Airbus A320.

Hot 1: “Está ok? Tudo certo?”

Hot 2: “Ok” e pergunta onde irão pousar.

Hot 1: “Acabei de informar”

Hot 2: “Eu não ouvi, desculpe, ela falando.”

Hot 1: “Mas ela ouviu. Congonhas.”

Hot 2: “É Congonhas? Que bom. Ela deve ter ouvido, obrigado.”

Hot 1: “Lembre-se que temos apenas um reverso.”

Hot 2: “Sim, nós só temos o esquerdo.”

Airbus A320 reduz velocidade para aproximação e chama a torre na freqüência 127.15

Hot 1: “Boa tarde”

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