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Video mostra que no espaço aéreo há "pontos cegos"

04.12.2006
 
Video mostra que no espaço aéreo há "pontos cegos"

Um vídeo exibido por um  programa da TV Globo neste domingo (3), feito nesta semana no Cindacta1, centro de controle de tráfego aéreo em Brasília, confirma a existência de um ponto cego no céu da Amazônia, local do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy.

A reportagem do "Fantástico" mostrou a tela de um controlador de vôo no momento em que aeronaves desapareceram do radar. Três aviões estavam indo de Brasília em direção a Manaus em uma rota muito utilizada pelos vôos que vão para os Estados Unidos. Era a rota usada pelo Legacy no dia da colisão. O vídeo mostra que duas das aeronaves sumiram do radar na mesma região do acidente entre o Legacy e o avião da Gol.

De acordo com um controlador de vôo, que concedeu entrevista sem se identificar, os aviões que passam pelo ponto cego ficam cerca de 15 minutos no local. A Aeronáutica diz que os aviões, mesmo sem acompanhamento por radar, continuam se comunicando com Brasília pelo rádio. A reportagem do "Fantástico" detectou, no entanto, que a comunicação pode falhar. O vídeo mostra um piloto da TAM que teve dificuldade para se comunicar com Brasília.

Sobre a reportagem do "Fantástico", a Aeronáutica disse lamentar que "pessoas mal intencionadas forneçam informações fora do contexto com o intuito de desinformar a sociedade".

Dia do acidente

Era uma sexta-feira, dia 29 de setembro de 2006. Sete controladores de vôo e dois supervisores trabalhavam no Cindacta 1, em Brasília. O vôo 1907 um boeing da Gol, tinha levantado vôo de Manaus com destino a Brasília. No começo da viagem, o Cindacta de Manaus era responsável por acompanhar o avião. Sobre a Amazônia, a aeronave, como de praxe, trocou de comando e passou a ser vigiada por Brasília.

Os controladores, então, perceberam que o avião da Gol não estava no radar. "Na outra console do lado, um dos controladores tinha recebido a informação que o november 600 (o Legacy) tinha pousado em Cachimbo (Serra do Cachimbo) em emergência porque havia colidido com alguma coisa a 37 mil pés... e a aeronave informou que não tinha certeza com o que colidiu. Os controladores começaram a perceber que a única aeronave que tinha naquela altura era o Gol", contou o controlador ao "Fantástico".

Segundo o controlador, quarenta minutos depois o Cindacta 1 recebeu uma ligação de uma rádio amazônica informando que viu uma bola de fogo em meio ao matagal.

Provas da falha técnica
O advogado Normando Augusto Cavalcanti Júnior, que representa os controladores de vôo, disse ao "Fantástico" ter provas de que um programa de computador que lê os dados do radar falhou.

Segundo os controladores, o computador indicava que o Legacy estava a 36 mil pés de altura e o Boeing da Gol, a 37 mil pés. "Temos prova testemunhal e documental com relação à falha do sistema da aparelhagem da Aeronáutica. (...) É o software que está errado, que induz o controlador de vôo a erro", disse o advogado ao repórter do "Fantástico".

Cavalcanti Júnior afirmou que, se as aeronaves tivessem realmente a mil pés de diferença, o acidente não teria ocorrido. "O problema é que, para os controladores de vôo, o Legacy estava no nivel 360, ou seja, 36 mil pés. Então é uma situação normal... Um ia passar em baixo e outro ia passar acima."

Globo


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