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Gilberto Kassab: Um exemplo a ser esquecido

05.05.2013
 
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Iraci del Nero da Costa *

O ex-prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, vem de fundar e colocar sob sua tutela e presidência, um novo partido político: o PSD - Partido  Social Democrático. Kassab, cujo oportunismo rasteiro é amplamente reconhecido por analistas políticos das mais variadas posturas, dá provas de sua impudente e descarada matreirice ao tentar aproximar-se, concomitantemente, de vários governantes e dos candidatos considerados aptos a obterem êxito nas próximas eleições presidenciais; e o faz de modo desabrido, certamente numa tentativa de elevar o preço e a valia de seu apoio a este ou àquele pretendente ao governo central. Dá sequência, assim, de maneira ainda mais grosseira à política de apoios universais adotada pelo ex-presidente Luiz Inácio L. da Silva, mestre consagrado na junção de alhos com bugalhos.

Destarte, o presidente do PSD procura escorar-se num tripé desconexo, porém vigoroso: em seu próprio partido, para não perdê-lo; nos velhos aliados do PSDB, para demonstrar fidelidade a acordos passados e no PT do ex-presidente e da atual presidente da República, a qual certamente tem em alto valor os votos do PSD concentrados, sobretudo, na Câmara Federal.

E assim segue a carruagem de um político inexpressivo que só pôde vicejar no paupérrimo e infértil terreno político ao qual fomos conduzidos pelo ex-presidente Luiz Inácio L. da Silva e seus acólitos, grande parte dos quais viu-se ejetada da carroça presidencial em decorrência da prática de atos julgados ilegais pelo Supremo Tribunal Federal.

O mais impressionante nessas movimentações aparentemente caóticas do ex-prefeito de São Paulo é o total descaso com respeito à consciência do eleitorado, pois, para ele, mostra-se relevante, tão somente, o trabalho a ser desenvolvido pelos manipuladores do voto popular. No âmbito dessa situação agônica vemos fenecer a vida política minimamente aceitável e florescer o oportunismo despudorado.

De outra parte, pouco se pode prever com relação a esse jogo aviltante. Terá ele o condão de desqualificar o ex-prefeito em tela? Muito provavelmente não, pois tudo poderá ser visto como meros negaceios plenamente aceitáveis no mundo político corrente. Afetará o PSD e seu desempenho nas eleições vindouras? Talvez sejam criados problemas internos gerados pela desconfiança despertada pelas ações de seu líder máximo; nesse caso, as trocas de favores sempre se mostrarão capazes de superar eventuais querelas. Abalar-se-á o relacionamento com o padrinho Lula e a madrinha Dilma? Certamente não, pois estão eles acostumados a uma vivência política igualmente sem princípios.

Cumpre lembrar, por fim, que até o momento nenhum candidato repudiou com clareza os meneios do chefe político do PSD, embora todos se mostrem ressabiados em face das atitudes inescrupulosas e velhacas de um político sem compromisso ideológico algum e capaz de faltar com o respeito devido ao próprio PSD cujo nascimento ele mesmo promoveu, partido este o qual, segundo suas palavras: "não será de direita, não será de esquerda, nem de centro".

 

* Professor livre-docente aposentado da Universidade de São Paulo.

 


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