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Familiares denunciam pilhagem das vítimas da Gol

06.08.2007
 
Familiares denunciam pilhagem das vítimas da Gol

Uns familiares das vítimas do acidente da Gol denunciaram uma pilhagem das jóias e documentos em corpos de vítimas, revelou neste domingo (05) o jornal O Estado de São Paulo.

A reportagem do jornal mostra que os familiares das vítimas do acidente aéreo, ocorrido em 29 de setembro, não receberam de volta documentos importantes,como carteiras de identidade, de motorista e CPF. Em muitos casos, bolsas e carteiras voltaram com carteirinhas de clubes e até mesmo talão de cheques ou dinheiro, mas sem nenhum documento.

 Também sumiram relógios, alianças e outras jóias, além de celulares. Em pelo menos um caso, o documento de uma vítima foi usado para contrair um empréstimo numa financeira de Brasília para a compra de um carro. Um celular foi parar num bairro da periferia do Rio.

Depois da publicação o ministro da Defesa, Nélson Jobim, afirmou que não acredita que pessoas da Aeronáutica que trabalharam no resgate dos corpos possam estar envolvidas neste problema. O resgate dos corpos no interior de Mato Grosso, onde o avião caiu e os corpos foram resgatados, foi coordenado pelo Comando da Aeronáutica.

Mas, antes deles, moradores da região e índios chegaram ao local e foram, inclusive, responsáveis por dizerem o ponto exato onde estava a aeronave. Além da Aeronáutica, a própria companhia aérea Gol e a Blake Emergency Services, empresa inglesa contratada para fazer o serviço de desinfecção e higienização de todos os pertences, também, manusearam estes pertences, que ainda foram encaminhados ao Ministério Público, de acordo com a Aeronáutica.

O ministro Jobim disse que soube do fato somente ontem e comentou que se informou com a Aeronáutica sobre o episódio. ´O trabalho inicial da Aeronáutica foi a entrega desse material para a empresa (não citou se a Gol ou a Blake) e tivemos de sete a nove atores que circularam na área em torno destes instrumentos´, declarou o ministro. As declarações do ministro foram dadas durante visita que fez à unidades militares, em Manaus.

As CPIs do Apagão Aéreo no Congresso vão começar a investigar nesta semana a denúncia da pilhagem . No Senado, o relator da CPI, Demóstenes Torres (PFL-GO), quer ouvir o que a Aeronáutica tem a dizer e chamar familiares das vítimas para levantar os casos. Na Câmara, o vice-presidente da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer saber quem era o responsável pelo local do acidente para convocá-lo e descobrir como aconteceram os saques.

"É um absurdo, seja qual for a desculpa. Só mostra o descaso com as vítimas", afirmou Cunha. "Governo e Aeronáutica já deveriam estar investigando. A atitude mais insensível nessa hora é a Aeronáutica querer se livrar da responsabilidade, dizendo que outras pessoas manusearam os documentos", afirmou Demóstenes. "Se a Aeronáutica não quiser responsabilizar-se, é o caso de se repensar seu papel institucional. Jogaram tudo para baixo do tapete."



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