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Porque a Conlutas não participa da "Marcha"

04.12.2008
 
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Devemos exigir do governo Lula uma MP que garanta a estabilidade no emprego de todos os trabalhadores. Se ele socorreu os banqueiros com uma Medida provisória, porque agora não pode socorrer os trabalhadores? Não devemos aceitar a chantagem e a choradeira dos grandes empresários. Se eles perderam alguns bilhões com a queda das bolsas, ainda mantêm-se donos de um enorme patrimônio. O trabalhador, ao contrário, se perde o emprego, perde tudo, a começar pela fonte de sustento de sua família, Devemos exigir do governo a estatização das empresas que demitirem em massa, sem indenização e com controle dos próprios trabalhadores, para garantir a preservação do emprego.

É preciso acabar com a farra dos banqueiros e das multinacionais, estatizando todo o sistema financeiro sem indenização e com controle dos trabalhadores; suspendendo as remessas de lucro para o estrangeiro e o pagamento das dívidas externa e interna, utilizando estes recursos para investimentos em um plano de obras públicas (construção de moradias populares, hospitais, escolas, obras de saneamento básico, etc) que gerem emprego e melhoria das condições de vida da população. É preciso reduzir a jornada de trabalho, sem redução salarial, para garantir emprego a todos; assegurar a manutenção dos direitos trabalhistas e sociais de todos os trabalhadores. Não aceitaremos reforma trabalhista ou previdência. Vamos intensificar a campanha pelo fim do Fator Previdenciário e contra a idade mínima para a aposentadoria.

Queremos sim, uma reunião com o presidente Lula, mas para efetivamente apresentar todas estas propostas e exigências dos trabalhadores; e para cobrar o fim do subsídio bilionário que o governo tem dado aos bancos e empresas, com dinheiro público.

E precisamos sim da unidade para enfrentar esta situação. Mas unidade dos trabalhadores, para a luta em defesa dos seus direitos e interesses, contra os patrões e o governo. Não precisamos de um pacto social com empresários e governo e sim de uma luta sem trégua contra eles, para defender o emprego e os direitos dos trabalhadores; para fazer com que os bancos e grandes empresas paguem o preço da crise.

E se a unidade para a luta é uma necessidade dos trabalhadores, a Conlutas vai continuar a defendê-la. Por isto reafirma seu chamado a CUT, a CTB, a Força Sindical, para que rompam com o governo e venham construir a unidade dos trabalhadores na luta em defesa do emprego e dos seus direitos que estão sob ataque neste momento. Esta é a unidade que a classe trabalhadora precisa, e a unidade que a Conlutas quer construir.

Zé Maria é diretor da Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais e participa da Coordenação Nacional da Conlutas.

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