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SP: Ato-passeata deve reunir mais de cinco mil mulheres no 8 de Março

08.03.2008
 
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SP: Ato-passeata deve reunir mais de cinco mil mulheres no 8 de Março

Manifestação do Dia Internacional da Mulher. A reivindicação dos movimentos feministas é por igualdade, autonomia e soberania popular. Em diálogo com a luta de outros movimentos sociais, as mulheres irão às ruas em defesa da democratização dos meios de comunicação, da reforma agrária, da soberania alimentar, dos processos de integração regional e de uma política econômica que negue o superávit fiscal e primário e o pagamento da dívida.


Reunidas em torno do tema "Mulheres feministas anticapitalistas em luta por igualdade, autonomia e soberania popular!", mais de cinco mil mulheres devem participar do ato-passeata que marcará o 8 de Março este ano em São Paulo. A manifestação reunirá mulheres de segmentos diversos da sociedade, vindas de todas as regiões metropolitanas e de algumas cidades do interior, e será "contra o imperialismo, o neoliberalismo, o machismo, o racismo, a lesbofobia e todas as formas de fundamentalismo".


"A concentração começará às 10h30, na Praça Ramos, em frente ao Teatro Municipal, com passeata a partir das 12h por algumas ruas do centro. O ato será marcado por intervenções culturais, música, teatro e dança. Numa ação simbólica, a Praça do Patriarca será rebatizada de "Praça da Matriarca", onde o ato das mulheres deve encerrar-se no início da tarde.
"Queremos construir um mundo livre de exploração, opressão e discriminação, onde o fato de ser mulher, negra, indígena, lésbica, jovem, idosa ou com deficiência seja apenas um elemento da diversidade e corresponda ao direito à diferença, e não motivo para preconceito ou desigualdade", afirma a convocatória da manifestação.


Todos os anos, centenas de organizações feministas e movimentos sociais vão às ruas no Dia Internacional da Mulher para mostrar à população que o 8 de março é um dia de luta para as mulheres. Entre as bandeiras reivindicadas historicamente pelo movimento feminista estão a legalização do aborto e a defesa de um Estado laico, democrático e com justiça social, que garanta atendimento digno à saúde integral das mulheres, hoje ameaçada pelas iniciativas de privatização do SUS.


As mulheres também vão às ruas para afirmar seu direito de viver sem violência doméstica e sexual. Elas pedem políticas públicas de prevenção à violência, o cumprimento da Lei Maria Penha, assim como equipamentos públicos como centros de referência à mulher, delegacias e casas-abrigo. Este ano, os movimentos farão uma crítica ao governador de São Paulo, José Serra, que vem se negando a assinar o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.


Outra pauta dos movimentos é a defesa de uma reforma da previdência que mantenha e amplie os direitos das mulheres, incluindo as donas-de-casa e as trabalhadoras em situação de trabalho informal. As feministas defendem a manutenção da diferença de 5 anos entre homens e mulheres para aposentadoria e o fim do fator previdenciário, que, na prática, reduz a aposentadoria das mulheres. A luta pela valorização do salário mínimo e o combate à divisão sexual do trabalho também estarão presentes na manifestação do 8 de março.


Em diálogo com a luta de outros movimentos sociais, as mulheres irão às ruas em defesa da democratização dos meios de comunicação, da reforma agrária, da soberania alimentar, dos processos de integração regional e de uma política econômica que negue o superávit fiscal e primário e o pagamento da dívida. As mulheres se manifestarão ainda contra os processos de privatização em andamento, contra as transnacionais, os transgênicos, o agronegócio e o projeto de desenvolvimento do biodiesel brasileiro, que ameaça o consumo interno de alimentos e as pequenas agricultoras. Contra as guerras, que atingem sobretudo as mulheres, elas seguirão exigindo a retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti.


Dados sobre a situação das mulheres no Brasil


* A cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil e em mais de 50% dos casos o agressor é o marido ou companheiro.


* Estima-se que 1 milhão de mulheres por ano façam aborto no Brasil. 250 mil mulheres dão entrada nos hospitais com hemorragias ou infecções decorrentes de abortos inseguros.


* As mulheres com carteira assinada ganham em média 28,4% a menos que os homens, no Brasil.


* O trabalho doméstico ainda é a principal ocupação da mulher brasileira, representando 17% da força de trabalho feminina no país. Desse contingente, 55% são mulheres negras, 60% não completaram o ensino fundamental e só 25% têm carteira assinada.


* Na questão de renda, cerca de 31% das famílias chefiadas por mulheres viviam, em 2006, com rendimento mensal de até meio salário mínimo per capita. Nas famílias que têm o homem como pessoa de referência, 26,8% viviam com o mesmo rendimento em todo o país.


Sobre o 8 de março

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