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Brasil nega enriquecimento de urânio do Irã

04.02.2010
 
Brasil nega enriquecimento de urânio do Irã

A declaração do diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluindo o Brasil entre os países que o governo do Irã aceitaria enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre seu possível uso militar, conforme proposta feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, surpreendeu as autoridades brasileiras.

A informação está sendo transmitida por agências internacionais de notícias dando conta de que Salehi disse que a preferência para enriquecer o urânio iraniano seria por um país da Ásia, possivelmente o Japão, mas citou a França e o Brasil como opções. "Estamos negociando com esses países", disse o diretor da agência iraniana de energia atômica à agência oficial de notícias Ilna.

A afirmação de Salehi causou surpresa em Brasília onde o ministro das Relações Exteriores, chanceler Celso Amorim, através de sua assessoria de imprensa, afirmou que "Em nenhuma das conversas mantidas pelo governo brasileiro com o Irã foi tratada a possibilidade de enriquecimento do minério iraniano no País".

O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho, também rejeitou a possibilidade de um convênio nesse sentindo, lembrando que a produção atual da INB ainda não é capaz de atender nem sequer à demanda brasileira.

As declarações do chefe do programa nuclear iraniano ocorreram após o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, admitir pela primeira vez a possibilidade de enviar urânio com baixo nível de enriquecimento (3,5%) para ser enriquecido a 20% em outro país, uma das exigências da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para aceitar o programa nuclear iraniano.

No Itamaraty, a versão de que o País poderia se envolver nesse esquema, como forma de permitir um acordo entre Teerã e o Ocidente, originou-se de distorções das declarações de Salehi. Segundo um diplomata brasileiro, o governo está disposto a atuar em outra frente, a da recuperação da confiança entre o Irã e o Ocidente.

Com o objetivo de resgate da credibilidade, autoridades brasileiras puseram-se em estreito contato com os governos francês e americano e com outros países. Celso Amorim, por exemplo, chegou a falar, por telefone, com os ministros dos Negócios Estrangeiros do Irã, Manouchehr Mottaki; da Turquia, Ahmet Davutoglu; e com o chanceler da Federação Rússia, Serguei Lavrov.

Celso Amorim já tinha afirmado em Paris que o Ocidente deveria insistir na discussão do acordo de troca de urânio enriquecido por combustível nuclear com o Irã e Ahmadinejad mostrou-se disposto a aderir à proposta da AIEA.

Mas o anúncio de Ahmadinejad foi recebido com ceticismo pelo grupo dos cinco países do grupo permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas mais a Alemanha. O motivo para a cautela é a constante mudança de posições do regime de Teerã. Em outubro de 2009, o Irã concordou com os termos da proposta do Conselho de Segurança da ONU, mais em janeiro voltou atrás.

ANTONIO CARLOS LACERDA

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