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Introduzir África ao Mundo pela Documentação da sua Cultura

08.03.2010
 
Introduzir África ao Mundo pela Documentação da sua Cultura

É com um profundo sentimento de satisfação que anuncio com honra e muita alegria que PRAVDA.Ru lança este novo projecto: a difusão da cultura africana aos nossos leitores, começando pela cultura angolana, através da documentação e digitalização de tradições, cultos, culturas, hábitos e crenças milenares.

Para os nossos leitores, será uma oportunidade única de conhecer pormenores africanos que não são divulgados, pois da África geralmente só sai más notícias, dado que a comunidade internacional decidiu que é um sítio escuro, perigoso, pobre e por isso, fonte de histórias sobre desastres e doenças. Nada de sucessos. E tudo isso nutrido por séculos de colonialismo, imperialismo e prácticas de péssima governação que incluíram o flagelo de escravatura – o Holocausto africano - e a destruição de culturas, povos e nações.

Porém, há muito tempo que preparo este projecto, não só pelo interesse jornalístico e com certeza não por qualquer ganância ou vontade de lucrar mas sim pelo sentimento de responsabilidade colectiva, de documentar práticas e tradições e hábitos que poderão ficar perdidos dentro de uma ou duas gerações, com o fluxo migratório do campo para as cidades e outra vez para o campo, processo em que muita cultura é “filtrada” e esquecida.

Vamos documentar não só danças, canções e rituais mas também línguas, dialectos, culinária, entre muitos outros tópicos. Por exemplo: Quais são as bebidas tradicionais angolanas? Como são feitas? Quais são as tradições praticadas no interior do país?

Absolutamente farto do legado europeu na África e enjoado por europeus utilizando África e os africanos como uma causa para depois se promoverem (ao lado de uma criança africana, dando palmadas na cabeça como se tratasse de algum troféu de caça) e a seguir fazendo referências racistas, decidi interferir o menos possível neste projecto, que quero lançar da perspectiva de ser escrito por africanos, e para o bem da África.

Se porventura no final surge algum livro, então que este livro e quaisquer benefícios que saírem dele, revertam para os africanos. Por isso qualquer lucro será revertido para projectos de solidariedade, coordenando com instituições de caridade que fazem algo concreto no terreno.

Voltando para o teor desta peça, por documentar práticas africanas conseguiremos, espero, protegê-las e conservá-las para futuras gerações. Quantos jovens angolanos, por exemplo, saíram da sua terra natal, ou já nasceram em Luanda, e se falarem sua língua nativa, são ridicularizados e apercebem-se que se falarem português ou inglês, têm alguma hipótese de garantir um emprego. Não é preciso mais que uma geração para uma língua perder-se.

E uma língua é uma cultura. A perda de uma língua, de uma tradição, é uma tragédia. A perda de uma cultura é a morte de todos os antepassados que participaram e viviam nela.

Vamos por isso lançar este projecto com muita honra, muita humildade e muito sentido de responsabilidade, não com a intenção de nos vangloriar mas sim para oferecer um espaço para africanos escreverem sobre suas culturas, apresentando-se para o mundo exterior e ao mesmo tempo, criando uma base de dados para referências no futuro.

Começamos por Angola, terra nobre, riquíssima em cultura e tradições, pelo teclado do “Linguist”, jovem angolano conhecido pessoalmente por mim, tendo eu a honra de me chamar seu amigo. “Linguist” vai ajudar-nos a lançar o projecto em outros países, primeiro nos PALOPs e posteriormente a minha ideia é que o projecto se espalha a toda a África. São bem-vindos todos os que queiram colaborar.

Mas atenção: Este projecto é um projecto africano, gerido por africanos, escrito por africanos, para que África beneficie, e mais ninguém. Enquanto houver uma única criança africana que não goza os mesmos direitos e benefícios à nascença que tem qualquer outra criança em qualquer parte da terra, eu não descansarei.

Se tenho de viver para além dos 100 anos para ver esta realidade, assim seja. Se tiver de morrer amanhã sabendo que já se realizou, morro então feliz.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

Director e Chefe de Redacção

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