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Carta do Seminário de Direitos Humanos e políticas da Diocese de Rio Branco-Acre

07.10.2019
 
Carta do Seminário de Direitos Humanos e políticas da Diocese de Rio Branco-Acre. 31871.jpeg

Carta do Seminário de Direitos Humanos e políticas da Diocese de Rio Branco-Acre à Sociedade em Geral

Nós, Povos Indígenas (Apurinã, Jamamadi, Manchineri, Yawanawa, Hunikuî e Jaminawa), ribeirinhos, seringueiros, castanheiros, pescadores, extrativistas, camponeses, agentes pastorais, padres, religiosas consagradas, estudantes, servidores públicos, do estado do Acre e sul do Amazonas, em sintonia com o sínodo para Amazônia, reunidos nos dias 20 e 21 de setembro durante o seminário "Direitos Humanos e Políticas Públicas neste Chão da Amazônia", iluminados pelo texto bíblico "O meu desejo é a vida do meu povo" (Ester 7,3), e inspirados pela Encíclica Laudato Si, discutimos políticas públicas e formas de superação da violência, REAFIRMAMOS nosso compromisso com a defesa da vida e DENUNCIAMOS toda violação aos direitos humanos e agressão à casa comum.

Após ouvirmos depoimentos, relatos e testemunhos das comunidades ameaçadas,  vimos ao público externar a imensa preocupação frente ao agravamento da violência urbana e rural, o avanço da disputa pelo tráfico de drogas e de pessoas, o extermínio da juventude, o aumento da grilagem de terras,  das derrubadas e das queimadas em nossa região, causando, assim, o desequilíbrio ambiental a partir da orientação de fazendeiros, madeireiros  e apoiadores insanos do Agronegócio, os agrocriminosos.

As queimadas em toda a nossa região amazônica, especialmente no Estrado do Acre e Sul do Amazonas, extrapolaram todos os limites. Também nos posicionamos contra o tráfico humano, os projetos da mercantilização da natureza, REDD, PSA, REM, Manejo Florestal, Grilagem de Terra e outros projetos que visam apenas os ganhos financeiros sem a preocupação com todas as formas de vidas. Nos posicionamos contra as ações de agrocriminosos que de forma violenta agridem a natureza e violam os direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Reafirmamos o que diz o papa Francisco Laudato Si:

"A estratégia de compra-venda de «créditos de emissão» pode levar a uma nova forma de especulação, que não ajudaria a reduzir a emissão global de gases poluentes. Este sistema parece ser uma solução rápida e fácil, com a aparência dum certo compromisso com o meio ambiente, mas que não implica de forma alguma uma mudança radical à altura das circunstâncias. Pelo contrário, pode tornar-se um diversivo que permite sustentar o consumo excessivo de alguns países e sectores." (Papa Francisco, Encíclica Laudato Si, LS 171)

Conclamamos a todos que levantemos nossas vozes em defesa da Amazônia, pela reforma agrária, pela demarcação dos territórios indígenas, regularização dos territórios das populações tradicionais, pelo direito à vida para dizermos "NÃO" ao agrocrime, e à toda forma de violação do Direitos humanos.

 

Os participantes do Seminário

 

Rio Branco, 21 de setembro de 2019

Foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_ind%C3%ADgenas_do_Brasil#/media/Ficheiro:Guajajaras_(m%C3%A3e_e_filho).jpg

 


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