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Air France quer fugir da responsabilidade pela queda do vôo 447, que matou 228 pessoas no Atlântico, em 2009

02.12.2010
 

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente Internacional

PARIS/FRANÇA (PRAVDA.RU) - A companhia aérea Air France está querendo fugir da responsabilidade pela queda do vôo 447, que em 1º de junho de 2009, depois de decolar do Rio de Janeiro, no Brasil, com destino a Paris, na França, caiu em águas internacionais do Oceano Atlântico, matando todos os 228 passageiros e tripulantes que estavam dentro do avião.

A Air France pretende transferir a responsabilidade judicial à Airbus por um suposto defeito que causou a queda da aeronave, segundo um relatório que a companhia entregou no final de setembro à juíza Sylvia Zimmermann, que investiga o acidente na França.

No relatório, a Air France mostra detalhes de que a Airbus teria negligenciado os alertas sobre os incidentes que ela (Air France) vinha verificando com as sondas 'Pitot'. Essas sondas, que medem a velocidade e são fabricadas pela companhia francesa Thales, não funcionaram quando o avião caiu no Atlântico após terem ficado cobertas por uma camada de gelo.

A Air France alega que os aparelhos já tinham apresentado o mesmo tipo de problemas em cerca de 15 ocasiões nos dez meses que precederam o acidente em outros de seus aviões e afirma ter advertido a Airbus.

No relatório entregue à juíza Sylvia Zimmermann, o advogado da Air France, Fernand Garnault, diz que os inúmeros avisos enviados ao fabricante ficaram 'sem recomendações nem soluções permanentes que resolvessem esse problema', apesar do 'caráter crítico e da periculosidade dos defeitos'.

Garnault justifica a pertinência do relatório pelo 'caráter injusto' dos ataques feitos à Air France por parte das famílias das vítimas e dos pilotos, que criticam o fato de não ter sido 'feito nada' para resolver os problemas com as sondas.

De acordo com as mensagens trocadas entre a Air France e a Airbus, a companhia alertou o fabricante do avião pela primeira vez no dia 30 de julho de 2008, após ter constatado dois incidentes em maio e julho daquele ano.

Em setembro de 2008, a empresa fez outro alerta, no qual dizia que os inúmeros casos ocorridos em quatro meses representavam 'uma grande inquietação para Air France'.

A Airbus confirma que 'a causa fundamental (dos incidentes) é o bloqueio da sonda 'Pitot', devido a uma rápida acumulação de cristais de gelo', mas tranquiliza o cliente insistindo que as sondas 'cumprem ou superam as exigências regulamentares'.

O fabricante desaconselha a troca das sondas da Thales pelas da americana Goodrich porque não haviam sido feitos testes e não seria possível substituí-las em todos os aviões, e propõe utilizar um novo modelo também da Thales. Após o acidente, as autoridades européias da segurança aérea decidiram substituir as sondas da Thales pelas da Goodrich.

O relatório da Air France é mais uma manobra que integra os procedimentos judiciais que devem culminar no estabelecimento de responsabilidades e na fixação de indenizações para as famílias das vítimas.

A Justiça brasileira já opinou no caso de uma delas e condenou a Air France a pagar R$ 2,64 milhões. No Brasil há cerca de 40 processos abertos, e outros tantos nos Estados Unidos, onde os tribunais chegam a estabelecer indenizações de até R$ 9,2 milhões por pessoa.

Enquanto isso, o Governo da França anunciou que em fevereiro iniciará uma nova operação de buscas pelos restos do vôo 447 da Air France, a quarta a ser efetuada. Nas três primeiras buscas, foram recuperados restos do avião e 50 corpos, mas, ficou faltando as caixas-pretas da aeronave, instrumentos fundamentais para se esclarecer as circunstâncias e causas do acidente.

Em suas conclusões, os investigadores apontaram que o problema das sondas de velocidade pode ter influído na queda do avião, mas que esse motivo por si só não permite explicar a tragédia.

Famílias das vítimas, que se reuniram com funcionários do Governo da França e da agência de investigação de acidentes aéreos, questionaram a forma como a terceira fase das buscas ocorreu.

As equipes de busca desistiram em maio de buscar as caixas-pretas. Localizá-las seria crucial para que técnicos e parentes entendam por que o avião da Air France caiu em pleno vôo, durante uma tempestade equatorial.

Especulações sobre a causa do acidente focam o possível congelamento dos sensores de velocidade da aeronave, que aparentemente apresentaram leituras inconsistentes antes de o avião desaparecer.

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU no Brasil.

 


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