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Associando ideias se chega ao Brizola

05.03.2017
 
Associando ideias se chega ao Brizola. 26120.jpeg

O Brasil precisa de um político tão valente, como foi Leonel Brizola.

Eu cheguei a este conceito, que você pode aceitar ou não, por um processo de associação de idéias.

Vendo umas fotos de homens e mulheres  comemorando alegremente a transposição das águas do Rio Francisco, que o Luiz Octavio Vieira tinha me mandado, não pude deixar de me emocionar com aquelas pessoas que tiravam seu prazer de uma coisa tão simples como se banhar nas águas de um canal desviado para aquela região árida do deserto.

A gente queria que ele ajudasse a fazer uma revolução social no Brasil, mas o Lula se preocupou apenas em garantir o café da manhã e o almoço daquela gente humilde do árido nordestino, lembrou a minha amiga Margarete Moraes.

Então, por associação, me lembrei dos versos que Vinicius de Moraes e Chico Buarque colocaram sobre a música de Garoto, criando Gente Humilde, talvez uma das canções mais lindas sobre o nosso povo.

Tem certos dias em que eu penso em minha gente

E sinto assim todo o meu peito se apertar

Porque parece que acontece de repente

Como um desejo de eu viver sem me notar

Igual a como quando eu passo no subúrbio

Eu muito bem vindo de trem de algum lugar

E aí me dá como uma inveja dessa gente

Que vai em frente sem nem ter com quem contar

 

São casas simples com cadeiras na calçada

E na fachada escrito em cima que é um lar

Pela varanda, flores tristes e baldias

Como a alegria que não tem onde encostar

E aí me dá uma tristeza no meu peito

Feito um despeito de eu não ter como lutar

E eu que não creio peço a Deus por minha gente

Que é gente humilde, que vontade de chorar

 

Eu já tinha publicado as fotos na minha página do Facebook,  quando Pintaúde apenas escreveu, em resposta, quase como uma legenda para as foto

- Brava gente

E, eu completei:

Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

.A letra é de Evaristo da Veiga e a música (vamos acreditar) era de Don Pedro I.

Na escola, a gente sempre cantava aquela outra versão espúria: "japonês tem quatro filhos, o primeiro...

Uma nova associação, o Leonel Brizola usava o Hino da Independência como tema na abertura de seus programas políticos da televisão.

Outra associação:

No youtube, eu vira recentemente uma velha entrevista do Luís Carlos Prestes, onde ele dizia que o povo gostava do Brizola, entre outras qualidades, porque ele era um homem valente.

 Brizola era realmente um homem valente.

Só ele teve a coragem de enfrentar o golpe de 61 e arriscar sua vida.

Achei estranho que uma pessoa ideologizada como o Prestes, tenha vista nesse valor tão subjetivo, a qualidade maior do Brizola.

Prestes tinha razão: ele era realmente, acima de tudo, um homem valente.

Associação final: hoje, mais do que nunca, neste triste Brasil do Temer e companhia, precisamos de homens e mulheres valentes como foi o Brizola. 

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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