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Discutindo o PT

04.12.2018
 
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Acho que o PT,como partido, não tem porque fazer a tal autocrítica que a mídia vive lhe cobrando. Mas, acho também que os petistas deveriam ouvir mais as críticas que fazem ao seu partido e não concordando com elas, respondê-las de forma civilizada.


Eu nunca fui do PT, mas na maioria das vezes, votei com ele.Desde o segundo turno das eleições presidenciais contra o Collor, voto no Lula (no primeiro turno, votei no Brizola), depois na Dilma e agora no Haddad.


Votei no Olívio e no Tarso para o governo do Rio Grande do Sul e não me arrependi. 
Votei nos que ganharam para a prefeitura de Porto Alegre Olívio, Tarso e Raul e também nos que perderam, Maria do Rosário e Villa Verde.


Não votei essa vez no candidato do PT ao governo do Estado porque o achei ideologicamente frágil, preferindo o Robaina,que me disse ser comunista, mas votei, fechando os olhos, no Paim para o Senado.


Não tenho dúvidas que os governos Lula e Dilma foram extremamente benéficos para os trabalhadores, mas infelizmente também para os banqueiros, os empresários e à grande mídia.


Fundamentalmente, o PT perdeu a oportunidade histórica de conquistar para os trabalhadores não apenas o governo, mas também o poder, ou pelo menos, uma parcela dele.

Foi incapaz de mobilizar politicamente o povo, preferindo em vez disso os pactos espúrios e negociações nebulosas, onde se perdeu também a respeitabilidade de muitos dos seus líderes.

Mais do que isso, armou seus inimigos e em nome de um republicanismo que ninguém nunca respeitou no Brasil, entregou postos chaves no parlamento, no judiciário e na policia federal, para inimigos declarados.

Quando se armou a farsa do impeachment contra Dilma, o PT jamais convocou o povo para sair às ruas e defender seu mandato, preferindo acreditar nas negociações parlamentares.

Quando, um juiz articulado com o movimento golpista,mandou prender o presidente mais importante da história recente do Pais, o PT não protegeu seu líder e criador, preferindo aconselhá-lo a se entregar.

Agora, um obscuro capitão do exército, tosco, mal articulado e defensor das piores causas do mundo, montado num esquema fraudulento nas redes sociais,consegue derrotar o sociólogo, porta voz da esquerda democrática, porque até mesmo milhões de pessoas beneficiadas pelos planos de compensações sociais criados pelo PT, votaram nele.

O que deve ser defendida agora, não é a volta do passado.Precisamos esquecer essa visão sebastianista da história, para que se discuta a qual o melhor caminho para a conquista do poder pelos trabalhadores.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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