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Pescado teve redução no preço de até 15%

03.09.2008
 
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Pescado teve redução no preço de até 15%

Brasil: Ministro da Secretaria de Aqüicultura e Pesca (Seap), Altemir Gregolin, falou na quinta-feira (28) ao programa Bom Dia Ministro, produzido pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Na entrevista com jornalistas, com duração de uma hora e transmitida para rádios de todo o País, Gregolin abordou temas como o aumento da produção de peixe, a redução do preço do produto e a criação da Embrapa Aqüicultura e Pesca. Leia abaixo os principais trechos editados pelo Em Questão.


Consumo do peixe - Ao elevar o consumo, temos condições de aumentar a produção, gerando emprego e renda. Existem três questões relacionadas ao consumo de peixe que estão aquém do desejado. O brasileiro consome em média sete quilos por habitante em um ano, enquanto a Organização Mundial recomenda 12 quilos por ano e a média mundial é de 16 quilos. Primeiramente, temos várias opções de proteína animal, o que faz com que o brasil eiro tenha condições de optar, analisando o preço e outras questões. Em segundo lugar, o preço médio do pescado, historicamente, tem sido superior ao de outras carnes. Isso está mudando.

Nos primeiros seis meses deste ano, observamos um crescimento no preço de outras carnes, como a bovina, que chegou a quase 15%. Enquanto isso, o pescado teve redução de 1% no preço, em algumas espécies essa queda chegou a 15%. É o caso, por exemplo, do camarão. Há uma mudança em curso. O pescado passa a ter mais competitividade em relação a outras carnes, começando a chegar de forma mais permanente na mesa do brasileiro. A terceira questão é que a rede de distribuição de pescado não é tão eficiente quanto as outras. Quantas lojas de venda de carne bovina existem em uma cidade e quantas peixarias? Por isso, estamos trabalhando para estruturar a cadeia produtiva através de um sistema de distribuição eficiente. Neste ponto, a parceria com os supermercados brasileiros é fundamental, assim como a reestruturação dos mercados de peixe e os investimentos na Ceagesp, em São Paulo. Vamos inaugurar uma nova área de pescado, investindo quase R$ 2 milhões.

É o maior entreposto da América Latina. Estamos reformando a cadeia produtiva como um todo, desde a captura, passando pelo beneficiamento, distribuição, comercialização, até chegar à mesa do brasileiro. Já começamos a trabalhar para encurtar a distância entre o pescador e o consumidor. Com isso, garantiremos maior qualidade do pescado e preço mais acessível. Ao mesmo tempo, criamos condições para que o pescador tenha uma renda melhor. Portanto, temos uma meta de aumentarmos o consumo de sete para nove quilos anuais por habitante com crescimento de 35% na produção nesses quatro anos.


Ampliação da aqüicultura - A aqüicultura é onde o Brasil tem mais potencial. Produzimos hoje um milhão de toneladas de pescado, mas temos condições de chegar a 20 milhões de toneladas através da aqüicultura, tanto por meio da mar icultura, que é a produção de ostras, mariscos e mexilhões, quanto pela psicultura em água doce.

Temos uma série de espécies extremamente nobres, como é o caso do tambaqui e do pintado. Há também a tilápia, que é o frango das aves, e o pirarucu, espécie da região amazônica que chega a dez quilos em um ano de vida. Dominamos a tecnologia do beijupirá, espécie nova em que os primeiros empreendimentos estão sendo lançados agora. Ou seja, temos espécies nobres, água, clima e acúmulo de tecnologia. É importante dizer duas coisas para mostrar a nossa preocupação com o desenvolvimento da aqüicultura. A primeira é que resolvemos o problema da cessão das águas da União. Ou seja, até agora, as poucas espécies que cultivamos na costa marítima são produzidas de forma irregular e precária. Não têm o título de cessão e licença ambiental e, conseqüentemente, não têm acesso a crédito.

Resolvemos isso no início deste ano. O produtor está recebendo um título que dá direito de produzir por até 20 anos. Isso dá segurança jurídica, acesso ao crédito e licença ambiental, outorga da Agência Nacional de Águas e assim por diante. Resolvemos um grande entrave que vai significar um impulso bastante importante na produção cultivada na costa marítima e também em reservatórios. A segunda questão é que o presidente Lula anunciou a criação da Embrapa Aqüicultura e Pesca.

Embrapa - Finalmente teremos uma instituição respeitada, como a Embrapa, para desenvolver pesquisas, coordenar um plano nacional, incluindo não só as unidades da Embrapa, como também as universidades e demais instituições que desenvolvem pesquisas. Isso, seguramente, vai impulsionar o processo de produção. Queremos fazer com que o Brasil, da mesma forma que desenvolveu a cadeia produtiva do frango, do bovino, do suíno - que hoje são altamente competitivas em nível internacional -, desenvolva a cadeia produtiva do pescado.


Peixe x carne bovina - A produção e consumo de carne bo vina já são consolidados no Brasil, além de ser um produto de importação muito importante. Não vejo possibilidade de conflito (estímulo do aumento do consumo do peixe criar indisposição com criadores e comerciantes de carne). Até porque, no passado, o governo estimulou o aumento da produção, investiu em tecnologia e políticas para desenvolver essa cadeia produtiva da carne bovina, como também foi o caso do frango e da carne suína. Agora, o Estado decidiu investir no desenvolvimento da cadeia produtiva do pescado, já que anteriormente ela não teve essa priorização. Esse investimento é em nome do desenvolvimento do potencial que o Brasil tem nessa área do pescado, com a quantidade de água e espécie que temos, para gerar trabalho, emprego e renda. Acredito, inclusive, que haja uma complementaridade entre essas cadeias produtivas.

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