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Desemprego: É preciso mudança radical nas políticas de apoio à criação do próprio emprego

29.10.2013
 
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Desemprego: Estudo da UC defende uma mudança radical nas políticas de apoio à criação do próprio emprego

" (...) Muitas burocracias... o centro de emprego exigiu muita coisa (...). Sou sincera, eu cheguei a uma altura que estive mesmo para desistir (...). Ajudar um empreendedor não é emprestar-lhe 30 mil euros e esperar que as coisas corram bem (...). Não sabia onde me dirigir e no centro de emprego não estão autorizados a dizerem vá aqui ou ali (...) ".

Estes e muitos outros relatos de desempregados, recolhidos no âmbito do estudo "Impactos e ajustamentos psicossociais da transição para o desemprego involuntário de pessoas com idade igual ou superior a 40 anos", desenvolvido ao longo dos últimos três anos por uma equipa multidisciplinar de 10 investigadores da Universidade de Coimbra, mostram que é necessária uma mudança profunda nas políticas de resposta às pessoas que se encontram em situação de desemprego.

Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), o estudo do qual já resultou o livro "de Desempregados a Empreendedores" salienta que a «aceitação do desemprego como um fenómeno transversal na nossa sociedade exige um apoio sistemático e holístico no sentido de oferecer as condições necessárias para que o indivíduo possa ter acesso e sucesso nas suas alternativas», afirma o coordenador, Eduardo Santos.

Ao considerar que um dos ajustamentos mais eficazes ao desemprego «é a criação do próprio emprego porque o Estado Social está a falhar», o estudo conclui que as «atuais políticas de apoio estão ultrapassadas. Há uma burocracia excessiva que leva os desempregados a arriscarem pouco no empreendedorismo. É urgente repensar, por ex., a formação profissional, apostando numa formação pragmática centrada na flexibilidade e no desenvolvimento de competências de competitividade capazes de vencer as regras do mercado, que é extremamente agressivo», assevera o também coordenador científico do IPCDVS - Instituto de Psicologia Cognitiva, Desenvolvimento Vocacional e Social da UC.

 

Perante as conclusões obtidas no estudo, que envolveu mais de 2.000 cidadãos em situação de desemprego, os cientistas elencaram um conjunto de recomendações práticas para a reformulação de políticas. Defendem, por ex., a criação de um serviço nacional de atendimento aos micro empresários que os ajude a gerir aspetos como competitividade, eficiência, custos e lhes faculte informação e apoio; e a criação de uma rede onde todos os microempresários possam estar sempre em contacto para a partilha de experiências e troca de informações.

 

Cristina Pinto

Universidade de Coimbra


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