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Luiz Inácio da Silva: A quem se deve um grande "acerto" e vários enganos

03.01.2019
 
Luiz Inácio da Silva: A quem se deve um grande

Luiz Inácio da Silva: A quem se deve um grande "acerto" e  vários enganos

Luiz Inácio da Silva - um sindicalista carismático dotado de uma superior percepção política - não vê, no entanto, tal apurado senso político ser complementado por uma comparável sensibilidade psicológica que o torne capaz de escolher parceiros aptos a lhe devotar irrestrito apoio pessoal e/ou prontos a desempenharem-se irreprochavelmente no âmbito da  administração pública.

Luiz Inácio da Silva - um sindicalista carismático (1) dotado de uma superior percepção política - não vê, no entanto, tal apurado senso político ser complementado por uma comparável sensibilidade psicológica que o torne capaz de escolher parceiros aptos a lhe devotar irrestrito apoio pessoal e/ou prontos a desempenharem-se irreprochavelmente no âmbito da administração pública.

Iraci del Nero da Costa *

Os resultados desse desencontro muito têm custado a seu patrono, o qual, em termos aparentemente contraditórios, mostra-se altamente querido pelos eleitores brasileiros ainda que encarcerado por ações de corrupção. Vejamos, pois, alguns exemplos do choque apontado acima entre percepção política e sensibilidade psicológica.

A experiência como sindicalista aliada ao seu atilado espírito político juntamente com a insatisfação popular fizeram-no alcançar a presidência da República a qual, exercida em um momento econômico externo e interno muito favorável, tornaram-no, com a sagaz condução do Bolsa Família, um presidente considerado pela massa popular como o melhor dentre todos que o precederam. Distingue-se aqui seu grande acerto.

Tal apego do eleitorado o conduziu ao segundo mandato e tornou possível que Luiz Inácio acreditasse estarem abertas a ele e a seu partido todas as portas da vida política. Tudo aparentava ser de fácil consecução inclusive o aparelhamento do Estado; os acordos indecorosos com empresas privadas e com políticos desgastados pela história como José Sarney, Fernando Collor e Paulo Maluf; ainda mais, a corrupção poderia ser desencadeada sem qualquer limite ou cuidado! (2) Eis exposto o primeiro e gravíssimo engano de alguém que se julgou intocável, pois cometeu, entre outros, o equívoco de não considerar a existência do poder Judiciário, um poder autônomo capaz de julgar e prender mesmo quem é definido pelo eleitorado como o melhor dos presidentes que já tivemos.   

Ademais, seus eleitores fizeram-no crer ser dispensável a luta por um terceiro mandato pois, ao que tudo indica, e aqui vai um segundo ponto negativo de sua experiência, acreditou ele que faria com facilidade seu sucessor e, calcado na lealdade de seu acólito - o qual poderia ser escolhido aleatoriamente entre os membros de seu partido - voltaria à presidência tão logo terminasse o primeiro mandato do fantoche escolhido por seu sábio discernimento.

Estas últimas palavras representam a consagração de seu grave engano de caráter psicológico. Como sabido, Dilma Rousseff, a sucessora escolhida, negou-se a abdicar da reeleição deixando de lado seu mestre o qual, como se passou a designar os desconhecidos selecionados por Luiz Inácio, a havia levantado como um poste a ser eleito. Fica evidente, assim, a imperícia dele para analisar a personalidade e a lealdade de seus "postes", pois Dilma, além de traí-lo, sofreu impeachment e jogou o Brasil na pior de suas recessões.

Fato não muito diferente deu-se com a péssima administração devida a Fernando Haddad o qual foi designado por Luiz Inácio como o poste o qual deveria se responsabilizar pela prefeitura de São Paulo. Este não o traiu, mas, por desempenhar-se mediocremente como prefeito paulistano, não conseguiu reeleger-se, perdendo a eleição logo no primeiro turno para um elemento sem vida política pretérita. Mais uma vez evidencia-se a incapacidade de Luiz Inácio com respeito às pessoas que se apresentam como seus postes! Haddad definiu-se, assim, como mais um engano do mais prestigioso dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT).

Lembremos, por fim, que Luiz Inácio, mesmo preso, era o preferido do eleitorado para a presidência da República; porém, impedido de se candidatar, não conseguiu transferir seu prestígio e seus votos para F. Haddad, candidato que foi definido pelo PT como seu substituto na mais recente eleição presidencial.     

NOTAS

1. A experiência proporcionada por sua postura sindicalista levou-o, juntamente com outros aspirantes à vida política, a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT) o qual se dizia socialista. Não obstante, tão logo seu líder máximo chegou à presidência da República tal ideal socialista foi esquecido e o PT e seus dirigentes entregaram-se às mais nefandas práticas políticas e delituosas.

2. Sobre os deslizes do PT e de seus dirigentes assim como sobre o contributo desse partido para a ascensão de Jair Bolsonaro recomendamos a leitura do livro: COSTA, Iraci del Nero da. Um pouco de nossa história recente. São Paulo, 2016, livro com caráter exclusivamente virtual.

Disponível em: http://usp-br.academia.edu/IraciCosta .  

 

* Professor Universitário aposentado.

 


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