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Ocidente: a crise está em casa

31.08.2011
 

Ocidente: a crise está em casa. 15508.jpegApesar das intenções do Ocidente de falar de uma suposta recuperação econômica, o verdadeiro é que a crise financeira global se encontra ainda em casa, inclusive das próprias previsões dos principais organismos internacionais.

Havana (Prensa Latina) Apesar das intenções do Ocidente de falar de uma suposta recuperação econômica, o verdadeiro é que a crise financeira global se encontra ainda em casa, inclusive das próprias previsões dos principais organismos internacionais.

 

Tanto o Banco Mundial (BM), o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), consideram que os futuro resultados econômicos estarão a cada vez mais à baixa para o que resta de ano e o próximo.

De acordo com atinadas opiniões de economistas e observadores, os argumentos sobre uma possível recuperação limitam-se a que a velocidade da queda econômica continua.

Para alguns é muito otimista que nos Estados Unidos aumentam as vendas de bens duráveis ou que o ritmo de descenso do produto interno bruto é mais lento, mas o verdadeiro é que nesse próprio país o desemprego aumenta (atualmente é de 9,4 por cento)com 68 bancos declarados em quebra.

Também os preços das moradias seguem à baixa, o déficit comercial é gigantesco e as exportações têm deixado de ser um impulso para sair da crise, pela redução da demanda dos produtos estadunidenses.

De todos esses dados, e outros muitos, o verdadeiro é que a crise está aí, que suas consequências são cada vez mais graves, como o indica o anúncio dos mais de bilhões de famintos neste ano no mundo.

Segundo o Fundo de Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a fome atingirá em 2011 a essa impressionante quantidade de pessoas, equivalente a um sexto da população mundial.

Registros dessa agência assinalam que a cifra de famintos se incrementou desde 825 milhões de pessoas em 1995-97 a 857 milhões em 2000-02 e 873 milhões em 2004-06.

Em suas estimativas de 2008, mencionou a 915 milhões de seres humanos passando fome, enquanto suas previsões para este ano superam em mais de 120 milhões de pessoas aos famintos estimados no ano passado, o qual representará um aumento do 12 por cento.

A isso se soma uma nova escalada nos preços de alimentos que ameaça às economias mundiais, em particular de nações pobres.

Com a crise econômica as cotações dos alimentos diminuíram, mas mantêm-se em alta nos países pobres e em alguns lugares com níveis recorde. Ainda 32 países continuam com emergências alimentares.

 

Durante o passado ano os altos preços em itens essenciais provocaram distúrbios sociais, levaram os mercados de matérias primas a cifras elevadíssimas e geraram obstáculos nas exportações que influíram no fluxo do comércio mundial.

Para a FAO essas elevadas cotações podem agravar a situação de milhares de milhões de pessoas pobres, que já sofrem fome e desnutrição, o qual poderia socavar a segurança mundial.

Tais perspectivas podem levar à inflação no preço dos alimentos, em momentos em que os consumidores sofrem uma recessão econômica global, cuja recuperação se afetaria de ocorrer um clima adverso como o do Chifre africano.

No meio dos "indícios de alívio da crise", as economias avançadas do G-8 solicitaram ao FMI elaborar estratégias de saída e desmantelar os enormes programas de estímulo despregados na contramão da recessão.

Reunidos em Genebra em junho, os ministros de Fazenda e os presidentes dos bancos centrais dos países mais industrializados de Ocidente, advertiram que, apesar do afiançamento da confiança entre as empresas e os consumidores em suas economias, persiste a incerteza ante riscos substanciais para a estabilidade econômico-financeira.

Para a diretora geral do FMI, Christine Lagarde, a recuperação que se pudesse obter seria frágil, pois fica muito por fazer, especialmente no setor financeiro.

Similar consideração expressou o titular da OCDE, José Angel Gurría, ao afirmar que as grandes economias mundiais se contrairão durante o 2011 e o problema do desemprego persistirá.

"Vemos um 2011 muito difícil, com um crescimento negativo", apontou.

Disso são prova as estatísticas internacionais ao mostrar que a pobreza extrema se incrementará em 2011 entre 55 e 90 milhões de seres humanos, em nações que a cada vez receberão menos ajuda dos ricos.

A respeito, o próprio Banco Mundial anunciou que o incerto futuro da economia global provocará que a afluência de capital privado para os países em desenvolvimento se reduzirá quase à metade.

De 707 milhões de dólares registrados em 2009 só se atribuirão neste ano uns 360 milhões, depois de um recorde de 1,2 bilhões em 2007.

A verdade é bem clara, a crise está aí e suas consequências crescem tanto para ricos como para pobres, ainda que para estes últimos o desafio é bem mais complexo, porque, a suas acostumadas limitações, se agregam reduzidas exportações, fechamento de mercados e aumento de sua dívida externa.

Daí que falar de sinais favoráveis não é mais que uma falacia do mundo capitalista, pois o pior pode estar ao dobrar a esquina, ainda que muitos se empenham em suavizar a realidade.

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=7439aebdba054f0d586d486ef2aff185&cod=8565

 


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