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Recorde sexual

02.03.2017
 
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Segundo terapeutas americanos e canadenses, o tempo de duração de uma relação sexual, considerada ideal deve ser entre 7 e 10 minutos, embora um estudo sobre o comportamento sexual de casais no mundo inteiro, tenha mostrado que os brasileiros informam que suas transam chegam a durar 20 minutos

Estou me preparando para no próximo mês de abril quebrar o recorde mundial de duração de um intercurso sexual e assim entrar para o Livro dos Recordes do Guinness Book.

Calma, que eu explico.

Segundo terapeutas americanos e canadenses, o tempo de duração de uma relação sexual, considerada ideal deve ser entre 7 e 10 minutos, embora um estudo sobre o comportamento sexual de casais no mundo inteiro, tenha mostrado que os brasileiros informam que suas transam chegam a durar 20 minutos, perdendo apenas para os gregos, que dizem gastar nessa atividade cerca de 27 minutos.

Nada comparado com o reino animal. No seu livro Bufo & Spallanzani, Rubem Fonseca diz que um sapo tem intercurso sexual que dura uma hora, embora perca longe para uma família de besouros que transa durante 56 horas seguidas.

Aliás, entre os animais, o comportamento sexual é as vezes, bastante bizarro. Uma leoa no cio, por exemplo, transa  140 vezes por dia, ou seja, uma média de uma transa a cada 15 minutos.

Interessado pelo tema, consultei  os editores ingleses do Guinness Book sobre os recordes já homologados nessa área sexual.

Depois, quem estiver ainda me lendo, vai saber a razão da curiosidade.

Existem registros sobre o pênis mais longo, o maior número de orgasmos, a maior orgia do mundo (250 casais de japoneses) e a mulher com o maior número de transas num só dia (a atriz pornô americana Lisa Spar, que atendeu a 919 homens), mas nada sobre a transa mais demorada do mundo

Nesse ponto entra a minha história.

Há exatamente 37 anos, no dia  4 de abril de 1980, em Porto Alegre, iniciei o que tecnicamente se chama de um intercurso sexual, com uma amiga e que teve, por razões de força maior, de ser interrompido antes que chegasse a sua conclusão.

Perguntei aos editores do Guinness Book, se o tal intercurso fosse reiniciado nesse ano de 2017, poderia ser considerado com a duração de 37 anos e inscrito no livro dos recordes.

Depois de uma longa espera, recebi semanas atrás a resposta: caso eu pudesse comprovar o início do processo em 1980, através de algum depoimento e concordasse com a gravação de imagens da continuação do evento em abril de 2017, o recorde poderia ser homologado.

Nessa altura é preciso explicar a causa da interrupção em 1980.

Naquele ano, no dia 4 de abril, eu levava essa amiga a sua casa. No momento das despedidas, pelo fato de sermos  bastante jovens, sujeitos à rápida excitação, passamos das despedidas normais de um casal de amigos para a troca de caricias cada vez mais intensas, chegando ao tal intercurso sexual,  realizado em condições bastante adversas - de pé no hall de entrada do edifício - e que teve que ser interrompido pelo barulho de passos nas escadas e por uma luz que se acendeu no corredor.

Antes de contatar aquela velha amiga, que eu sabia hoje ser uma mulher casada e empresária de sucesso na cidade, procurei a síndica daquele prédio onde ocorreu o coito interrompido (coitus interruptus, em latim), para saber se ela tinha memória do ocorrido.

Surpreendentemente, ela lembrava o episódio e mais, fez uma afirmação que não pretendo levar ao conhecimento da minha amiga

- Era um escândalo. Ela vivia trepando no corredor com seus amigos.

Confirmado o início, com a síndica se dispondo a declarar por escrito o ocorrido, precisava convencer agora a minha amiga a retomar, 37 anos depois, o que tínhamos iniciado e não terminado.

Surpreendentemente, ela concordou com isso e fez mais, disse que estava feliz em poder concluir uma história que havia começado tão bem. Faltava agora levar à noticia, ela para o seu marido e eu, para uma nova namorada, a qual eu pretendia ser fiel.

 Uma semana depois, ela me ligou dizendo que seu marido, não só tinha concordado, mas além disso, afirmara que seria um orgulho para nós, que um brasileiro conseguisse esse recorde.

Com minha namorada foi mais difícil, mas acho que chegamos a um acordo.

Como ela é fotógrafa, ele exigiu ser a encarregada de documentar o evento.

Então, no dia 4 de abril, estarei patrioticamente, procurando colocar o Brasil em mais uma importante liderança nessa área comportamental.

Obviamente, 37 anos depois, não teríamos condições de completar o processo nas condições que foi iniciado naquela ocasião. Assim, já reservamos acomodações num hotel cinco estrelas e eu estou me preparando com exercícios diários e uma alimentação controlada, não excluindo ainda o uso de algum apoio químico na hora H do dia D.
Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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