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Bolsonaro e seus ex-amigos

06.04.2020
 
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Bolsonaro e seus ex-amigos

Cá entre nós, o Bolsonaro tem razão em se sentir traído pelos governadores e parlamentares que ajudou a eleger em 2018 e que agora, quando o seu barco tá afundando, vão pulando fora.


O Witzel,, no Rio era tão radical quanto o Bolsonaro. O Dória vestiu uma camisa com seu nome na campanha eleitoral.; o Moisés, de Santa Catarina e o Caiado, de Goiás, eram bolsonaristas desde criançinhas. Aqui no Rio Grande do Sul, o Leite e o Sartori faziam juras de amor ao Capitão.


O Bolsonaro, a rigor só deve favores ao Moro, que tirou o Lula da corrida presidencial e ao General Vilas Bôas, que enquadrou o Supremo impedindo que libertasse o Lula. Ao Moro ele pagou com um ministério e a promessa de indicação para o STF. O general ganhou uma sinecura no Palácio.


O Bolsonaro era o único capaz de derrotar o candidato do PT, o professor Haddad, um sujeito decente, inteligente, mas sem nenhum carisma.
Os projetos neoliberais bancados pelo PSDB, derrotados em quatro eleições seguidas, nunca teriam os votos necessários para eleger um Presidente, como foi com o FHC na época do Plano Real.


Então a estratégia, depois que o primeiro turno da eleição presidencial detonou com os candidatos do sistema, principalmente o Alckmin, foi apostar num desvairado, que carregava na bagagem milhões de votos do lumpesinato nacional e da massa alienada de evangélicos.


O neo liberalismo, que ganhou muito, mas não tudo que pedia, nos governos do PT, um Ministro da Fazenda pertencente a sua facção mais radical - o  Paulo Guedes - iria garantir agora. Não deu pra fazer tudo ainda, mas boa parte já foi conseguida com as tais reformas trabalhista e previdenciária, mais o sucateamento da indústria nacional, principalmente a naval e a aeronáutica, além da a promessa de liquidação das estatais estratégicas como a Petrobrás e a Eletrobrás. 


Coroando esse modelo de governo, uma politica externa serviçal aos interesses americanos.


Agora, depois que esse trabalho sujo já foi feito em parte, esse pessoal sempre de terno e gravata, quer expulsar o Bolsonaro porque ele não sabe se comportar na mesa.
O problema dessa "elite" é que o trabalho ainda não foi completado, o presidente perde prestígio junto aos seus eleitores e a oposição, ainda que timidamente está pondo as manguinhas de fora.


Imagine se o Bolsonaro continua cada vez mais desligado da realidade e o PT ganha as eleições de 2022.


Aí terão que pedir aos milicos que voltem, por favor.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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