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Anti-austeridade na Grécia implica dificuldades para a Espanha

28.05.2015
 
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Onda grega de 'antiausteridade' (é antiarrocho) implica dramáticas novas dificuldades para a Espanha

Semana passada, em "Forças da esquerda portuguesa expõem-se à fúria da troika" (ing.) destacamos o Partido Socialista de Portugal, que aparece à frente nas pesquisas para as eleições previstas para outubro, e que prometeu aplicar uma "política reversa", no que tenha a ver com 'austeridade' e com credores do país.  Argumentamos naquele postado que a ascensão de partidos políticos de esquerda em toda a periferia significa que a Europa adotará linha cada vez mais dura nas negociações com a Grécia. Eis o que lá escrevemos:

A razão pela qual concessões (quaisquer concessões) aos gregos são absolutamente impossíveis e não acontecerão nas negociações em Atenas é que o FMI, a Comissão Europeia e mais especialmente a Alemanha querem disparar mensagem clara a quaisquer 'radicais esquerdistas' que talvez estejam pensando em usar a rotina do "um passo, e a ideia da indissolubilidade da União Monetária Europeia faz o resto" como meio para negociar e obter mais espaço para respirar contra as medidas da 'austeridade': vocês chegarão precisamente a lugar nenhum e, até lá, comerão o pão que o diabo amassou.

Com apenas dez dias até 5 de junho, quando vence uma dívida com o FMI que Atenas com certeza quase absoluta não conseguirá saldar a menos que acerte alguma coisa para receber mais fundos de resgate, as coisas estão ficando bem mais interessantes no front político, depois que o Partido Popular da Espanha sofreu golpe eleitoral dramático no domingo, que lhe aplicaram os partidos Podemos de esquerda, e o Ciudadanos de centro-direita. Eis o que diz o Wall Street Journal:

Eleitores espanhóis puniram o Partido Popular (PP) governante nas eleições regionais e municipais, garantindo significativo apoio a dois partidos em ascensão que capitalizaram a fúria contra o alto desemprego, os cortes nos gastos públicos e a corrupção.

Já com praticamente todos os votos contados, vê-se que o partido conservador do primeiro-ministro Mariano Rajoy manteve o controle de apenas três, das 13 regiões onde houve ontem eleições para os parlamentos regionais. É o fim da dominação que o partido exercia desde 2011, quando venceu em dez regiões, em oito delas alcançando maioria absoluta.

Apesar de ter alcançado o maior número de votos no plano nacional, o Partido poderá enfrentar duras dificuldades para formar governos funcionais em muitas zonas que antes estavam sob seu controle, inclusive na cidade de Madrid, se não puder contar com o apoio dos partidos menores.

"É brutal sinal de despertar que a sociedade espanhola envia a um partido que usufruiu plena hegemonia em várias partes desse país" - disse Emilio Sáenz-Francés, professor de História e Relações Internacionais na Pontifícia Universidade Comillas, em Madrid.

Disse que a eleição inaugura uma nova era na política espanhola, forçando humilhados partidos do establishment a recorrer ao toma-lá-dá-cá e a construir coalizões com partidos rivais para garantir a governabilidade.

Num aparente aperitivo do que poderá vir nas eleições nacionais no final do ano, nas quais Rajoy tentará obter um segundo mandato, a fatia dos votos nacionais que cabe ao seu partido caiu 10 pontos percentuais, dos 37% nas eleições locais e regionais de há quatro anos. Os eleitores mudaram-se para dois partidos recém-surgidos, o Podemos, de esquerda; e o Ciudadanos de centro-direita.

Em Barcelona, a ativista de movimentos contra a miséria e contra despejos, Ada Colau (que lidera o partido en Comú Barcelona) foi eleita à Prefeitura, no que a nova prefeita chamou de uma vitória "de David contra Golias"; e o PP também fez triste papel em Madrid.

Nas palavras de The Guardian:

Movimentos populares de base de vários partidos políticos de esquerda, inclusive do Podemos, e de milhares de cidadãos, o partido Barcelona En Comú votou pela volta às mãos do povo, do poder de decisão na cidade, prometendo pôr fim aos despejos de moradias familiares, aumentar as oportunidades de moradia pública e redistribuir a riqueza da cidade. O partido de Colau elegeu 11 das 41 cadeiras com direito a voto no Conselho Municipal, o que significa que a nova Prefeita terá de formar alianças para conseguir governar.

Em Madrid, o Partido Popular não está seguro de controlar o poder, na capital que dominou nos últimos vinte anos.

A candidata do PP, Esperanza Aguirre, 63, que é condessa por casamento, saiu à frente, na eleição do domingo, e conseguiu 21 cadeiras com voto no Conselho da cidade.

Aguirre é considerada linha-dura; com campanha milionária, conseguiu chegar à frente por pequena diferença de votos, da segunda colocada, a "indignada" Manuela Carmena, da coalizão Ahora Madrid apoiada peloPodemos.

Os resultados sugerem que agora começará a construção das coalizões, processo que será provavelmente complicado, porque alguns eleitores podem sentir-se traídos, se o Podemos ou o Ciudadanos for visto como em 'cooperação' com seus rivais.

The NY Times resumindo tudo:

Mas as eleições [na Espanha] não produziram o resultado claro, de candidato eleito sem contestação de há quatro anos, quando o Partido Popular conservador chegou ao poder, quando os eleitores optaram por castigar os socialistas por terem afundado a Espanha numa crise econômica. Diferente disso, a eleição do domingo verá, com os futuros desdobramentos, um tenso processo de negociações em Madrid para construir coalizão capaz de governar, seja em Madrid seja em grande parte do resto da Espanha.

As eleições foram vistas como um termômetro para que o PP governante e o primeiro-ministro Mariano Rajoy possam aferir as próprias chances de vencer nas eleições gerais do final do corrente ano.

Apesar de o Partido Popular ter recebido maior quantidade de votos, segundo os primeiros resultados perdeu a maioria parlamentar com que contava, na maioria, se não em todas, as províncias da Espanha. Esse revés torna provável que os partidos de esquerda venham a unir forças nas próximas semanas, para afastar o Partido Popular e formar governos de coalizão.

...e Barclays acrescenta nuances à construção de coalizões:

Entendemos que nenhum dos dois novos partidos, Podemos e Ciudadanos, tem interesse em coalizões com o PP ou com o PSOE no próximo mandato. Como já dissemos, esses partidos poderiam ser castigados pelos eleitores se formarem coalizões e assumirem compromissos para as eleições gerais que acontecerão no outono. Além disso, os dois partidos concorreram apoiados em plataformas fortes, contra a corrupção, e portanto estarão demarcando linhas vermelhas muito rígidas nessas questões, para que possam apoiar qualquer dos dois partidos tradicionais. Mas uma diferença crucial entre os novos partidos é que Ciudadanos talvez se interesse por coalizões, com o PP ou com o PSOE, uma vez que a agenda política de Ciudadanos pode estar mais próxima dos partidos tradicionais, se comparada à agenda doPodemos. É altamente improvável que Podemos venha a coligar-se com o conservador PP ...

O desdobramento mais importante das eleições regionais e municipais do fim de semana na Espanha (24 de maio) só o veremos nos próximos dias/semanas, no comportamento dos quatro principais partidos (PP, PSOE, Podemos e Ciudadanos), uma vez que os resultados oferecem poucas maiorias absolutas. Esses quatro partidos terão de se engajar em complexas conversas com vista a coalizões. Podemos e Ciudadanos talvez demarquem 'linhas vermelhas' se se coligarem com PP e PSOE. 

Na verdade, em alguns casos, podem escolher deixar que governos minoritários governem, se as coalizões implicarem custo político alto demais para os parceiros minoritários das coalizões, e pouco tempo antes das eleições gerais em Nov/Dec 2015 (a data exata ainda não está marcada).


Os resultados indicam que a paciência está-se acabando, ante 25% de desemprego e arrocho ("austeridade") crescente. Imaginamos que haverá umas poucas discussões a portas fechadas entre as 'instituições', agora que parece muitíssimo provável que a Espanha elegerá quem lhe faça as promessas eleitorais que levaram o Partido Syriza ao poder, na Grécia, no início de 2015. 

Nesse quadro, ainda mais difícil se torna que os gregos obtenham qualquer concessão na mesa de negociações, dado que a troika cuidará de ser extremamente cuidadosa sobre o tipo de mensagem que enviará aos novos "socialistas ascendentes" do mesmo bloco monetário. 

Para que ninguém esqueça, o Gráfico  mostra a relação Dívidas/PIB na Espanha, nação pesadamente endividada da periferia da União Europeia ("Fauxterity" que se lê no gráfico, é algo como 'falsa-falsa-austeridade', mas nem isso é porque todas as 'austeridades' são falsas: esse é o gráfico do ARROCHO na Espanha).*****

Gráfico: Ver link

25/5/2015, Tyler Durden, Zero Hedge
http://www.zerohedge.com/news/2015-05-25/greek-anti-austerity-wave-spreads-dramatic-loss-spanish-status-quo

 


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