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A crise do Capitalismo - as causas e a resposta necessária

27.10.2008
 
Pages: 1234
A crise do Capitalismo - as causas e a resposta necessária

Jerónimo de Sousa, na Sessão Pública, alertou para os que «querem, com as suas mistificadoras explicações, esconder que uma das principais causas da crise está na crescente financeirização da economia mundial. Nas políticas que promoveram a desregulamentação financeira, as privatizações, a livre circulação de capitais e a economia de casino, em detrimento da produção real e das condições de vida dos trabalhadores e dos povos».

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP
Sessão Pública sobre “A crise do Capitalismo”

As intervenções que me precederam analisaram e evidenciaram algumas das dimensões mais importantes da actual crise económica e financeira internacional que é, pela sua natureza e amplitude, uma grave crise do próprio sistema capitalista. Crise que, como também aqui se evidenciou, revela não só o fracasso das políticas de direita, do fundamentalismo neoliberal dominante e do seu programa político e a sua incapacidade para responder aos problemas dos trabalhadores e dos povos, mas que se apresenta como um rude golpe na fábula do capitalismo triunfante dos últimos anos, capaz de dominar as suas contradições insanáveis e conter a acção predadora e destruidora inerente à evolução do próprio modo de produção capitalista. Acção que cíclica e sistematicamente se manifestou com pesadas e dramáticas consequências na vida da humanidade.


Rude golpe também nas fantasiosas construções ideológicas da tecnocracia neoliberal que, sob a capa de inquestionáveis soluções cientificas e técnicas, apresentava a globalização capitalista e os seus processos de liberalização planetária dos mercados e da livre circulação de capitais, sob o domínio da ditadura do capital financeiro e das grandes multinacionais, como a única solução dos problemas do desenvolvimento mundial, mas que não só trouxe o caos financeiro e a crise, como o aumento das desigualdades nacionais e sociais, incluindo no seio dos países mais desenvolvidos e a agudização dos problemas agro-alimentares, energéticos e ambientais.


Uma realidade que dá actualidade à luta pela construção do socialismo como única, real e necessária resposta à profunda crise do sistema.


Com a ampliação e a agudização da crise financeira e da sua crescente transposição para a economia real, temos vindo a assistir à mistificação quer das suas causas, quer das soluções e saídas para a crise que, como os próprios responsáveis o admitem, está longe de se manifestar em toda a sua plenitude e consequências.


Múltiplas operações de disfarce estão hoje em curso nos planos nacional e internacional procurando, por um lado ocultar os verdadeiros responsáveis pela crise e as suas verdadeiras causas, a interiorização e aceitação passiva pelas massas e sua inevitável participação no pagamento dos seus custos e dar uma nova legitimidade não apenas ao sistema sob a formula da criação de um novo e falso paradigma refundador, mas às próprias políticas que alimentaram a especulação e a exploração desenfreadas e que estão na origem da extraordinária amplitude que a crise assumiu e que no caso português conduziu o país à estagnação crónica da economia e à regressão social.


No que se refere às causas da crise, querem resumi-la ao rebentamento da bolha do crédito imobiliário nos Estados Unidos e à simplista e mistificadora explicação que remete a origem de todos os males para o deficiente funcionamento da regulação e para os comportamentos eticamente irresponsáveis de uma minoria instalada algures nos principais centros da actividade especulativa financeira.


Minoria que dizem dominada por uma incontrolável ganância, como se a busca do lucro máximo não fosse inerente à natureza e génese do próprio sistema, agora ainda mais exacerbado pelas práticas especulativas do grande capital financeiro que tudo domina e ao qual tudo passou a ser permitido.


Querem, com as suas mistificadoras explicações, esconder que uma das principais causas da crise está na crescente financeirização da economia mundial. Nas políticas que promoveram a desregulamentação financeira, as privatizações, a livre circulação de capitais e a economia de casino, em detrimento da produção real e das condições de vida dos trabalhadores e dos povos.


As políticas que de forma clara ou discreta deram alento às demolidoras propostas do chamado Compromisso Portugal, propagandeadas de forma avassaladora pela comunicação social dominante.


As mesmas políticas que conduziram em Portugal ao definhamento do seu aparelho produtivo, ao favorecimento dos grandes grupos económicos e das suas actividades, à concentração e acumulação capitalista, à acentuação da dependência do país face ao exterior, ao acumular de défices estruturais, ao sobreendividamento das empresas e famílias que tornaram o país mais vulnerável face à crise do sistema capitalista, com dramáticos reflexos no aumento do desemprego, da precariedade, da pobreza e significativos recuos nas condições de vida dos trabalhadores e da população. É por isso que a actual crise internacional vem acrescentar crise à nossa própria crise que lhe é anterior.

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