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Analista diz que Angola quer evitar efeito de contágio

09.09.2011
 

Analista diz que Angola quer evitar efeito de contágio. 15566.jpeg"Governo de Angola pretende eliminar todos os focos que constituam uma ameaça à sua existência", diz o analista Orlando Castro. Daí que a polícia tenha usado força excessiva contra manifestantes no protesto deste sábado

 

A Deutsche Welle entrevistou o jornalista e analista luso-angolano sobre a atuação da polícia em relação à manifestação contra o Governo do Presidente José Eduardo dos Santos.

Deutsche Welle: O que terá levado a polícia a reprimir violentamente os manifestantes?

Orlando Castro: Quanto a mim, a repressão deveu-se ao temor que o regime tem de que os exemplos da Tunísia, do Egito e da Líbia possam ser transportados para Angola. É um receio legítimo por parte de um regime autoritário que quer de uma forma irracional e muito pouco democrática cercear o direito à livre expressão que os povos têm ou deveriam ter. E por isso, tendo uma situação similar, o Governo procurou cortar pela raiz tudo quanto lhe pareça poder vir a criar problemas.

DW: O número de detidos divulgado pela polícia não coincide com o divulgado por testemunhas oculares na manifestação. Acha que existe alguma má intenção da polícia em relação aos detidos?

OC: Na minha opinião, existe uma má intenção, uma premeditação e toda uma estratégia de repressão, quer a nível da polícia fardada, quer ao nível da polícia secreta de Angola que estava à civil e que foi para a manifestação provocar os manifestantes de modo a que pudessem implementar a repressão. A polícia provoca os manifestantes e depois leva-os a julgamento e o único ato ilícito que os manifestantes cometeram foi julgarem que poderiam dizer o que pensam. Mas como o regime só permite que se diga o que o regime pensa, os manifestantes estão condenados a sempre que saírem à rua, terem a força repressora do regime em cima deles.

DW: Os jornalista também não foram poupados pela polícia. No caso de jornalistas estrangeiros ou que trabalham para órgãos estrangeiros, o gesto pode ser interpretado como um aviso de não intromissão?

OC: O gesto pode e deve ser entendido como uma aviso de que o regime não permite que a comunicação social diga o que lá se passa, porque mesmo que os jornalistas não estejam no local, acabam por saber o que lá acontece. O regime ainda não percebeu isso, tem todas as características de uma ditadura do estilo "eu quero, posso e mando", eles avisam os jornalistas desta forma, mas mesmo jornalistas estrangeiros para entrarem no país, são poucos os que vão.

DW: E depois desta repressão da polícia, acredita que haverá mais contestações em Luanda?

OC: As contestações vão passar a acontecer de uma forma mais regular, se bem que a juventude e a oposição estão a ver que a solução, por aí, não vai a lado nenhum, porque a força repressora do regime é muito grande. Mas é óbvio que a repressão que o regime levou a cabo desta vez, e das outras, mostra que o MPLA, o partido no poder, está com medo. E isso dá força para que a população entenda que através das redes sociais ou de outras formas a população entenda, com toda a legitimidade, que deve vir para a rua manifestar-se, embora saiba à partida que está sujeita a ser castigada e eventualmente a ser morta. 

Autora: Nádia Issufo
Edição: Marta Barroso

http://www.dw-world.de/dw/article/0%2c%2c15370743%2c00.html

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