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Crise atual: repetição cíclica das crises de 30 e 70

26.09.2008
 
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Crise atual: repetição cíclica das crises de 30 e 70

As finanças internacionais são um jogo com dois grupos de jogadores - os políticos e burocratas nos governos nacionais e os presidentes e tesoureiros das firmas gigantescas, grandes, médias e pequenas. Os funcionários do governo desejam vencer eleições e garantir um lugar seguro na história dos seus países. Os presidentes e tesoureiros das sociedades anônimas querem auferir lucros - ou pelo menos evitar perdas.

Ricardo Bergamini

As oportunidades de lucro ocorrem porque as políticas monetárias e fiscais nacionais são inconsistentes entre si e, assim, obrigam a uma mudança nos valores da moeda nacional. Mas as autoridades nos diferentes países, normalmente, discordam quanto a qual país tomará a iniciativa em mudar o preço da moeda nacional, de modo que a mudança necessária, freqüentemente, se atrasa muito. As fortunas comerciais são feitas com base na capacidade de prever tais mudanças nos valores das moedas nacionais, ao passo que os políticos se desgastam com o resultado dessas mudanças.

A exportação de problemas nacionais, nos países desenvolvidos, é uma forma clássica de comportamento internacional. Votos estrangeiros não contam em eleições nacionais. Os custos políticos de providências internas que poderiam resolver um problema de desemprego, um problema de inflação ou um problema de indústria deprimida, normalmente, são mais altos que os custos políticos da exportação do problema. Assim o resto do mundo subdesenvolvido se transforma em escoadouro de problemas internos dos países desenvolvidos.

A política monetária internacional é descentralizada. Cada um dos mais de cem produtores nacionais de moeda tem seus próprios interesses e objetivos. Cada banco central quer controlar a taxa de crescimento, do seu meio circulante, as políticas dos países diferem, o mesmo acontece com suas taxas preferidas de crescimento monetário.

As firmas e os indivíduos disputam seu próprio jogo contra o pano de fundo dos valores em modificação das moedas nacionais. Tomam empréstimos em moedas cujo preço esperam que caia e fazem empréstimo em moedas que esperam que subam. Alguns administradores argutos de sociedades anônimas ganharam milhões de dólares - marcos alemães e francos suíços - para suas empresas em fins dos anos 60 e começos dos anos 70 antecipando, corretamente, as mudanças nas taxas de câmbio.

Os governos, freqüentemente, precisam de um acordo internacional para rever instituições estabelecidas e renegociações desses acordos demoram anos e, hoje em dia, graças à comunicação instantânea e de baixo custo, os mercados nacionais de moedas, títulos, depósitos e ações denominados em várias moedas aproximam-se muito de serem partes de um mercado internacional. Em qualquer momento determinado, o preço das ações da IBM em Amsterdã e o preço das mesmas ações em Londres - e em centros estrangeiros onde elas são negociadas - só diferem em centavos do preço de Nova York. Os corretores de bolsas especializados compram essas ações onde elas são baratas e as vendem onde são caras, para lucrar com a diferença de preços e, assim, manter os preços. A tecnologia da moeda é internacional.

Antes da Primeira Guerra Mundial o sistema era descrito como "padrão ouro". Então, uma mudança de conceito levou a uma mudança no nome e "padrão câmbio ouro" tornou-se o termo aplicável para a situação entre as duas partes, pelo menos de 1946 a 1971, ele ficou conhecido como o Sistema de Bretton Woods. Essas mudanças em terminologia eram mais que mudanças na aparência, pois a relação sistêmica entre os componentes principais e os mecanismos para determinar as taxas de câmbio e fornecer o dinheiro para usar em pagamentos entre bancos centrais em diferentes países - também foi reformulado.

Normalmente, as mudanças no sistema têm sido precipitadas em uma crise sobre os valores relativos das diferentes moedas nacionais. Isso ocorre quando os arranjos estabelecidos para financiar desequilíbrios de pagamento entram em colapso. Assim, a mudança para o padrão de "câmbio ouro" refletiu uma provável escassez de ouro sob o padrão ouro. O padrão ouro fracassou na Grande Depressão dos anos 30 devido a mudanças por demais freqüentes e desnecessárias nas taxas de câmbio. E o Sistema de Bretton Woods fracassou em 1971 porque foi incapaz de enfrentar os grandes desequilíbrios de balanços de pagamentos gerados pela inflação americana. O padrão atual é de crise, colapso e inovação. Não podemos esquecer que as transações internacionais têm um elemento comum que as torna singular, diferentes das transações internas - um dos participantes tem de negociar numa moeda estrangeira, e mercado de moeda estrangeiro é um mercado de moedas nacionais; o preço é a taxa de câmbio.

Os bancos centrais precisam de uma moeda internacional. Então, dada essa necessidade, cada banco central tem de decidir qual ativo tem as combinações de atributos mais atraentes na forma de renda de juro, futuro poder aquisitivo, custos de transação e custos de armazenagem. Até 1970, os estoques de ouro eram o maior componente de moeda internacional. Então, o aumento nos estoques externos de dólares americanos deslocou o ouro para segundo lugar, tendo dobrado essa relação apenas no período de 1970 a 1971. E a terceira forma de moeda internacional é o DES (direito especial de saques) do FMI.

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