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Mercado de GNL brasileiro está nas mãos de multinacional

08.06.2008
 
Mercado de GNL brasileiro está nas mãos de multinacional

Opinião: Acordo firmado entre Petrobrás e White Martins é extremamente lesivo ao país - Denunciado como crime de lesa-pátria, o Consórcio Gemini, composto por 60% de ações da White Martins e 40% da Gaspetro (subsidiária da Petrobrás), para a produção e distribuição de Gás Natural Liquefeito, continua funcionando normalmente. Autor da denúncia contra o acordo, o professor universitário e engenheiro João Vinhosa falou ao programa Rádio Surgente da Web Rádio Petroleira, no último dia 19/5, para esclarecer que tipo de prejuízos o país têm e poderá vir a ter em função da parceria.


Denunciado como crime de lesa-pátria, o Consórcio Gemini, composto por 60% de ações da White Martins e 40% da Gaspetro (subsidiária da Petrobrás), para a produção e distribuição de Gás Natural Liquefeito, continua funcionando normalmente. Autor da denúncia contra o acordo, o professor universitário e engenheiro João Vinhosa falou ao programa Rádio Surgente da Web Rádio Petroleira, no último dia 19/5, para esclarecer que tipo de prejuízos o país têm e poderá vir a ter em função da parceria.


Vinhosa, que acompanha o Gemini desde as primeiras negociações entre Petrobrás e White Martins, em 2004, alerta o quão lesiva aos interesses do Brasil é essa sociedade, que busca levar o gás natural às regiões não atendidas pelo sistema de distribuição canalizado. A parceria foi firmada para os processos de liquefação e transporte do gás natural liquefeito, já que, para ser transportado em grandes quantidades sem gasoduto, o gás natural precisa ser transformado para o estado líquido e transportado, a baixíssimas temperaturas, por carretas em tanques que funcionam como “garrafas térmicas”. A alegação da Petrobrás para fechar o acordo foi a de não ter o conhecimento necessário sobre os processos de liquefação e transporte de gás liquefeito.


O grande questionamento ao Gemini é o fato de o consórcio se obrigar a contratar a sócia majoritária White Martins para a execução dos serviços de liquefação, armazenamento e transporte do gás natural, quando existem outras empresas no país que realizam tais serviços. O “Acordo de Cotistas” do Gemini, portanto, garante lucros exorbitantes à transnacional acionista majoritária da sociedade, a White Martins, que pertence integralmente à empresa estadunidense Praxair Inc.


“O prejuízo que essa sociedade causou ao país é muito grande, e pode ser ainda maior. O Gemini contratou a White Martins para transporte do gás natural em todo o país, imaginem o dinheiro que está envolvido nisso. A White Martins pode cobrar o que quiser. E quem está fiscalizando isso? Há funcionários da Petrobrás para defender nossos interesses, procurando saber se é regular ou não o que está sendo cobrado do Gemini? Se a White Martins transportadora faz o serviço e cobra da Gemini, 40% da despesa é da Petrobrás e 60% da própria White Martins. O que acontece é que a White Martins tira de um bolso e põe no outro, e os 40% da Petrobrás vão, também, para o bolso da White Martins. A Petrobrás paga 40% do valor do transporte a preço sigiloso, sem concorrência e sem que o preço seja declarado sequer para o Tribunal Contas da União”, explicou Vinhosa.


O professor e engenheiro, que por seis anos compôs o Conselho Nacional do Petróleo, alertou ainda para o fato de que os impactos negativos da parceria serão mais sentidos se o Brasil encontrar poços de gás e decidir entrar no mercado internacional. A recente descoberta do Campo de Júpiter, com previsão de capacidade de produção de gás muito grande, é apenas um exemplo do que pode vir a acontecer: “As conseqüências, que hoje já são grandes, serão ainda maiores se descobrirmos gás para explorar. Investir em um poço como esse, o Campo de Júpiter, de águas profundas, de cara exploração e produção, só será viável se o Brasil entrar no mercado internacional, já que nós não temos essa capacidade de consumo.


Outro ponto destacado no programa, relacionado à garantia da soberania nacional do Brasil, foi a importância do desenvolvimento de tecnologia pela Petrobrás, para que não se criem laços de dependência eterna com as multinacionais. Nesse sentido, o Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobrás) poderia cumprir papel fundamental, utilizando-se de seus recursos humanos e materiais para a produção de tecnologia própria para a liquefação e transporte do gás natural.

“Imaginem se em 1954, 1955, a Petrobrás falasse que não sabia refinar petróleo e que, por isso, ia fazer sociedade com a Shell e deixar todo o refino com ela, para vender o petróleo já refinado aos brasileiros. Até hoje estaríamos nas mãos da Shell, que argumentaria que a tecnologia de refino é dela. Outro exemplo é o a distribuição: a Petrobrás não sabia transportar e hoje transporta por navios, com a BR Distribuidora. A liquefação do gás poderia seguir o mesmo caminho”, finalizou João Vinhosa, desejando que o assunto venha à tona e ganhe cada vez mais repercussão e visibilidade, para que seja definitivamente esclarecido.


Publicado originalmente: Jornal Surgente/Sindipetro-RJ. Arte: Mega.


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