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Milton Temer: O 2009 que se foi. O 2010 que esperamos

04.01.2010
 
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Milton Temer: O 2009 que se foi. O 2010 que esperamos

Janeiro de 2010. Tempo de balanço do ano que findou. E de projeção sobre planos e perspectivas para o que já está em curso. Inevitável ritual do óbvio.

Pior, porque, tanto pelo quadro conjuntural nacional quanto pelo internacional, os fatos projetam uma visão pouco auspiciosa no encerramento da primeira década do milênio, a partir do que se registrou em 2009. Não foi positivo o balanço do que ocorreu, no Brasil e no mundo, durante este ano. O que faz prever tempos de pessimismo para o período que se anuncia. A despeito, é claro, do oba-oba da publicidade oficial, que joga tudo para cima, pois outra coisa é a vida real.

Se começamos pelo cenário mundial , que mudanças fundamentais - para além das simplesmente formais no âmbito restrito dos métodos de aplicação - do governo Bush ao primeiro ano de administração Obama? Sem medo de errar, podemos afirmar que vai tudo como dantes no quartel de Abrantes. Com mais charme e menos fundamentalismo religioso, mas no essencial tudo como dantes...

No aspecto regional, a situação só se agravou. Continua o bloqueio a Cuba, com todas as suas perversidades, assim como a ocupação militar do Haiti, onde o papel da diplomacia brasileira, e do nosso Exército, transformado em policia de repressão em comunidades miseráveis, deixa transparecer uma mancha irreparável em nossas ditas instituições republicanas. E, por fim, mas não com importância menos grave, o Plano Colômbia, com uma implementação qualitativamente condenável. Obama foi mais longe do que Bush neste ponto. E o reforço brutal de uma base militar na fronteira com a Venezuela veio a comprovar a falácia das promessas de Uribe quanto ao auxílio norte-americano se limitar ao combate interno ao narcotráfico. É pura ameaça de intervenção militar na região, nos termos em que os Estados Unidos continuam a operar em diversos pontos do mundo, quando constatam perda de controle sobre seus interesses estratégicos e seus governantes fantoches.

Não se pode omitir também o registro do caráter dúbio da participação norte-americano no episódio do golpe em Honduras contra o presidente Zelaya. Começaram marcando presença na denúncia, para encerrar a pantomima legitimando o processo circense na substituição do grotesco Micheleti.

Se passarmos aos conflitos bélicos em curso , o destaque vai para a parcialidade criminosa de Obama-Hillary Clinton em relação à ocupação da Palestina pelo governo sionista de Israel. Uma parcialidade que resulta em absoluta permissividade com a ação agressiva do premier Netaniahu na política expansionista que não cessa de empreender contra populações civis de Gaza e da Cisjordânia. Com a colagem do epíteto de terroristas aos atos de legítima defesa de suas populações pisoteadas.

No Afeganistão, o recente acréscimo de tropas de ocupação para a cobertura ao corrupto governo Karzai comprova a manutenção do conceito Bush de presença militar ostensiva como instrumento de defesa dos interesses do grande capital norte-americano. Ameaçando repetir ali o fracasso da ocupação e do desgaste político, material e moral dos Estados Unidos na operação destrutiva do Iraque.

No plano econômico , não é menos preocupante o que se apresenta. Ainda não voltaram aos cofres públicos os trilhões de dólares e euros despendidos pelos governos das principais potências capitalistas - e também do Brasil, embora só estivéssemos submetidos a mera marolinha - , na salvação dos grandes bancos privados em todo o planeta. Salvação após grave crise gerada por suas próprias práticas especulativas criminosas, cuja ressurreição, aqui e acolá, já começa a ser registrada por economistas competentes, não participantes das caixinhas de suspeitas e sempre prósperas consultorias.

A propósito, vale a recuperação de trecho do artigo publicado, sobre o tema, neste portal da Fundação Lauro Campos, na primeira semana do mês de agosto:

"Bancos; quem são os ladrões?

Os que os assaltam ou os que os fundam? - 020809

A notícia é de 24 de julho. Relatório da ONU tornava público um dado estarrecedor. Por conta da intervenção dos governos das principais potências capitalistas, visando cobrir os rombos que o sistema financeiro mundial gerara por sua própria ação criminosa na busca insaciável do lucro especulativo, os banqueiros de todo mundo teriam recebido, em um ano, quase vinte vezes mais do que os países pobres nos últimos 50 anos. Isso mesmo; US$ 18 trilhões originados dos tributos dos cidadãos foram desviados para o bolso da grande agiotagem capitalista, em apenas um ano. Enquanto isso, aos países pobres, espoliados em suas riquezas naturais; rapinados por juros extorsivos provenientes de dívidas ilegalmente produzidas; expropriados de seus parcos parques de empresas públicas estratégicas por conta da década da privatização "modernizadora" imposta pelo Consenso de Washington, eram destinados míseros US$ 2 trilhões. E atenção; não em um ano, mas ao longo dos últimos 50 anos."

Pois é; a despeito de tudo isso, e como ressaltamos acima, já se identificam os novos sinais, no ambiente do famigerado "mercado", de manobras que retomam todos os riscos especulativos geradores da quebradeira de lembrança ainda bem fresca em todos os países.

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