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Crise Política, Econômica e Midiática: Sinuca de Bico no Brasil

02.06.2017
 
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As evidências de que a Operação Lava Jato e o crico midiático armado não promovem a propalada limpeza moral no Brasil somam-se semana a semana, sendo que apenas os cérebros mais eficientemente lavados pelos grandes meios de imbecilização das massas não são capazes de enxergar.

por Edu Montesanti

Nas últimas semanas, fica claro isso pelo simples fato de que a abordagem midiáticas dos amplos protestos populares não se dão apenas contra a corrupção, mas, e talvez ainda mais intensamente, contra as medidas neoliberais adotadas por um governo fantoche dos Estados Unidos. E esta é a essência da Lava Jato: cumprir uma agenda que desmonte o Estado brasileiro, a começar pela Petrobras.

Não se trata, com estas afirmações, de uma tentativa de aprovar uma PEC a fim de substituir o verde e amarelo de nossa "sagrada bandeira" pelo vermelho do diabo, como berram os setores reacionários tupiniquins contra toda e qualquer oposição, especialmente a que preza por nossas riquezas naturais. 

Alguns motivos que a população em geral não foi informada pelos grandes meios: a revelação WikiLeaks, em 2016, de que Michel Temer tem atuado como informante da CIA; o juiz Sergio Moro possui vínculos com Washington sem nunca ter. ele mesmo, tornado isso público; o senador Aloysino Nunes (PSDB-SP), um dos arquitetos do golpe contra Dilma Rousseff e homem forte de Temer, esteve secretamente em Washington às vésperas da aprovação do impedimento contra a ex-presidente; o próprio desmonte, sob conivência dos "patriotas" e "combativos" grandes meios e classes dominantes nacionais, da Petrobras e de empresas nacionais - mesmo as metidas em corrupção, em nenhum lugar do mundo seriam atacadas como as brasileiras estão sendo, pelo contrário, limitar-se-iam a punir os envolvidos com "maracutaias". Além da seletividade e arbitrariedade que apenas reforçam a cultura da injustiça e da discriminação no Brasil (no caso de Lula, o fato de ser nordestino da roça certamente influencia o ódio contra ele, assim como Dilma por ser mulher, embora, vale ressaltar, este autor jamais apoiou os governos petistas, e apoie, sim, investigação inclusive contra o dueto mencionado).

Uma "Justiça" risível, para dizer o mínimo, que assombra juristas em todos os cantos do planeta, uma grande mídia irregenerável, tão golpista quanto em 1964, uma sociedade com mentalidade fortemente elitista (mesmo entre as camadas populares), especialmente as classes média e alta, donas de histeria, ignorância e agressividade ímpares no mundo (sem exagero, e isso estamos, uma vez mais, comprovando).

Pois a sinuca tupiniquim forma seu bico mais agudo justamente entre os setores "progressistas". Note-se que a grande "proposta", especialmente do PT, é retomar o poder. Assim como a "Justiça" e a grande mídia, não se fala em reforma agrária, judicial, política, midiática e econômica em favor da sociedade, além da punição dos ex-ditadores militares - o que dá a certeza de que lições não foram tiradas e, portanto, a essência continua a mesma: o poder pelo poder.

Lembre-se que, a respeito da Comissão da Verdade instalada apenas para se recontar a história da ditadura, não para julgar e condenar como deveria ser feito no Brasil, Lula "tirou o time de campo": "Passado é passado", ou seja, esqueçamos tudo! "Povo que esquece seu passado, está condenado a vivê-lo novamente": não se precisava ter ciência destas palavras proféticas do jurista argentino Nicolás Avellaneda, proferidas nos idos do século XIX, para prever que novos golpes contra a democracia sempre estiveram latentes no País do imponderável.

Se algo estivesse para acontecer no Brasil, efetivamente para mudar em favor do povo este cenário altamente preocupante, a sociedade já estaria nas ruas há muito sem dela ter saído como fazem, bravamente, nossos vizinhos; já teria havido greves gerais de períodos muito superiores às 24 horas. Mas a sociedade anda estacionada, em grande medida, também por (ir) responsabilidade da velha esquerda, em geral, apática, inerte, mesquinha, sisuda, cafona, politiqueira fechada em seus interesses político-partidários e suas teorias políticas; sempre andou muito distante da sociedade, e esse quadro não se muda repentinamente - e se mudar, se a sociedade for politizada e não apenas consumidora como fez o PT, inclusive os barões de uma falsa esquerda cairão, e eles sabem bem disso.

 

Pois vozes como estas, de luta popular autêntica, de reformas profundas nas relações de poder sobretudo, sempre foram sufocadas pelo PT, que as ridicularizava - quem se lembra que o "intelectual" petista Emir Sader, em 2014, qualificou os sem-teto de São Paulo que protestavam pelos gastos com a Copa do Mundo de "cachorros vira-lata"? Agora, ironia do destino, essa "esquerda", ""sabida" e "moderada" necessita desesperadamente dos "ultrarradicais" que outrora ela mesma, em aliança com as podres oligarquias, patrulhou e agrediu de diversas maneiras.

 

Do jeito que o circo está armado, não há saída ao Brasil.

 


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