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Brasil: Pesquisa Industrial Anual

29.06.2009
 
Pages: 123

O salário médio, que em termos nacionais é de 3,8 salários mínimos em 2007, é diferenciado entre as regiões, com o Sudeste pagando o salário mais elevado (4,6). Esta região mostra uma diferença de 21,1% frente ao salário médio pago no total da indústria, enquanto que nas demais áreas os salários ficaram abaixo do resultado nacional: Norte (3,1), Sul (3,0), e Nordeste e Centro-Oeste (ambos com 2,5). Em 2003, o salário médio pago na Região Sudeste era 23,4% superior à média nacional e que ao longo destes quatro anos houve redução na diferença entre o salário médio pago no total da indústria frente aos das demais regiões: na Região Sul o salário médio em 2003 estava 23,4% inferior da média nacional e em 2007 ficou 21,1% abaixo, no Centro-Oeste, era 42,6% menor e ficou 34,2% abaixo, Norte (de -23,4% para -18,4%) e Nordeste (de -38,3% para -34,2%).

Em relação às unidades da federação, em 2007, observa-se que o Rio de Janeiro, com 6,2 salários mínimos, paga os salários médios mais elevados entre os estados do Sudeste, refletindo sobretudo os salários mais altos registrados nas indústrias extrativas e em refino de petróleo e produção de álcool. São Paulo, com 4,9 salários mínimos, também fica com resultado acima da média da região (4,6), só que influenciado pelos ramos de produtos químicos, outros equipamentos de transporte, fabricação e montagem de veículos automotores e material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de comunicações.

Na Região Norte, o Amazonas é o que paga os salários mais altos (4,0) e o único acima da média da região (3,1), resultado explicado pelos salários dos setores de refino de petróleo e produção de álcool e indústrias extrativas. No Sul (3,0), os três estados mostram salários médios muito próximos entre si: Rio Grande do Sul (3,3), Paraná (3,0) e Santa Catarina (2,8).

Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, que pagam em média 2,5 salários mínimos, os principais destaques foram Bahia (4,1) e Sergipe (3,6) na primeira região, e Distrito Federal (3,2) na segunda. Na Bahia, destacam-se os ramos de refino de petróleo e produção de álcool, fabricação e montagem de veículos automotores, produtos químicos e indústrias extrativas, enquanto em Sergipe a principal contribuição fica com as indústrias extrativas. Entre 2003 e 2007, não se observa alteração na relação de importância entre os estados dentro de cada região.

Norte registra maior produtividade devido a setores intensivos em tecnologia e economias de escala

O indicador de produtividade do trabalho também mostra comportamento diferenciado entre as regiões, com o principal destaque vindo da Região Norte, que gerou, em média, R$ 139 mil de valor em 2007, explicados principalmente pelo desempenho dos setores intensivos em tecnologia e com economias de escala, como por exemplo: refino de petróleo e produção de álcool; indústrias extrativas; metalurgia básica; outros equipamentos de transporte; equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, cronômetros e relógios; e material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de comunicações. A Região Sudeste (R$ 99 mil) também mostrou em 2007 produtividade acima da média nacional (R$ 84,5 mil), enquanto nas demais, os resultados ficaram abaixo da média: Sul (R$ 62 mil), Centro-Oeste (R$ 62 mil) e Nordeste (R$ 63 mil). Entre 2003 e 2007, a Região Norte se manteve como a de maior produtividade, seguida pelo Sudeste, ambas acima da média da indústria.

Em síntese, na comparação dos anos 2003 e 2007, além do avanço no número de empresas e do pessoal ocupado no setor industrial, também houve aumento no salário médio pago em termos nominais e reais. As atividades que mais ganharam em participação no total do pessoal ocupado foram: alimentos, produtos de metal, refino de petróleo e produção de álcool e máquinas e equipamentos. No mesmo sentido, no total dos salários e retiradas pagos, destacaram-se as atividades de alimentos, máquinas e equipamentos, refino de petróleo e produção de álcool e outros equipamentos de transporte.

O segmento de fabricação e montagem de veículos automotores e de produtos químicos perdeu participação, mas se mantém como segundo e terceiro em importância na estrutura setorial. Em termos de salário médio mensal, os ramos mais intensivos em tecnologia e os que se estruturam em grandes plantas industriais com elevadas escalas de produção continuaram pagando os maiores salários, com destaque para refino de petróleo e produção de álcool que mantém a liderança entre os setores tanto em 2003 e 2007. Vale destacar que este ramo industrial também permanece entre estes dois períodos como o de maior produtividade e o de menor custo do trabalho.

Em termos regionais, não se observa uma modificação significativa entre 2003 e 2007 nas variáveis como pessoal ocupado, salários e retiradas pagos, salário médio, produtividade e custo do trabalho. Mesmo a perda de importância das regiões Sudeste e Sul em favor do Nordeste, Centro-Oeste e Norte na estrutura do pessoal ocupado, e salários e retiradas pagos já vinha sendo observada em anos anteriores. No que se refere ao salário médio mensal, vale destacar o maior ganho vindo das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte, que diminuem consideravelmente a diferença frente a média nacional, influenciados principalmente pelo ganho real vindo dos reajustes no salário mínimo no período considerado (cerca de 31%).

Nota:

1 As informações consideradas até aqui, em nível nacional, dizem respeito à empresa industrial. Na regionalização dos dados, passam a ser consideradas, para o caso de empresas com atuação em mais de um local, informações obtidas a partir de suas unidades locais produtivas industriais.

Prof. Ricardo Bergamini

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