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Fidel Castro: Relatório sobre encontro com Lula

05.02.2008
 
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Quando falei com ele na tarde de 15 de Janeiro, não pude mencionar-lhe o artigo que foi publicado só três dias depois, escrito por Stephen Leahy desde Toronto. Este nos transmite notícias do novo livro titulado Mobilizar-se para salvar a civilização, de Lester Brown.


"A crise é extremamente seria e urgente e precisa dum esforço de mobilização das nações, semelhante ao realizado durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)" -argumenta o autor, Lester Brown, Presidente do Centro de Estudos do Instituto para Políticas da Terra, sediado em Washington. "A mudança climática acontece muito mais rápido do previsto pelos cientistas, e o planeta sofrerá inevitavelmente um incremento da temperatura de pelo menos dois graus", disse Brown a IPS, "que nos colocará decididamente na zona de perigo."


"Nenhum dos pré-candidatos presidenciais para as eleições nos Estados Unidos" -que se realizarão na primeira terça-feira de Novembro- "fala da urgência do problema da mudança climática.


"As emissões de gases de efeito estufa, parcialmente responsáveis do reaquecimento global, devem se reduzir em 80 por cento para 2020."Trata-se duma meta muito mais
ambiciosa que a colocada pelo Painel Inter-governamental sobre Mudança Climática (IPCC), que recebeu em 2007 o prêmio Nobel da Paz junto do ex Vice-presidente estadunidense Al Gore, quem recomendou um recorte entre 25 e 40 por cento com relação aos níveis de emissão de 1990, informa-nos o telex.


Brown estima que os dados utilizados pelo IPCC estão desatualizados, visto que seriam de há dois anos. Estudos mais recentes indicam que a mudança climática se está acelerando, disse.Ainda que confia em que o IPCC modificará essa recomendação no seu próximo relatório, assinalou que será difundido em cinco ou seis anos. "Tarde demais, temos que agir já", garantiu Brown.


O Plano B 3,0 de Brown recomenda medidas para chegar a 80 por cento de redução nas emissões, que se baseiam fortemente no uso eficiente da energia, as fontes renováveis e a expansão do "escudo" de árvores do planeta. "A energia eólica pode cobrir 40 por cento da demanda mundial com a instalação de 1,5 milhões de novas turbinas de vento de dois megabytes. Embora o número parece elevado, cada ano se produzem 65 milhões de automóveis no mundo. Um alumiado mais eficiente pode reduzir o uso mundial de eletricidade em 12 por cento.


"Nos Estados Unidos, os edifícios comerciais e residenciais são responsáveis por 40 por cento das emissões de carbono. O seguinte passo deve apontar para a geração de eletricidade de forma não poluente para a calefação, refrigerar e alumiar as moradias. "O emprego de bio-combustíveis que se produzem utilizando grãos como o milho e a soja, empurram a subida dos preços desses alimentos e podem provocar uma escassez de comida desastrosa para os pobres do mundo.


"A adição anual de 70 milhões de pessoas à população mundial se concentra em nações onde as reservas de água se estão esgotando e os poços se secam, as áreas de florestas se reduzem, os solos se degradam e os campos de pastos se tornam desertos. "Ano após ano aumenta o número de `Estados inviáveis', que constituem um `alerta
prematuro da queda de uma civilização', comentou Brown.


"O aumento no preço do petróleo deve ser acrescentado à lista de problemas. Os países ricos terão tudo o que precisarem, ao passo que os pobres deverão reduzir seu consumo. "O crescimento da população e da pobreza demandam uma atenção especial do mundo desenvolvido. "O tempo é nosso recurso mais escasso", concluiu o prestigioso cientista. Não se pode expressar com mais clareza um perigo que paira sobre a humanidade.


Mas não é a única notícia que foi publicada depois da minha reunião com Lula. Há apenas dois dias, anatematizando e fazendo cacos o discurso de Bush ao Congresso, The New York Times, em seu editorial, expressou esta idéia numa linha: "Ao mundo civilizado o esperam perigos horripilantes."

A China, um país cuja superfície é 87 vezes maior que nossa ilha e no qual vivem 117 vezes mais habitantes do que em Cuba, acaba de ser açoitado por uma inabitual onda de frio que golpeou Xangai, a área mais desenvolvida, e ao resto da zona meridional e central desse grande país.


As autoridades informam sobre a emergência que os telex internacionais de Ocidente -AFP, AP, EFE, DPA, ANSA e outros- transmitem: "As fortes nevadas têm obrigado a fechar usinas térmicas e reduzir à metade as reservas do carvão, a principal fonte de energia do país, o que tem criado uma grave crise energética."


"…na zona mais afetada, sete por cento da energia total, deteve suas operações, salientou a Comissão de Energia. "…90 usinas, que produzem 10 por cento adicional da eletricidade de origem térmica, poderiam fechar nos próximos dias se não melhora a situação…


"As reservas de carvão ficaram reduzidas a menos da metade, advertem as autoridades…"O principal problema é o transporte. Mais da metade dos comboios se dedicam a transportar carvão, pelo que a paralisia da rede tem ocasionado muitos problemas, sublinhou Wang Zheming, perito da Comissão Estatal de Segurança.


"Wang lembrou que o transporte de carvão se enfrenta nestes dias à concorrência dos passageiros, pois devido às festas há um êxodo ferroviário de quase 180 milhões de pessoas em apenas um mês. "É difícil para China usar outra fonte de energia. O ideal seria o gás natural, mas os depósitos não são suficientes ainda, comentou o perito.

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