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Movimento Paga por Hostilidades a Ciro Gomes: De Onde Vem o Dinheiro?

05.04.2016
 
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Movimento Paga por Hostilidades a Ciro Gomes: De Onde Vem o Dinheiro?

A mídia oligárquica não tem se deu ao trabalho de investigar a origem dos "líderes" desses movimentos e de seus fundos, e nada indica que mudará a posição omissa (por questões óbvias). Mas um fato é inegável: não se trata de movimentos espontâneos e nem de líderes movidos pelo amor à democracia e ao povo brasileiro

Edu Montesanti (*)

"O Ciro Gomes foi visto agora no restaurante Due Cuochi, [bairro] do Itaim [na cidade de São Paulo], tomando um [vinho] Barolo de centenas de reais a garrafa. Se alguém estiver perto, hostilize o cara. Mas ele é esquentadinho, filmem. O MEB [Movimento Endireita Brasil] paga R$ 1000 pelo vídeo". 

Esta mensagem foi postada na página no Fez-se buque do Movimento Endireita Brasil, pró-cassação da presidente Dilma Rousseff, nesta sexta-feira (1). Ou seja, os ferrenhos defensores do que chamam de "democracia" estavam propondo incitar reação em um cidadão, Ciro Gomes, na hora do jantar, para filmar e incriminá-lo. Se não bastasse, e como nem poderia ser diferente no país da Lei de Gérson onde impera o "mundo é dos espertos", o dever-se "levar vantagem em tudo" e do "achado não é roubado", com direito à generosa propina: esta não poderia faltar para completar o sambódromo politiqueiro por que atravessa o Brasil hoje, onde desfila a despolitização e a excessiva truculência. E, em meio a práticas repugnantes como essa, indignam-se quando são seus atos são caracterizados como golpistas.

Porém, o que a mensagem do MEB postada na rede social traz (a qual não tem sido exceção desde as chamadas "Jornadas de Junho de 2013") é mais uma importante peça a fim de montarmos o enigmático quebra-cabeça envolvendo a atual onda de manifestações populares, e políticas por parte da oligarquia congressista com profundo aspecto de artificialidade. Tentou-se fazer isso, parcialmente dada a complexidade do fato, em Onda de Protestos no Brasil: Primavera ou Massa de Manobra?, (http://port.pravda.ru/sociedade/curiosas/19-03-2016/40606-brasil_manobra-0/#sthash.dvCeVtGA.dpuf) aqui no Jornal Pravda.

A "Primavera" brasileira segue, fielmente, as mesmas tendências daquelas que, no início, pareceram democráticas, porém com o passar do tempo acabaram mostrando sua verdadeira face. Repita-se: Síria, Egito, Líbia, Ucrânia, Venezuela com tentativas também de ser efetuada em Cuba, onde uma vez mais os promotores de agitações sociais com essência anti-democrática se depararam com uma inteligência forte, e uma sociedade altamente politizada, unida em prol da Revolução Socialista.

A assessoria do ex-ministro Ciro Gomes diz que ele estava no restaurante, mas que tomou uma Gin Tônica. Porém, isso não é o mais importante aqui.

De Onde Sai Esse Dinheiro?

O que vem ao realmente caso é que 1000 reais não são uma soma nada baixa em dinheiro, convenhamos. Especialmente em um pais que, já miserável, atravessa a pior crise econômica desde 1930.

Diante disso, não pode deixar de ser feita esta pergunta: de onde sai o dinheiro para casos como este, gerar reação em um político a fim de filmá-lo? E será mesmo tão meramente movido pelo senso patriótico, com certa ingenuidade que os "bons moços" da ultra-direita tupiniquim, indivíduos tão civilizados e éticos, defensores da democracia, da família e da moral têm há quase três anos distribuído altas somas em dinheiro à semelhança de Silvio Santos? E além do mais, não são esses mesmos indivíduos que reclamam raivosamente da crise econômica? Sim, contraditoriamente são eles mesmos.

Ricardo Salles, fundador e líder do MEB, foi secretario particular do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB): até dezembro de 2014, cuidava de toda a agenda do governador. Salles é crítico ferrenho da Comissão da Verdade, e defensor do golpe militar de 1964. Refere-se à presidente Dilma como "terrorista".

Envolvendo os grupos opositores ao governo, pró-cassação que saem em protesto constantemente às ruas, vale mencionar o parecer do acadêmico de Direito português, Boaventura Santos: "Os financiamentos que hoje circulam abundantemente no Brasil provêm de uma multiplicidade de fundos (a nova natureza de um imperialismo mais difuso), desde as tradicionais organizações vinculadas à CIA até aos irmãos Koch, que nos EUA financiam a política mais conservadora e que têm interesses sobretudo no setor do petróleo, e às organizações evangélicas norte-americanas".

Tais afirmações de um dos mais respeitados legistas do mundo, não são feitas de maneira meramente intuitiva.

Agitos Sociais com Máscara Cidadã

Movimento Brasil Livre (MBL), principal convocador dos protestos, émencionado (https://www.atlasnetwork.org/news/article/students-for-liberty-plays-strong-role-in-free-brazil-movement) pela norte-americana Atlas Network (nome fantasia da Atlas Economic Research Foundation desde 2013): 

"Muito membros do Movimento Brasil Livre have têm passado pelo programa de treinamento da Atlas Network, a Academia de Liderança da Atlas (Atlas Leadership Academy), e estão agora colocando em prática [no Brasil] o que aprenderam no local onde viveram [Estados Unidos] e trabalharam."

Atlas Network, cujo proprietário é David Koch, magnata do petróleo estadunidense, é uma think tank especializada em fomentar a criação de outras organizações de ultradireita no mundo, com recursos obtidos com fundações parceiras nos Estados Unidos e/ou canalizados dos think tanks empresariais locais para a formação de jovens líderes, principalmente na América Latina e na Europa oriental. Koch, por sua vez, é bem conhecido em seu país pelo caráter inescrupuloso quando se trata de fazer negócios.

Segundo a jornalista Marina Amaral:

 

"De acordo com o formulário 990, que todas as organizações filantrópicas tem de entregar ao IRS (Receita nos EUA), a receita da Atlas em 2013 foi de US$ 11,459 milhões. Os recursos destinados para atividades fora dos Estados Unidos foram de US$ 6,1 milhões: dos quais US$ 2,8 milhões para a América Central e US$ 595 mil para a América do Sul."

Juliano Torres, diretor executivo do Estudantes pela Liberdade (EPL), explica a relação entre o EPL e o MBL, nome criado pelo EPL a fim de e engajar nas manifestações de rua sem comprometer as organizações norte-americanas, impedidas de doar recursos para ativistas políticos segundo a lei vigente nos Estados Unidos.

"Quando teve os protestos em 2013 pelo Passe Livre, vários membros do Estudantes pela Liberdade queriam participar, só que, como a gente recebe recursos de organizações como a Atlas e a Students for Liberty, por uma questão de imposto de renda lá, eles não podem desenvolver atividades políticas. Então a gente falou: 'Os membros do EPL podem participar como pessoas físicas, mas não como organização para evitar problemas. Aí a gente resolveu criar uma marca, não era uma organização, era só uma marca para a gente se vender nas manifestações como Movimento Brasil Livre."

Não sem motivo, afirma Kim Kataguri, membro da EPL: "A gente quer privatizar a Petrobras. A gente quer o Estado mínimo".

Já o Movimento Vem prá Rua (VPR) aparece vinculado à Stratfor, uma empresa norte-americana privada de inteligência que é conhecida como uma segunda CIA, em um dos milhares de telegramas secretos emitidos pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, liberados por WikiLeaks.

Segundo diversos cabos (http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/06/documentos-vazados-pelo-wikileaks-revelam-que-eua-treinam-oposicionistas-pelo-mundo.html) liberados pela organização de Julian Assange, é exatamente a Stratfor a principal organização dos Estados Unidos no treinamento de líderes oposicionistas, do Egito ao Brasil, passando por Síria, Líbia, Bolívia e Venezuela.

E Rogério Chequer, líder do VPR, era sócio da empresa Atlas Capital Management, até 2011, que geria fundos de investimentos em sociedade com David Chon e com Harry Kretsk. Um deles, o Discover Atlas Fund com US$ 115 milhões em ativos segundo o sítioInstitutional Investitor (http://www.institutionalinvestor.com/Article/1394481/ALTERNATIVES-Rethinking-the-ABCs-of-GDPs.html).

Em 2012, Chequer, que reponde processos na Justiça norte-americana, foi admitido na empresa por onde hoje se apresenta, a Soap Comunicações, especializada apresentações de negócios. O que faz no Brasil diante disso, e por que se tornou figura proeminente a partir das ruas, é a pergunta que se coloca bem como de onde vem o dinheiro da VPR. Tudo indica, segundo os documentos secretos, que o líder da VPR seja um dos informantes brasileiros à empresa de espionagem Stratfor.

A mídia oligárquica, brasileira e internacional, não tem se deu ao trabalho, há três anos do início dos protestos, de investigar a origem dos "líderes" desses movimentos e de seus fundos, e nada indica que mudará a posição omissa (por questões óbvias). Mas um fato é inegável: não se trata de movimentos espontâneos e nem de líderes movidos pelo exercício da cidadania, pelo amor à democracia e muito meno ao sofrido povo brasileiro.

Luta Anti-Corrupção ou Golpe à Democracia?

"(...) O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja podem se dedicar a informar sobre os riscos que podem advir de se punir quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. Esta Embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas 
a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados
. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo 
dos EUA seriam uma excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira (...)"

(Telegrama confidencial enviado da Embaixada dos EUA em Brasília, em 2009, liberada porWikiLeaks, revelando a subserviência literalmente comprada da mídia elitista tupiniquim. Grifos nossos)

 

Por fim, altamente sintomático também é o fato que a Casa Branca, que em determinados casos se manifesta veementemente a favor de democracias nacionais, não se manifesta sobre os métodos golpistas do Judiciário e do Congresso brasileiro, sustentados pelo monopólio midiático (no Brasil, controlado pelas mesmas cinco famílias promotoras do golpe militar de 1964), tudo isso obviamente reverberado nas reacionárias e agressivas ruas brasileiras hoje, através de clamor por retorno à ditadura militar.

Conforme escreveu o jornalista norte-americano residente no Brasil, (https://theintercept.com/2016/03/18/o-brasil-esta-sendo-engolido-pela-corrupcao-da-classe-dominante-e-por-uma-perigosa-subversao-da-democracia/) Glenn Greenwald: "Em uma democracia, governos são eleitos pelo voto, não por demonstrações de oposição na rua - particularmente quando os manifestantes vêm de um segmento social relativamente limitado [elite e classe média]. (...) Não há dúvidas de que o PT é repleto de corrupção. Existem sérios indícios envolvendo o Lula que merecem ser investigados de maneira imparcial e justa. E o impeachment é um processo legítimo em uma democracia quando provado que o suspeito é culpado de vários crimes e a lei deve ser seguida claramente quando o impeachment é efetuado. Mas (...) o esforço para remover Dilma e seu partido do poder lembram mais uma clara luta anti-democrática por poder do que um movimento genuíno contra a corrupção. Em outras palavras, tudo isso parece historicamente familiar, particularmente para a América Latina onde governos de esquerda democraticamente eleitos tem sido repetidamente removidos do poder, por meios não legais ou democráticos".

Mas a mentalidade elitista impregnada na maior parte destes segmentos societários brasileiros, fechados em seus fortes preconceitos de classe e de cor, não lhes permite compreender (e aceitar) que derrotas fazem parte do Estado de direito - o que muitos nem sequer sabem o que significa: nada mais que a democracia que elegeu Dilma Rousseff com 54 milhões de votos.

 


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