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Fase de ruptura do sistema financeiro mundial em 2008

30.01.2008
 
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Fase de ruptura do sistema financeiro mundial em 2008

O agravamento rápido das consequências da crise sistémica global à medida que se desenrola sua fase de impacto [1] leva doravante os investigadores do LEAP/E2020 a considerar que o sistema financeiro mundial contemporâneo entrará na sua fase de ruptura no decorrer do ano de 2008.

por GEAB [*]


Os indicadores de acompanhamento da crise mostram que a partir de agora já não são apenas as falências de alguns grandes estabelecimentos financeiro (e numerosos mais pequenos), primeiro nos Estados Unidos e depois no resto do mundo, que são de temer nos próximos meses (cf. GEAB Nº 19 ), mas que é o próprio sistema financeiro mundial que fica estruturalmente atingido.


A repetida incapacidade da rede de bancos centrais mundial em dominar a penúria de crédito ("credit crunch") com o pano de fundo do afundamento dos dois pilares históricos do sistema financeiro mundial contemporâneo (a economia americana que entrou em recessão e o US dólar em decomposição), reflecte a emergência acelerada de forças centrífugas no seio deste mesmo sistema.


Com efeito, já não se trata somente da competência dos banqueiros centrais ou da amplitude das acções de correcção postas em execução. Esta época está ultrapassada desde o fim do Verão de 2007. Segundo LEAP/E2020, assiste-se a partir de agora a uma divergência crescente de interesses económicos entre os diferentes componentes do sistema financeiro global.


O fracasso programado da última tentativa iniciada pelo Federal Reserve dos EUA, visando coordenar uma acção conjunta dos principais bancos centrais para alimentar os bancos em dólares americanos [2] , é quanto a isto totalmente revelador. Esta acção visa essencialmente restaurar a confiança no sistema de duas maneiras:

 restabelecendo nomeadamente o mercado interbancário hoje moribundo, demonstrando através do exemplo a existência de uma "força de choque comum" dos bancos centrais mundiais;

 permitindo aos grandes estabelecimentos financeiros em perigo virem reabastecer-se anonimamente de dólares americanos, em troca de activos valorizados ao preço do mercado de vários meses atrás (ou seja, quando eles ainda valiam alguma coisa) [3] .

O primeiro objectivo evidentemente prevalece uma vez que sem um re-arranque do mercado interbancário o refinanciamento dos bancos em perigo não faria senão conceder-lhes um adiamento de alguns meses. Ora, já é certo que o objectivo visado não é atingido [4] .

O LIBOR (London Interbank Offered Rate, taxa de referência do mercado monetário), indicador por excelência do estado do mercado interbancário, não se moveu dos seus níveis mais elevados [5] . E, em termos "psicológicos", o declínio generalizado das bolsas mundiais, após o anúncio da acção dos bancos centrais, prova que se alguma mensagem foi passada é de que a situação dos grandes bancos americanos é nitidamente pior do que aquilo que fora anunciado nos últimos meses [6] .


Portanto, para a equipe LEAP/E2020, já se confirmou que depois de ter perdido o controle da evolução das taxas de juros (cf. GEAB Nº 16), o Federal Reserve dos EUA acaba de perder dois outros atributos essenciais que caracterizavam o sistema financeiro mundial pós-1945: sua credibilidade de actor voluntarista que podia modificar as tendências pesadas dos mercados (8), e sua capacidade para organizar e arrastar o conjunto dos bancos centrais mundiais conforme o seu ritmo e os seus objectivos. Dessa forma, o Federal Reserve acaba de perder a capacidade de pilotar por si só o sistema financeiro mundial, capacidade que havia adquirido após 1945.


Se os mercados financeiros actualmente estão sensíveis sobretudo à perda do primeiro atributo (9), os investigadores do LEAP/E2020 consideram que é a perda do segundo (e sua consequência em termos de pilotagem do sistema) que contem o germe da ruptura do sistema financeiro mundial no decorrer do próximo ano, provavelmente no Verão de 2008, quando as consequências a recessão estado-unidense começarão a sentir-se plenamente e quando asiáticos e europeus se verão definitivamente constrangidos a impor as suas próprias escolhas ao "piloto do Fed".


DIVERGÊNCIAS ENTRE BANCOS CENTRAIS


Neste número 20 do Global Europe Anticipation Bulletin (de Dezembro/2007), nossa equipe pormenoriza as características das divergências crescentes entre as estratégias dos quatro grandes bancos centrais (Federal Reserve, Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, Banco Nacional Suíço).


Estas evoluções cruciais, num momento em que as consequências da recessão americano ainda não mostraram a sua amplitude (na Ásia e nos Estados Unidos, em particular), ilustram o aumento rápido das forças centrífugas que vão, segundo as nossas antecipações, conduzir a uma ruptura do sistema financeiro mundial contemporâneo no Verão de 2008.

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