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Uma guerra em solo brasileiro

05.04.2007
 
Uma guerra em solo brasileiro

Por Thiago Ávila

Foi uma guerra o que aconteceu no Brasil.

Uma guerra entre o Império e seus fantoches contra a vontade de um povo. Não o povo de joelhos, derrotado, resignado, como estão tentando nos fazer acreditar. Foi uma guerra contra um povo soberano, heróico, batalhador e corajoso. E o povo nessa guerra estava representado por um nome: Oliverio Medina.

Em tão curto nome coube a recompensada esperança dos povos de todo o mundo. A injustiça praticada contra o colombiano residente no Brasil felizmente não teve o mesmo desfecho que tem a grande maioria do povo colombiano. A justiça berrou, esperneou, e então finalmente encontrou ouvidos capazes de ouví-la. Por pouco, pouco mesmo, nosso camarada ex-padre não foi extraditado à Colômbia, onde estaria sendo aguardado ansiosamente pelo presidente narco-paramilitar Álvaro Uribe como um troféu na sua guerra mantida essencialmente através do Terrorismo de Estado, eufemisticamente chamado de ‘Seguridad Democrática’.

A esperança chegou a abandonar por algum tempo muitos de nós, que tínhamos como parâmetro as injustiças cometidas contra Simón Trinidad, Sonia e Rodrigo Granda. Tudo indicava que o companheiro que já estava por completar 60 anos seria de fato extraditado para o país dominado pela narco-para-política e de lá seguiria como tantos outros companheiros de luta para Guantánamo, Abu Grahib, ou algum outro campo de concentração imperial.

O país que nos envergonha no Haiti e em outras arenas de práticas sub-imperialistas manteve preso o herói latino-americano na Polícia Federal por 3 meses, quando foi transferido para a penitenciária da Papuda, depois do pedido de prisão em regime fechado feito pelo ministro Gilmar Mendes, um verdadeiro drácula tropical, conhecido nacionalmente por tentar aprovar a lei que extinguiria mais de 10 mil processos de corrupção contra prefeitos, vereadores, deputados, governadores, secretários e ministros de Estado (Carta Capital, 7 de março de 2007).

Sobrevivendo ao vergonhoso sistema prisional brasileiro, o nosso camarada, depois de 9 meses na penitenciária da Papuda em Brasília conseguiu, graças a uma enorme luta dele e de valorosos companheiros, ser transferido para o regime domiciliar e passou a morar em uma chácara nos arredores de Brasília. Mesmo com a possibilidade da extradição batendo à sua porta, o padre sempre parecia calmo e, mergulhado profundamente em seus estudos.

Os dias passavam devagar, e a batalha judicial se alastrava através do tempo. Cada tentativa da defesa era recebida com indiferença pelo ministro que insiste em andar contra os rumos da história. Afortunadamente, a espera que o ministro nos fez passar serviu para que puséssemos em prática uma outra estratégia, o refúgio no Brasil.

Uma onda de solidariedade advinda de todo o mundo barrou a investida imperial que mantinha o nosso camarada preso. De todos os lugares vinham as mãos que ajudariam a construir o caminho para a liberdade. Entre as mãos solidárias estava a de Irmã Rosita, que foi peça fundamental para que o camarada que vivia no Brasil a 10 anos conseguisse o título de refugiado político pelo CONARE.

Com o refúgio aceito, Oliverio só precisava agora esperar por uma decisão do Supremo Tribunal Federal e usufruir de sua liberdade. Só que o Drácula Gilmar Mendes ainda tinha algumas cartas na manga. Ele usou de todos as suas habilidades ilusionistas e até seus truques de mágica baratos para atrasar e atrapalhar ao máximo possível a inevitável decisão que libertaria o refugiado político colombiano. Mesmo depois de ter se tornado um refugiado brasileiro o nosso camarada teve que esperar 7 meses até finalmente ser libertado depois de uma votação no Plenário que teve como resultado 9 a 1 (deixando sozinho o reacionário ministro, que abandonou a plenária irritado).

Finalmente a justiça reconheceu seu erro e pôs o nosso camarada em liberdade. Oliverio Medina hoje representa muito mais que um mero caso de justiça tardia, representa a força do povo latino-americano, esse gênero humano único, frente à investida imperial que luta de todas as formas para atrasar o curso da história que nos levará à Segunda e Definitiva Independência, que integrará o nosso Continente e fará dele um lugar digno, soberano com Paz e Justiça Social.

“ Sinto que está preso apenas o meu corpo, pois meus ideais e minha luta pela paz com justiça social, voam em abundância nas asas da solidariedade revolucionária e antiimperialista de tantas amigas e tantos amigos, dos quais vocês formam um grande contingente. ” - Padre Oliverio Medina


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